JOSÉ ESTALINE (Иосиф Виссарионович Сталин) – 5 – por Carlos Loures

(Continuação)

1917

O tempoImagem1 de exílio chegou finalmente ao fim. Estaline regressou à capital, uma Sampetesburgo onde reinava a confusão e o caos. Na Sibéria estivera longe da realidade da guerra. Mergulhava agora abruptamente nessa realidade. Os desastres na frente de combate aceleravam a degradação do regime imperial. Após a calma forçada do exílio, Estaline voltava à sua actividade febril. Comparece perante a junta médica de recrutamento do Exército que o declarou inapto para o serviço militar devido à deformidade no braço. Assumiu a direcção da Pravda.

Em 15 de Março, o czar Nicolau II abdicou e a crise política agudizou-se. Foi neste conturbado período que reencontrou a jovem Nadja, filha do seu amigo Sergei Alliluya. Nadja nascera em Baku e fora criada no Cáucaso, educada desde o berço no espírito revolucionário. Estaline conhecia-a desde criança, mas viera, após o tempo de exílio, encontrar uma formosa adolescente. Para Nadja, casar com um homem que se habituara a admirar desde a infância foi a concretização de um sonho e pareceu-lhe a forma mais elevada de servir a Revolução. Tinham vinte e dois anos de diferença, mas entre ambos gerou-se uma profunda afeição. Porém, os anos difíceis que se seguiram, como ácido maligno, corroeram esse sentimento levando Nadja ao suicídio.

 Como se disse, estávamos em 1917. Estaline foi reeleito como membro do Comité Central do Partido Bolchevique. No I Congresso dos Sovietes, foi nomeado membro do Comité Executivo Central. Em Outubro, numa reunião decisiva do Comité Central, Estaline esteve entre os que votaram a favor de uma proposta de Lenine – convocar o levantamento armado.

No dia 25 de Outubro de 1917 (pelo calendário juliano; pelo calendário gregoriano seguido na maioria dos países, era o dia 7 de Novembro) eclodiu a Grande Revolução.

A Revolução

Em 25 de Outubro (8 de Novembro) foi criado o primeiro governo soviético. Estaline foi eleito Comissário do Povo para as Nacionalidades. Em 29 de Novembro, Lenine e Estaline assinaram a Declaração dos Direitos dos Povos da Rússia. Já em 1918, no III Congresso dos Sovietes, Estaline apresentou uma proposta para a organização sob a forma federal das repúblicas russas. Em Maio casou com Nadja Alliluyeva. Participou activamente na redacção da Constituição soviética – o tal texto que Louis Aragon, com excesso de fervor revolucionário, considerou obra literariamente superior à de Shakespeare, Rimbaud… Documento que seria aprovado em Julho.

No Verão, eclodiu a guerra civil. Estaline assumiu a responsabilidade de garantir o aprovisionamento de víveres no Sul da Rússia. A experiência da guerra teria um profundo impacto em Estaline, pois ampliou-lhe o conhecimento sobre si mesmo, sobre as suas qualidades e também sobre as suas limitações. Pela primeira vez, enfrentava uma situação em que tinha de tomar decisões no terreno e já não defendê-las nas intermináveis reuniões políticas. As suas responsabilidades são muito elevadas. Descobriu que as enfrentava com frieza e objectividade e que quanto maiores eram mais o estimulavam.

O conflito ia envolvendo crescentes graus de brutalidade e de violência – séculos de civilização esfumavam-se. Prevalecia a condição animal – matava-se pela posse de um pão. Este regresso á barbárie, enraízou em Estaline uma inumanidade que iria caracterizar o seu exercício do poder. Perante a grandeza dos objectivos que se queria atingir, as vidas humanas assumiam aos seus olhos um reduzido valor.

Entretanto, uma outra guerra começava para Estaline – a luta com Trotsky.

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