“A Vida dos Sons”: deseja-se menos cinzenta e mais multicolor (IV) – 9 – por Álvaro ´José Ferreira

13. Edição do álbum “Gente de Aqui e de Agora”, de Adriano Correia de Oliveira; é outro disco fundamental para a emancipação da música popular portuguesa relativamente à balada com simples acompanhamento à viola, pela maior sofisticação dos arranjos com o recurso a múltiplos instrumentos e, por vezes, a orquestra; os arranjos foram repartidos por Rui Ressureição, Thilo Krasmann, José Calvário e José Niza, que assina a totalidade das composições para os dez poemas do alinhamento: dois do galego Manuel Curros Enríquez (“Emigração” e “Para Rosalía”), dois de Manuel Alegre (“E Alegre se Fez Triste” e “Canção Tão Simples”, um do Conde de Monsaraz (“O Senhor Morgado”), um de Fernando Miguel Bernardes (“Cana Verde”), um de Raul de Carvalho (“A Vila de Alvito”), um de Luís de Andrade Pignatelli (“Cantiga de Amigo”), um de António Ferreira Guedes (“Roseira Brava” ) e um de António Aleixo (“História do Quadrilheiro Manuel Domingos Louzeiro”;

 

 

 

 

14. Edição do álbum “Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades”, de José Mário Branco; é o primeiro disco de grande fôlego de José Mário Branco (antes editara apenas dois EP) e um trabalho de capital importância para a afirmação da música popular portuguesa, sedimentando o caminho aberto por José Afonso e Adriano Correia de Oliveira; gravado no Strawberry Studio, em Herouville (arredores de Paris), e contando com a colaboração de músicos sobretudo estrangeiros, José Mário Branco é o autor dos arranjos, bem como de todas as músicas, com excepção da que dá título ao disco (que é de Jean Sommer); quanto à poesia, temos a de Sérgio Godinho (“Cantiga para Pedir Dois Tostões”, “Cantiga do Fogo e da Guerra”, “O Charlatão” [ao vivo com Sérgio Godinho e “Casa Comigo, Marta), a de Natália Correia (“Queixa das Almas Jovens Censuradas”), a de Alexandre O’Neill (“Perfilados de Medo”), a de Luís de Camões (“Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades” [>> YouTube]) e a do próprio José Mário Branco (“Nevoeiro” e “Mariazinha”;

 

 

 (Continua amanhã)

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