COVA DA MOURA – PROJECTO “LÁ TINHA” por clara castilho

9349741_b7nUlO Projecto Lá Tinha (http://projetolatinha.com/) concebido pelo publicitário Bob Ferraz e pelo fotógrafo Diego Bastos Cunha, consiste em mostrar às crianças novas formas de aprendizado e a descoberta de novos olhares, desafiando-as a registar o que ‘lá tinha’, em sua comunidade.

Lá tinha

Mas acontece que este é a replicação de um outro, já levado a cabo no Brasil, pelomesmo publicitário.

Vejamos: Cova da Moura, crianças com problemas vários, a necessitarem de estarem entretidas e olharem o futuro pensando que não terá que ser como o dos seus pais e vizinhos. Nele estão incluídas dezenas de crianças com idades entre os 8 e 14 anos. As latas de sardinha, depois destas comidas, são deitadas fora. Certo? Pois agora podem ter outra utilidade. Com elas, as crianças podem construir suas próprias máquinas fotográficas. O filme fotográfico é fornecido pelo Projecto. Tirar fotografias, partilhá-las é uma oportunidade que pode levar ao prazer, ao aprender desta forma de comunicação, ao olhar as coisas com outros olhos, a aumentar a auto-estima.

Roberto (Bob) Ferraz nasceu em Petrópolis, Rio de Janeiro, anda cá e lá, trabalhando anos como publicitário e no planeamento de estratégias de comunicação para marcas do Brasil e de Portugal, onde vive. Foi aluno do Creative University, foi um dos vencedores do”Google Creative Sandbox”, no segundo lugar, concurso promovido pela sua delegação brasileira. Alcançou-o com um projeto de mapeamento das favelas pacificadas do Rio de Janeiro – utilizando o Youtube, Google Maps e Street View e o Picasa, escolhido entre as mais de 4.500 recebidas a concurso, por alguns dos principais diretores criativos do Brasil. O Google pretendia utilizar um dos produtos da Google para criar uma ideia com benefícios para os cidadãos ou para o quotidiano.

Já ganhou prémios em Cannes e fez campanha política no Brasil. Vive em Portugal e é um dos finalistas de um outro  concurso Creative SandBox, da Google Brasil, com um projecto que quer terminar com o preconceito contra as pessoas das favelas.

Já aqui tinha falado de um outro projecto, o de Francis e Stephanie Lane, com crianças que vivem nas favelas de Fortaleza, no Brasil, durante o Campeonato Mundial de Futebol.  Perguntaram-se: como vêm elas esta situação? De que modo poderão elas transmitir essa vivência? Falando? Por outros métodos?

Foi para responderem a esta questão que puseram nas mãos de algumas crianças uma máquina fotográfica descartável. Chamaram-lhe projecto “50 Kids/50 Cameras”. E criaram uma campanha de crowdfunding. A ideia agradou a tantas pessoas que rapidamente alcançaram verbas que lhes irão permitir expandir-se à América do Sul.

Com máquinas fotográficas compradas, ou com máquinas feitas por elas próprias, as crianças têm muito a ensinar-nos. Assim as saibamos ouvir. E assim saibamos ir na direcção que elas apontam!

 

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