O PIOR DA CRISE JÁ PASSOU, VEM AÍ O CRESCIMENTO. É O QUE NOS DIZEM! por JÚLIO MARQUES MOTA

PARTE VIII
(CONTINUAÇÃO)

6. As montagens do sucesso-insucesso de François Hollande na França

O jornal Le Monde protege-nos da heresia

François Hollande, o homem que semeou alguns ventos de esperança contra a ditadura dos mercados e contra o fanatismo de Berlim, assumiu claramente que mudou de campo, nada o devendo distinguir dos neoliberais. Krugman, um economista entre muitos outros, escandalizou-se com a viragem assumida de François Hollande enquanto o Le Monde de uma forma indirecta vem assim defender o seu candidato, François Hollande, com o gráfico abaixo, com a lição que está por baixo como legenda.

Porém, não se distingue o cinismo entre o jornal Le Monde e o analista financeiro de Tortus Capital no seu artigo de ataque à divida portuguesa, excepto que neste se atacava Portugal enquanto no Le Monde se defende ou justifica a viragem de Hollande, e tudo para não atacar Bruxelas!

Figura XV) – Evolução da balança comercial externa (em milhares de milhões de euros)

piordacrise - XXIII

Com a ajuda dos serviços aduaneiros o jornal Le Monde explica-nos que o défice comercial da França depende da competitividade–preço e extra-preço , em proporções indeterminadas. Daí uma conclusão fortemente informativa: « Os autores preconizam pois uma acção de política económica que actuaria sobre os dois tabuleiros, , o tabuleiro dos preços e o tabuleiro extra-preços. E o jornal apresenta um gráfico curioso a acompanhar esta conclusão.

Curiosamente a partir de 1999 a paridade do franco ficou fixa. A partir daí só há os efeitos “benéficos” da entrada no euro e que não deixam de aumentar.

Disponível em:

http://www.lalettrevolee.net/article-le-monde-nous-protege-de-l-heresie-122162561.html

Na esfera do emprego verifica-se uma grande polémica em França, onde o Presidente Hollande, o seu ministro do Trabalho e os órgãos de informação ligados ao poder anunciavam a boa nova, a curva do emprego está a inverter-se. O ministro do trabalho afirmou: “A primeira prioridade da política de emprego do governo, a inversão da curva da taxa de desemprego dos jovens já está desencadeada”.

François Hollande por seu lado dizia :

” Então porque é que eu confirmo a inversão da curva de desemprego? Porque nós implementámos uma política de emprego para os jovens com contratos de geração com, acima de tudo, empregos para o futuro e não somente para os jovens, os empregos ajudados”.

Uma inversão entre os jovens?

Como argumento justificativo do seu optimismo, o ministro do trabalho, Michel Sapin, aponta em particular o desemprego dos jovens, para quem “o comportamento inverso da curva (…) se torna hoje uma realidade”. Na verdade, entre o primeiro trimestre de 2013 (1ºT2013) e o 2ºT2013, a taxa de desemprego referente à faixa etária [15-24] passou de 24,9% para 24,6%. Em particular, o ministro saúda a assinatura de 50.000 empregos para o futuro.

Uma utilização tradicional das medidas anti – cíclicas

Então, informação ou intoxicação? Um plano ‘oculto’, um artifício? Sim (…) e não. De facto, como o fazem absolutamente todos os governos, tanto de direita como de esquerda, desde Raymond Barre em 1976, ó actual governo, joga-se com as medidas tradicionais contra-cíclicas para tentar travar a progressão da curva de desemprego, uma vez que é possível contar com uma taxa suficiente de crescimento. E, claro, como todos os outros governos antes dele, o actual governo utiliza os instrumentos de política de emprego de que podem dispor. E é na verdade principalmente no terceiro trimestre que incidirão estes meios que devem, sem dúvida, permitir estabilizar a curva do desemprego, pelo menos temporariamente.

Explicação:

O ministro do trabalho, Michel Sapin, dispõe de várias alavancas. Note-se, existem os contratos assistidos tradicionais que prevalecem desde há 30 anos sob vários nomes: contrato de ajuda no emprego, no contrato de inserção no trabalho, contrato de jovens, etc. Para 2013, têm sido orçamentados 450.000 contratos desse tipo. Isto é, não é um recorde, em 1997 sim, quando o pico anterior de desemprego, atingiu-se mais de 500.000 contratos deste tipo. E, claro, particularmente em Setembro, depois das férias de verão, quando os jovens migram para o organismo de Emprego e Formação Profissional, Pôle Emploi, em que esses contratos são esmagadoramente propostos aos jovens.

(continua)

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Para ler a Parte VII deste trabalho de Júlio Marques Mota, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

O PIOR DA CRISE JÁ PASSOU, VEM AÍ O CRESCIMENTO. É O QUE NOS DIZEM! por JÚLIO MARQUES MOTA

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