RETRATOS DA EUROPA, RETRATOS DO MERCADO DO TRABALHO EN FRANÇA – ACORDO EUROPEU SOBRE OS TRABALHADORES DESTACADOS – por JÚLIO MARQUES MOTA

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9. E já fora das Directivas, um olhar sobre o mercado de trabalho em França

Retratos da Europa-retrato de França

Aos 30 anos ainda não sabe o que é um Contrato de Duração Indeterminada

Texto enviado por Phillipe Murer, Membro do bureau du Forum Démocratique, Président de l’association Manifeste pour un Débat sur le libre échange

Foram necessários alguns minutos para Nadège, 28 anos, para os contar. Desde o seu Brevet Technique Supérieur em turismo, obtido em 2006, ela assinou já 11 contratos de duração determinada, CDD, – o mais longo foi um contrato assistido de dois anos – e 10 missões de contratos provisórios. “Nunca me foi oferecido um contrato de duração indeterminada, diz-nos esta jovem mulher de les Sables d’Olonne que luta com os organismos de turismo de Vendéia para conseguir um emprego estável. “Existem 39, conheço-os todos. Eles têm necessidades de Abril a Setembro, estou no desemprego no inverno, ” diz-nos ela.

Como ela, Alexandra e Arnaud [seus nomes foram alterados] testemunharam da sua próprias procura, até agora sem sucesso, de um CDI. Quase com 30 anos ou um pouco mais, eles pensavam ter já alcançado a idade de um primeiro CDI que as estatísticas fixam em média aos 27 anos. Mas apesar de vários anos de calvário em CDD ou em trabalho temporário ainda não foi agora o caso.

« Há claramente um problema de ética »

Alexandra, de 29 anos, já assinou cinco CDDs no seu currículo. Diplomada de um Instituto de Estudos Políticos em 2006, então preparou o seu concurso de secretário territorial que ela realizou em 2009. “Mas há aqui uma grande farsa: passa-se no concurso mas cabe a cada um de nós procurar depois o emprego “, explica ela. Entretanto, ela obtém um CDD num dos organismos da cidade de Paris. Este será o primeiro de uma longa lista, e isto faz-nos precisar que o sector público é raramente exemplar na insegurança, na precariedade. “Eu conheço todos os organismos financiadores sociais na cidade. Estão ao longo do meu curriculum e comigo a fazer substituições, diz-nos ela a rir. Mas, entretanto, ela perda a vantagem do seu concurso e, portanto, a chance de se tornar funcionária.

Aos 32 anos, chefe de projectos em desenvolvimento sustentável, Arnaud fez quatro CDD, dois estágios, e um voluntariado internacional desde que recebeu o seu diploma de mestrado, em 2006. Grandes bancos, transportes, companhias de seguros, ocupou lugares do quadro , ocupações de posições seniores. “Soube sempre que era para as substituições, mas nem sempre era verdade. Pela terceira vez, eu sabia que a pessoa não voltaria, isso até me irritou bastante. Eu aí preferi ir-me mesmo embora. Há claramente um problema de ética e discursos que se situam a dez mil léguas dos actos reais, especialmente na minha área, o desenvolvimento sustentável”, argumenta. O seu último trabalho em CDI? Um emprego de estudante, mas há mais de 10 anos. “

Esta insegurança pesa muito na vida quotidiana destes três jovens assalariados, forçados a andar de cá para lá, para o Instituto de Emprego. Nadège teve que voltar a viver por várias vezes na casa dos seus pais, o tempo para encontrar outra coisa. ‘ Eu também fiz o trabalho de recepcionista e o trabalho doméstico em parques de campismo, conta-nos ela. Após ser forçada a alugar quartos mobilados várias vezes, ela acabou por conseguir, finalmente, uma habitação social em les Sables d’Olonne. Mas ela está disposta a deixá-lo por um posto de trabalho em qualquer sítio no oeste de França.

“Isso evita que se criem ligações”.

Alexandra, ela é incapaz de sair dos 15 m2 parisienses que habita. “Há quatro anos que estou à procura de um emprego estável, eu não ando a desejar muito.” Ela sonha em se mudar para Marselha. “O organismo HLM chamou-me para fazer substituições, mas como posso ir para lá sem alojamento no local? diz-nos inquieta. Quanto à Arnaud, ele optou “por uma técnica muito parisiense”: “o falso contrato em CDI ‘, que permite apresentar um dossier completo aos proprietários.

Esta incerteza também complica a sua vida social. ‘ Esta tem sido problemática em muitos dos meus relacionamentos, testemunha Arnaud, a pessoa em frente tem, por vezes, dificuldade em entender como é que se pode estar desempregado por vários meses. E tanto mais que eu dou uma certa imagem de angustiado. Eu nem sequer posso estabelecer as minhas férias de verão, como o faz toda a gente. Porque se eu trabalho, eu não posso sair de férias; e se eu não estou a trabalhar , não disponho de dinheiro para ir de férias. ” Eu não sei sequer onde é que estarei daqui a dois meses, isto impede-me inclusive de criar laços, diz-nos Nadège.

O futuro? Nagère considera “até 30 anos “ para conseguir o abre-te Sésamo, o direito a um CDI. E depois? ” Se não encontrar nada, terei de mudar de sector. Se necessário, vou voltar para a fábrica. Em trabalho temporário e isto foi onde estive melhor paga mas a trabalhar em cadeia a contar os pães com leite em grupos de cinco, isto dava-me cabo dos neurónios. » Alexandra, por seu lado, está a considerar a hipótese de aceitar um CDI de nível bac + 2 , enquanto ela tem dois mestrados. “Tenho a impressão de ser uma variável de ajustamento. “Quando eu me candidato sobre o CDI, propõem-me sempre um CDD de substituição”, acrescenta.

Arnaud recusa-se a queixar-se. «Tenho a possibilidade de considerar a hipótese de partir lá para fora, falo vários idiomas, sou flexível e quando eu trabalho, ganho correctamente a minha vida, diz-nos.» Mantenho o moral porque acho que há um efeito da situação económica, da conjuntura económica. E, em seguida, relativamente àqueles que perdem o emprego ao fim de trinta anos de fábrica, eu ainda me digo a mim-mesmo que a minha situação não é irresolúvel. ” Fixei-me um limite. Estar em condições de pagar o aluguer da habitação .

Jean-Baptiste Chastand, A 30 ans, ils n’ont jamais connu de CDI, Le Monde, 22 Novembro de 2013.

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