REFLEXÕES SOBRE A MORTE DA ZONA EURO, SOBRE OS CAMINHOS SEGUIDOS NA EUROPA A CAMINHO DOS ANOS 1930

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

Uma lição sobre equilíbrio orçamental e a  República de Weimar

Fabius Maximus

Parte I

Introdução: Esta  é uma  outra opinião especulativa  de uma série delas.  O procedimento normal no site Fabius Maximus  para  esses tópicos seriam de  3 mil  palavra, apoiados por dezenas de links.  Eu não  tive tempo  para o acabar e muitas   das afirmações resultam de coisas arquivadas como rascunhos  nos meus ficheiros.  Talvez estas notas possam vir a estimular o  debate de uma forma útil e levem a que os nosso leitores possam efectuar alguma pesquisa sobre o tema a partir destes pequenos apontamentos.

Síntese

  1. Introdução
  2. Brad Delong  sobre o fim da República de Weimar
  3. Para mais informação  e para continuar

(1)  Introdução

Se a economia não recupera de  imediato , eu acredito que esta  vai cair noutra fase recessiva. No terceiro ano de recessão, as reservas estão a ser drenadas e em todos os níveis , famílias, empresas e governos — para uma outra recessão que pode bem vir a ser pior do que a primeira.   Nesse cenário, os membros do Partido Democrata  no Congresso vão ~ter de enfrentar uma dura escolha: passar a outro programa de  grandes estímulos  em Março ou Abril ou então enfrentar a  derrota eleitoral em Novembro.

Menos óbvio é o perigo do Partido Republicano.  A sua  estratégia de “quanto pior, melhor’ (ver here) parece provável ganhar, fazendo acreditar que “ a política de  relançamento não funcionou “. Mas o que é eles fazem se tiverem  sucesso eleitoral ? A República de Weimar fornece um exemplo que bem merece  a nossa  atenção. Um orçamento equilibrado pode destruir uma nação. A mudança para o lado dos Republicanos  não significa que seja necessariamente melhor. A esperança não é suficiente. Como se provou com a República de  Weimar.

(3)  Brad Delong e o fim da República de Weimar

Quando os economistas falam de economia liquidacionista, isso significa que eles  geralmente estão a falar dos dois primeiros anos da administração Hoover.

Sob a ideia de Andrew Mellon, um dos maiores especialistas da época, o governo pouco fez para conter  a deflagração sem precedentes do  que veio a ser a Grande Depressão. Sendo verdade, isto não é o exemplo mais forte.

O mito levou a que seja comumente aceite que foi a  hiper-inflação na Alemanha que destruiu a República de Weimar e que  levou Hitler ao poder. Enquanto a hiper-inflação enfraqueceu as suas bases sociais, esta tinha sido eliminada em Novembro de 1923 — o mesmo mês em que se deu o putsch nazi,  Beer Hall Putsch, e em que  Hitler e o seu grupo tentaram a tomada de poder a partir de Munique.  Em  1928 a montanha pariu um rato e nas eleições havidas  os nazis obtiveram  apenas  2,6% dos votos nas eleições de Maio, tendo ficado em nono lugar. A depressão e a adopção de políticas liquidacionistas  na República de Weimar deram depois a Hitler a sua oportunidade .

Excerto  de  “Nazis and Soviets“, Capítulo  15 de  Slouching Towards Utopia?: The Economic History of the Twentieth Century, Fevereiro de 1997:

“Tudo isso mudou com a Grande Depressão. Nas eleições de Março de 1930 os comunistas obtiveram 13,8% dos votos; os nazis  obtiveram 19,2% dos votos. Uma vez que nem o comunista Ernest Thaelmann nem o nazi  Adolf Hitler estavam interessados em qualquer outra coisa que não fosse abater a República de Weimar, um governo poderia ter tido o apoio de uma maioria parlamentar apenas com o apoio activo e a cooperação dos Social-Democratas, o Centro,  e os partidos representativos da direita parlamentar .

E aqui a Grande Depressão fez que uma tal “grande coligação” se tornasse  impossível. Os sociais-democratas exigiam  uma expansão do Estado de bem-estar social, ou seja, de Estado providência: seguro de desemprego, obras públicas e grandes défices para reduzir o impacto da Grande Depressão. Os partidos da direita parlamentar,  erradamente  exigiram a ortodoxia financeira: equilibrar o orçamento, cortar nas despesas públicas  e restaurar a confiança nos partidos não-socialistas. Nenhum  bloco pensou que  podia comprometer-.se com um qualquer outro bloco  e ainda sobreviver como um movimento político. Então a formação de um governo a partir do  Parlamento  tornou-se impossível.

As eleições que se seguiram,  na procura  de uma maioria parlamentar viável, só piorou as coisas. Os nazis ganharam então  38,4% dos votos nas eleições de Julho de 1932. Os comunistas e os nazis, juntos, tinham a maioria: nenhuma maioria parlamentar era pois possível . A Constituição alemã ofereceu então uma saída: se nenhuma maioria parlamentar poderia ser criada  o Chanceler poderia pedir ao  Presidente – ele próprio directamente eleito  por  sete anos – para governar por decreto .

Heinrich Bruening, o líder do partido do Centro Católico que se tinha tornado  Chanceler  quando os Social-Democratas e os partidos da direita parlamentar  caíram em Março de 1930  sob a pressão da Grande Depressão, tinha sido  escolhido  como  Chanceler pelo já velho  Presidente da República de Weimar, o herói de guerra.  Bruening procurou utilizar  essa válvula de escape para fazer passar uma política de austeridade  orçamental  e de importantes cortes  ao nível do Estado Providência em vigor. Porque, como ele prometeu a Hindenburg,  Bruening tentava  “a qualquer preço tornar  o governo financeiramente  seguro”:  equilibrando o orçamento  – e tranquilizando os  investidores assegurando-lhes   que a Alemanha   estava empenhada em aplicar a ortodoxia financeira-  e isto era a primeira e quase que a única prioridade  de Bruening.

(continua)

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