EDITORIAL – MANDELA VIVE!

Imagem2Tenho dedicado toda a minha vida a lutar pelo povo africano. Lutei contra a dominação branca e lutei contra a dominação negra. Celebrei o ideal da democracia e de uma sociedade livre onde todas as pessoas vivam em harmonia e com oportunidades iguais. É um ideal pelo qual  espero viver para o conseguir. Mas, se for necessário, é também um ideal pelo qual estou preparado para morrer (Mandela, em 1964).

Horas depois de Nelson Mandela nos ter deixado, não é correcto dizer a consabida frase «morreu o homem, vive o mito». O mito colou-se ao homem desde há muitos anos – e falamos de um mito positivo, de uma bandeira de luta, de um luminoso farol de esperança para os deserdados. Porque, sendo um ser humano com tudo o que isso significa  de força e de fragilidade, geriu a sua humanidade em consonância com o seu ideal, definido há mais de 50 anos, pois foi em 1961 que disse: Nós acreditamos que a África do Sul pertence a todos as pessoas que vivem aqui, não apenas a um grupo, seja branco ou preto. Nós não queremos uma guerra inter-racial, e vamos tentar evitar isso até o último minuto. E podemos dizer que o conseguiu, pois mesmo nos momentos mais conturbados de tensão entre as diversas comunidades étnicas, a figura exemplar de Nelson Mandela ergueu-se e impôs respeito.

As novas gerações não podem avaliar (e ainda bem) até que ponto, há apenas meio século, a segregação racial, a discriminação de género, a marginalização da diferença, imperavam no mundo. Veio, colada à luta pela plena igualdade de direitos, um racismo pela positiva, que defendia a superioridade intelectual dos negros, tal como surgiu um radicalismo feminista que impõe a superioridade da inteligência da mulher ou pretende que a homossexualidade constitui uma forma superior de comportamento. São os exageros que prejudicam o que dizem defender e são um insulto a seres como Nelson Mandela. Nelson Mandela seria sempre um ser humano de eleição, fosse qual fosse a cor da sua pele. Imagem1

Quando, em 1994, tomou posse como presidente, disse: O nosso grande medo não é o de que sejamos incapazes. O nosso maior medo é que sejamos poderosos para além da medida.  É a nossa luz, e não a nossa escuridão, aquilo que mais nos amedronta. Interrogamo-nos:  “Quem sou eu para ser brilhante, atraente, talentoso e incrível?” Na verdade, quem sois vós para não ser tudo isso também?. Apequenarmo-nos não ajuda o mundo. Não há nada de brilhante em nos encolhermos para que as outras pessoas não se sintam inseguras junto de nós. E à medida que deixamos a nossa própria luz brilhar, inconscientemente, damos às outras pessoas o incentivo para fazer o mesmo.

Palavras de um grande homem.

 

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