JORGE DE SENA – CONCLUSÃO

Breve biografia – IV parte – Estados Unidos e últimos anosImagem4

No Brasil em Março de 1964 instaurou-se uma ditadura militar – os fatídicos «anos de chumbo». Jorge de Sena saíra de Portugal para se furtar às prepotências do salazarismo. No Brasil agora a situação era ainda mais dura e desagradável. Por isso, aceitou  um convite para ensinar Literatura de Língua Portuguesa na Universidade norte -americana de Wisconsin e, em Outubro de 1965 partiu para os Estados Unidos, vindo a ser nomeado catedrático do Departamento de Espanhol e Português daquela universidade. Depois, a partir de 1970,  foi catedrático efectivo de Literatura Comparada em Santa Barbara na Universidade da California.  Sena, apesar de estar bem colocado, lamentava a “medonha solidão intelectual da América” , sem convívio intelectual, um meio académico estéril, convencional, vazio. Ficou entusiasmado com a Revolução de Abril e quis vir para Portugal. Porém nenhuma universidade portuguesa o convidou e teve de voltar para os Estados Unidos. Desiludido com esse desinteresse, viveu os últimos anos da sua vida na California, vindo a morrer em 4 de Junho de 1978, ceifado por um cancro. Tinha 58 anos.Pela profundidade e rigor do seu pensamento, foi um dos grandes intelectuaais portugueses do séulo XX.Foi-lhe outorgado o Prémio Internacional de Poesia Etna-Taormina, pelo conjunto da sua obra poética, e foi condecorado com a Ordem do Infante D. Henrique, por serviços prestados à comunidade portuguesa. Recebeu, postumamente, a Grã-Cruz da Ordem de Sant’iago. Em 1980, foi inaugurado o Jorge de Sena Center for Portuguese Studies, na Universidade da Califórnia, em Santa Barbara. Ou seja, grande parte da consagração, deu-se postumamente.

Na sua obra destacam-se, na poesia –Perseguição (1942), Coroa da Terra (1946), Pedra Filosofal (1950), As Evidências (1955), Fidelidade (1958), Metamorfoses (1963), Arte de Música (1968)a, Peregrinatio ad Loca Infecta (1969), Exorcismos (1972), Conheço o Sal e Outros Poemas (1974), Sobre Esta Praia (1977), Quarenta Anos de Servidão (1979, póstumo), Dedicácias (1980, póstumo), Sequências (1980, póstumo), Visão Perpétua (1982, póstumo), Post-Scriptum I (1985, póstumo), Post-Scriptum II (1985, póstumo), Poesia I (1977), Poesia II (1978), Poesia III (1978). Na Ficção, Andanças do Demónio  (1960, contos), Novas Andanças do Demónio (1966, contos), Os GrãoCapitães, (1976, contos), O Físico Prodigioso (1977, novela) Sinais de Fogo (1979, romance póstumo) Génesis (1983, póstumo). Teatro – O Indesejado (1951), Ulisseia Adúltera (1952), O Banquete de Dionísos (1969), Epimeteu ou o Homem Que Pensava Depois (1971), Ensaio – Da Poesia Portuguesa (1959), O Poeta é um Fingidor (1961), O Reino da Estupidez (1961), Uma Canção de Camões (1966), Os Sonetos de Camões e o Soneto Quinhentista Peninsular (1969), A Estrutura de Os Lusíadas e Outros Estudos Camonianos e de Poesia Peninsular do Século XVI (1970), Maquiavel e Outros Estudos (1973), Dialécticas Aplicadas da Literatura (1978), Fernando Pessoa & Cia. Heterónima (1982, póstumo). Está também editada a sua correspondência com  Guilherme de Castilho, INCM, 1981, com sua mulher Mécia de Sena,  INCM, 1982, com José Régio,  INCM, 1986, com Vergílio Ferreira,  INCM, 1987, com Taborda de Vasconcelos, ed. Autor, 1987, com Eduardo Lourenço, INCM, 1991, com Dante Moreira Leite, UNICAMP, 1996, com Sophia de Melo Breyner,  Guerra & Paz, 2006, com José Augusto França, INCM, 2007, com Raul Leal,  Guerra & Paz, 2010, com Delfim Santos,  Guerra & Paz, 2011 e com António Ramos Rosa,  Guimarães, 2012

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