O PIOR DA CRISE JÁ PASSOU, VEM AÍ O CRESCIMENTO. É O QUE NOS DIZEM! por JÚLIO MARQUES MOTA

Parte I

Na sequência dos textos sobre a promoção de Vítor Gaspar, Santos Pereira (meu antigo aluno) e de José Luís Arnaut, olhemos, face à realidade europeia, o que os textos abaixo descrevem, considerando-os como os primeiros testes sobre o mundo de magia que aí virá, um mundo de ilusões de que a crise já passou ali ao virar da esquina e que a retoma já começou, um mundo fabricado em Bruxelas, pelo menos até às eleições de Maio próximo.

Neste âmbito, seguem-se pois algumas imagens com as quais se quer questionar as mais hábeis miragens e fantasias que nos fazer acreditar, imagens estas a partir das quais devemos reflectir e perguntar: que discurso é este, de que a retoma está aí a chegar, e de que já deixámos a crise ali à esquina. Ilusão atrás de ilusão esta é a verdade, ou melhor, que mentira é esta? que nos querem sistematicamente vender. E lembro ainda há dias um analista financeira, da Reuters, creio, que justificava as baixas taxas de juro em Portugal, assente no argumento de que os mercados passaram a entender que tínhamos ido e bem para lá das expectativas. De um dia para o outro! E no dia seguinte os CDS dispararam, pura e simplesmente a provar exactamente o contrário, daí, que uma pergunta a fazer é então: que mãozinha de Deus andou naquele dia a ajudar Portugal e a proteger a dívida portuguesa? Terão dúvidas? Deus é invisível, dizem-nos, mas o PDG de Goldman Sachs assumiu-se ele próprio face às autoridades americanas que andava  a fazer o trabalho de Deus. E,  no BCE está um homem do Goldman Sachs. Trata-se pois de  homens habituados, com o seu trabalho (o de Deus por interpostas pessoas?), com as  suas manipulações a tornar visível o que o não é. Exemplo disso  dá-nos a Bloomberg quanto aos mercados de dívida soberana e vale a pena olhar  com atenção para o gráfico abaixo, publicado há dois três dias. O que vemos é obra de pura magia mas é a realidade dos mercados:

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            1. Diferentes tipos de imagens sobre a Europa:

Figura Ia e Ib) Taxa de Desemprego

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Figura II) – Dívida pública dos Estados- Membros no final do 3ºT2013

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As maiores proporções da dívida pública em relação ao PIB, no final do terceiro trimestre de 2013 foram registados na Grécia (171,8%), Itália (132,9%), Portugal (128,7%) e Irlanda (124,8%), tendo as menores sido registadas na Estónia (10,0%), Bulgária (17,3%) e Luxemburgo (27,7%).

Figura III) – Relação entre a Dívida pública dos Estados- Membros no final do terceiro trimestre de 2013(3ºT2013) e o seu periodo homólogo (3ºT2012)

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Ao visualizar a Figura III), detrai-se que entre o final do 3.º T2013 e o seu respectivo período homólogo, 23 Estados-Membros registaram um aumento no rácio dívida/PIB (em p.p.), tendo-se apenas verificado uma diminuição em cinco destes [Letónia (-2.0 p.p.), Bulgária (-1.4 p.p.), Dinamarca (-0.9 p.p.), Lituânia (-0.8 p.p.) e na Alemanha (-2.8 p.p.)]. Os maiores aumentos registaram-se no Chipre (25.3 p.p.), na Grécia (19.9 p.p.), Espanha (14.3 p.p.) e na Eslovénia (14,1 pp), enquanto as reduções mais expressivas observaram-se na Letónia (-2.0 p.p.) e na Alemanha (-2,8 pp).

(continua)

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