Como criar revoluções “espontâneas” – por Octopus

 


 

Posted: 04 Nov 2011 07:38 AM PDT

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Estamos a viver a época das revoltas populares espontâneas. Primeiro foram a revoluções coloridas nos países de Leste, depois a primavera árabe e mais recentemente os movimentos 15 de Outubro e Occupy Wall Street.

 

Analisando estas revoltas, chegamos à conclusão que têm muito pouco de espontâneas, que foram planeadas de longa data e que são perigosamente manipuladas pelos Estados Unidos.

“Em política, nada acontece por acaso, se algo acontecer, você pode apostar que foi planeado dessa maneira”. (Roosevelt)
 

Nota importante: este texto não pretende, de forma alguma, desacreditar todos aqueles que participaram e apoiam de maneira genuína os movimentos que seguem, destina-se ao contrário a evitar a sua possível manipulação.

Revoluções coloridas

 

Símbolo sérvio do Otpor

 

 

Primeiro, tivemos em 2000 a revolução do 5 de outubro na Sérvia que conduziu à queda de Slobodan Milosevic. As manifestações foram convocadas pelo movimento OTPOR, que quer dizer “Resistência” em sérvio.

 

Este movimento irá fundir-se com o partido democrático do novo presidente eleito, Boris Tadic. Alguns militantes, dos quais Ivan Marovic e Srdja Popovic decidem fundar o CANVAS, de que iremos falar mais tarde, destinado a exportar técnicas de não-violência para outros países.

Em 2003, temos a revolução das rosas na Geórgia, apoiada por um movimento de resistência cívica, o KMARA, que levou à queda de Édouard Chevardnadzé. Curiosamente, ou não, o símbolo deste movimento é o mesmo que o do Otpor.

 

 

 

Símbolo do Pora da Ucrânia

 

No ano seguinte, em 2004, temos a revolução laranja na Ucrânia que colocou no poder Viktor Louchtchenko. Essa revolução foi instigada e apoiada pelo movimento PORA, um movimento cívico da juventude. Mais uma vez, o símbolo é o mesmo. Esta organização foi fundada com a ajuda financeira de George Soros.

 

 

Símbolo do Kelkel

 

Em 2005, foi a vez da revolução das tulipas no Quirguistão, apoiada pelo movimento de jovens do Kelkel, também ele financiado por Soros.

A “primavera árabe”

Mais tarde, temos a chamada primavera árabe, iniciada no Egipto. Na origem da revolta temos o movimento da juventude 6 de abril. Mesmo símbolo que o das revoluções anteriormente descritas.

 

 

Este movimento foi criado e financiado pelas fundações americanas National Endowment for Democracy (NED),  International Republican Institute (IRI) e  Freedom House (FH).

 

O objectivo oculto de todas estas revoluções é fomentar revoltas populares e utilizar esses movimentos de protesto para depor um governo existente que por alguma razão já não serve os interesses americanos, e substitui-lo por outro pro-americano, ou seja um regime fantoche.

O que é o CANVAS?

 

 

CANVAS (Center for Applied Non Violent Action and Strategies) foi o que resultou do movimento sérvio OTPOR e tem por finalidade por em prática o que foi desenvolvido por esse em termos de movimentos de protesto não-violento.

 

Uma estrutura desta dimensão, presente em 40 países, necessita de meios financeiros consideráveis. Oficialmente, CANVAS não recebe dinheiro de nenhum governo, apenas é financiado por ricos filantropos (como George Soros!), que mais não querem do que construir um mundo melhor. 

 

 

A realidade é bem diferente, grande parte do dinheiro provém do International Republican Institute e do Freedom House. O International Republican Institute é uma organização política ligada ao partido Republicano americano financiada pelo governo federal. Trata-se de uma organização de fachada da CIA. O Freedom House tem como objectivo a exportação dos valores americano no mundo, é dirigido por James Woolsey, director da CIA entre 1993 e 1995.

Nesta condições, é difícil não ver nestas acções, de revoltas “espontâneas”, uma manipulação americana nos países onde o VANCAS opera. Este facto nunca é referido nos media como foi o caso em relação às revoltas coloridas ou às primaveras árabes. 

CANVAS no movimento Occupy Wall Street

CANVAS e Anonymos (outra organização nebulosa) estão activamente implicados no movimentos Occupy Wal Street. Um dos porta-voz deste movimento é, nada mais nada menos de que Ivan Morovic, líder do CANVAS.

 

 

A maioria dos movimentos de revolta popular espontânea pouco têm de acontecimentos revolucionários, são cuidadosamente preparados de longa. Parece que as pessoas vão simplesmente para rua, mas não passa na grande maioria dos casos do resultado de meses ou anos de preparação. 

 

 

Pode levar muito tempo até se atingir o ponto em nascem manifestações e greves de grande envergadura, mas uma vez iniciadas, em poucas semanas vão desencadear-se verdadeiras revoltas, nas quais a cronologia e a sucessão foi planeada detalhadamente.

http://www.canvasopedia.org/

http://www.iri.org/

http://www.freedomhouse.org/


http://occupywallst.org/

 

 

 

3 Comments

  1. Como nada sobre este assunto pode mudar o que eu quis dizer, volto a publicar o meu comentário de ontem. E, a este respeito, chamo, igualmente, a atenção para a opinião de pensadores que costumamos prezar sobre a questão da formação destes movimentos embrionários e apartidários: Alain Touraine , Boaventura Sousa Santos, Eduardo Galeano , Jeane Ziegler . “Tudo isso pode ser verdade, ou não, mas desacreditarmos toda e qualquer movimentação popular por, supostamente estar infiltrada por serviços secretos ou operações de marketing tendentes a desviar-lhe os objectivos, também pode ter um efeito perverso: desmobilizar, de uma vez por todas, aqueles que, e certamente são a maioria nesses movimentos, reagem contra os poderes que estão a minar a vida de todos nós. A quem estaremos, então, também a servir quando pomos em causa o genuíno magma da revolta que sustenta este novo tipo de expressão a que os partidos de esquerda não souberam dar voz? Os movimentos são infiltrados? São, e de várias maneiras. Sobretudo quando acontecem em momentos de especial gravidade, muitos quadrantes deles querem tirar partido. Pessoalmente, não me perguntem porquê – mas já li análises bastante consistentes sobre a sua formação e a forma embrionária dum futuro que ainda não vislumbramos – acredito neles. E acredito mais do que acreditei na Wikileaks quando apareceu. Escrevi, na altura, um texto que o prova. Acredito que podem ser os tentáculos de um polvo cujo abraço, lentamente, triture o mal que assola a Humanidade “. Lembro-me muito bem desses movimentos e, também, me lembro do presidente da Ucrânia que foi envenenado.

  2. Esqueci-me duma pequena, ou grande, precisão: estes movimentos não são revoluções. Estão muito longe disso. Levará bastante tempo a lá chegarem, se lá chegarem. Nem acredito muito. Mas são um sinal importante de que alguma “evolução” – ainda falta o “r” – se está a dar na cabeça das pessoas. Têm um núcleo positivo.

  3. E, como no regresso do exílio na Suíça à Rússia atravessou a Alemanha com autorização do governo alemão, em guerra com aquela, e o comboio especial até parou durante 20 horas em Berlim, Lenin era um agente alemão?E Ben Ali na Tunísia não era pró-francês e não servia os interesses americanos? Idem para Mubarak no Egipto?E as cargas policiais e detenções de “indignados” são só para disfarçar?Todos os movimentos atraem infiltrados e manipuladores interessados no seu controlo e instrumentalização mas isso não faz deles resultado dum cuidado plano urdido e executado por um poder comum oculto.A existir um tal poder comum e universal, que tudo planeia e controla, capaz de tudo manipular, seríamos sempre um seu instrumento o que quer que fizessemos pelo que melhor seria nada fazer.Os sistemas sociais e humanos não são puros, perfeitos e mecânicos, isto é, por mais forte ou subtil que seja a sua governação geram contradições e rejeição que se traduzem em acções e movimentos divergentes ou de contestação.As revoluções não acontecem por desejo, nem é possível assegurar que este ou aquele movimento conduzem ao paraíso na terra – a história não tem fim – mas a imprevisibilidade do futuro não deve impedir que no presente se faça o que é justo.

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