REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930

Nota de leitura  ao texto Efeitos passados e futuros dos estímulos económicos de  Fabius Maximus

Por Júlio Marques Mota

Parte II

 (conclusão)

* Os viciados nas drogas costumam dizer “eu não preciso de drogas; Eu posso parar em qualquer momento”. Mas só depois de um período extremamente desagradável e até mesmo violento de privação absoluta de droga. Quanto mais tempo tiver sido o uso de drogas, mais difícil será a saída da dependência. Os viciados, só muito raramente têm a vontade de resistir à privação sem ajuda médica. O mesmo pode ser dito sobre os nossos programas de estímulos.

Crítica: Estas políticas na melhor das hipóteses só servem para adormecer, impedindo que assim não se procurem colectivamente as verdadeiras soluções. É também uma crítica à introdução da recessão na Depressão – o que fez Roosevelt em 1936-1937 pela pressão do seu secretário de Estado Morgenthau, com as políticas de austeridade-, a privação da droga na metáfora agora apresentada. Os seus efeitos podem ser ainda mais nefastos se não é escolhido o bom momento para os cortes orçamentais e se não há outra panóplia de instrumentos que diminuam os efeitos dos cortes a introduzir. Crítica fortíssima contra o que se faz agora, pois não só o momento não é o adequado para as políticas de austeridade e em conjunto,  como a panóplia de instrumentos adicionais que têm sido utilizados não só não resolvem nada como ainda deterioram a situação.

Voltando á imagem da droga. Imagine-se alguém que quer deixar de fumar após muitos anos de consumo, de cigarros queimados e de pulmões já estragados. Se o faz violentamente tende a reduzir a ansiedade, a privação, com umas gotas de álcool. Depois das gotas vêm os copos, segue-se a bebedeira, conclusão, vicia-se no álcool e retoma-se analogamente o tabaco. Porque o momento foi mal escolhido, porque as terapias adicionais não foram utilizadas ou porque foram mal escolhidas, o resultado final é: um desastre total.

* Eles falam positivamente para gerir as expectativas. A gestão de informações, a gestão das expectativas — confusões e mentiras tornaram-se uma característica cada vez mais importante em muitos departamentos do governo, sejam militares sejam civis. É a maneira que um povo fraco e tolo tem para ser governado.

Nota de Leitura: Crítica implacável às políticas seguidas, crítica implacável ao papel não esclarecedor dos media, crítica implacável portanto às políticas seguidas assentes no mesmo modelo, o das expectativas racionais, crítica ao reino da mentira triunfante de que temos falado neste blog, critica implacável ao ensino universitário, onde se continua a ensinar a mesma coisa ou menos, mas só da mesma, a ensinar ainda de forma mais simplificada, para melhor se esconder a inutilidade do que se ensina.

Refira-se que os ataques à bomba feitos aos jornalistas do sistema na Grécia é um sinal de cansaço e de exasperação da população face a estes comportamentos de mentiras. E isto aplica-se nos dois lados do Atlântico.

Na Europa por exemplo com o relativo silêncio ou falta de crítica às  políticas de austeridade, nos USA com a exigência de não se aumentar os  impostos para os mais ricos e com a ideia de que as intervenções do Estado são socialismo ou mesmo comunismo .  A mistificação continua, trata-se de criar as expectativas nos mercados e depois de as gerir, nada mais e nisto a economia real, essa, passa ao lado..

* Um olhar para os nossos parceiros mais bem sucedidos, tais como os nossos parceiros no norte da Europa, iria destruir os nossos preconceitos e o nosso sentido de superioridade.

Nota de leitura: Visto pela Europa, não são as políticas suicidas impostas pela Troika que nos levarão a bom porto, antes pelo contrário, ao passo que visto pelos Estados Unidos diz-nos a  posição ocupada por este país no gráfico do FMI, diz-nos que se ele  seguir pelo mesmo trilho que até aqui vem seguindo, terá o mesmo fim, embora mais lentamente, que o dos países já condenados e por quem se vê acompanhado no gráfico, os periféricos: Espanha, Itália, Portugal e Irlanda. A saída da crise seria pela via social-democrata dos países do norte da Europa, os nórdicos.

E, por fim, última citação escolhida:

* Por que continuar tão lentamente a reduzir o enorme défice? Não é apenas para ajudar os desempregados. Existem métodos mais eficazes para o fazer — melhor para eles e para a nação.

Nota de leitura: O autor é claro, as políticas praticadas foram pensadas com o intuito de favorecer os mais ricos e não para ajudar quem precisa. Para construir uma política de expansão, há métodos e ferramentas mais eficazes do que aquelas que têm vindo a ser utilizadas, destaque-se a sugestão: as políticas como ou equivalentes às  praticadas no New Deal, anteriormente referido.

E, em forma de conclusão, a  afirmação :

 * é claro, não há nenhum sinal de que essas falhas tenham suscitado qualquer aprendizagem ou a mudança para qualquer um outro quadro mental em muitos dos economistas conservadores.

Dito de uma outra forma, faltam-nos homens de Estado, não precisamos de homens habilidosos, precisamos de homens corajosos, de homens de Estado com conhecimento do presente e capazes de visão do futuro, de mudanças radicais. Em vez de homens de Estado,  corajosos e honestos, temos  homens calculistas e amigos dos seus próprios bolsos, em vez de homens de Estado com projectos a prazo sustentados,  temos homens que se querem e nos querem regular  pela volatilidade das bolsas, dos mercados, ao sabor dos ventos do dia a dia, no  fundo temos apenas políticos virados de costas para a realidade e interessados apenas nas suas próprias perspectivas e interesses pesoais.

Esta é  pois a leitura que faço deste magnífico texto.

 

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