SETE NUVENS NEGRAS SOBRE O MUNDO, SOBRE A EUROPA NESTE FIM DE VERÃO, NESTE PRINCÍPIO DE OUTONO DE 2012.

Selecção, tradução e introdução por Júlio Marques Mota

(continuação)

Sétima nuvem

7.  Uma nova ameaça na já grande desordem desta pobre Europa e do Mundo – parte I

Face aos dados publicados acima e às tensões que se levantam nos mercados uma pergunta de  imediato nos levanta. Estará o yuan subavaliado a exigir correção e, se assim é, está então correta a forte pressão americana para uma apreciação/valorização do yuan  ou não está subavaliado e então está correta a posição do governo chinês, do governo da Madame Merkel e dos neoliberais da OMC?

Um olhar sobre esta questões e sobre mais uma nuvem negra que se pode estar a levantar sobre a Europa é o que iremos agora fazer. Esta nuvem negra  terá tomado uma muito maior dimensão ainda depois da publicação de um relatório especial do FMI sobre o yuan onde, contrariamente ao tem vindo a defender, o FMI faz uma mudança totalmente no sentido inverso considerando agora que o yuan se aproxima do seu justo valor e que as forças do mercado o levarão ao seu justo valor.  Na crítica  a esta posição tomamos  como referência um dos mais recentes  trabalhos de Albert Edwards, da Société Générale, que passaremos citar longamente.

Mas que nos diz então o FMI na sua viragem histórica sobre o yuan?

No seu recente relatório e chamamos a atenção para a linguagem profunda estilizada dos seus autores onde não há uma palavra a mais ou menos, onde todos elas parecem ter sido pesadas numa balança de ourives, estes  dizem-nos:

“O desequilíbrio externo da China tem sido reduzido de modo bastante significativo. O excedente de conta corrente desceu acentuadamente de um pico de 10,1% do PIB em 2007 para 2,8% do PIB no ano passado, devido principalmente a uma redução do excedente comercial. Esta descida reflete uma variedade de fatores, que incluem um agravamento dos termos de troca como a China já não é um tomador de preço de mercado (China is no longer a price taker) em muitos mercados, uma fraca procura externa cíclica que leva à redução das exportações da China, um forte investimento interno que faz aumentar as importações especialmente de matérias-primas e a apreciação da sua taxa de câmbio real. Alguns desses factores são susceptíveis de continuar a exercer pressão à redução do desequilíbrio externo da China tendo  a previsão de médio prazo sido  significativamente reduzida para um excedente de alguns 4 a 4 ½ do PIB (bem abaixo dos 7 a 8 por cento anteriormente esperados)

Em conjunto, com a acentuada descida do excedente  na conta corrente e desenvolvimentos afins mostram que a subavaliação do renmimbi tem sido  reduzida. Globalmente,  o renminbi é considerado estar apenas moderadamente subavaliado contra um  largo conjunto de moedas, ou seja, contra um cabaz de moedas[ e em proporções que reflitam, a importãncia dos países no comércio externo da China. Neste caso, trata-se da  sua taxa de câmbio efectiva contra esse   cabaz e não da taxa nominal contra uma divisa qualquer tomada singularmente, e, assim, esta taxa significa a proporção do cabaz que pode ser trocada, que vale,  uma unidade  yuan. A descida desta  taxa significa a depreciação do yuan face ao cabaz de moedas, significa que o yuan passa a valer menos e inversamente com a subida. Com a subida significa que o yuan passa a valer proporções maiores do cabaz, significa que em termos do conjunto de moedas considerado e nas proporções consideradas o yuan passa a valer mais, passa a  a significar que  a taxa de câmbio efectiva se está a apreciar].

Taxa de câmbio real: adicionalmente ao  modelo multilateral de análise considerado  a taxa de câmbio efectiva real tem-se  apreciado em  cerca de 39 por cento desde a reforma de 2005 da  taxa de câmbio e de 8 por cento no ano passado (final de Abril)  Nos mercados de futuros e  no mercado onshore (interno)  têm-se  constatado  uma modesta  depreciação e as pressões no mercado à vista levam a que a taxa local esteja dos dois lados da banda face à taxa determinada, o fixing,  a partir do Banco Central da China.

Contudo, as reservas estão bem acima de todos os padrões de medida e a taxa de câmbio efectiva real deve  continuar a  apreciar-se reduzindo-se  as intervenções sobre o seu valor e deixando-a variar  dentro  da banda estabelecida pelo Banco Central da China. O recente alargamento da banda para 1 % no mercado cambial à vista é um importante passo nas reformas levando a que o mercado desempenhe um mais forte papel na determinação da taxa de câmbio. “

Os gráficos estabelecidos pelo FMI são os seguintes:

  1. Taxa de câmbio efetiva nominal

       2. Taxa de câmbio efetiva real:

3. Os mercados têm na verdade antecipado a evolução da taxa de câmbio. Veja-se o alinhamento  do mercado de futuros (not deliverable  funds)  ou ainda com ele pretende-se mostrar   que o mercado de futuros tem antecipado a taxa de câmbio à  vista no quadro de uma maior flexibilidade permitida pelo alargamento da banda.

 

4. O alargamento da banda face ao fixing determinado pelo Banco Central da China cria mais espaço para as forças de Mercado atuarem e influenciarem a determinação da taxa de câmbio no mercado á vista em ambas as direções.

              

Questiona o Finantial Times:

“Assim será isto o fim do debate? Muito longe disso. O FMI congratulou-se com o recente alargamento da banda cambial da China, considerando que isto permitiu ao mercado desempenhar um papel mais forte na determinação da taxa de câmbio. O FMI considera ainda que o yuan deve continuar a apreciar-se reduzindo as intervenções sobre o médio prazo – enquanto sublinha que do ponto de vista das autoridades chinesas, a taxa de câmbio está “já basicamente em equilíbrio”.”

Como assinala Simon Rabinovitch no Financial Times:

Em Pequim o Fundo Monetário Internacional suavizou a sua posição sobre o renminbi, considerando agora que o yuan está apenas “moderadamente subvalorizado” contra um cabaz de moedas, uma mudança importante na formulação da posição anteriormente assumida que tornará bem mais fácil para Pequim rejeitar as críticas externas contra o seu regime de taxa de câmbio estabelecido para a sua moeda.

O FMI tinha anteriormente considerado quanto á taxa de câmbio da moeda chinesa que o yuan estava “substancialmente subavaliado”, mas no relatório divulgado na quarta-feira considerou que a redução do excedente comercial do país e a apreciação do renminbi, nos últimos anos significavam que o yuan está agora muito mais próximo do seu justo valor.”

(continua)

3 Comments

  1. o mundo está pronto do ter e vier não pessoal?? O mundo é muito mais forte do que o pecado do homem(o ser humano). vcs vao ficar acreditando nisso,quem falou isso e uma pessoa sem ter o que fazer,um vagabundo fica falando abrobinha so pra deixar agente com medo!!!!!! o mundo nao vai acabar, mas a vida dele sm se ele ficar falando mentira!!

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