UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (60)

CARTA DO PORTO

Devo começar por dizer que esta é, pela primeira vez em sessenta edições, uma carta que se não limita a falar da minha cidade e do que cá se passa.

Dito isto, devo também afirmar que não conheço a senhora de quem vou falar a seguir, que não sei de onde ela é ou onde mora, e que, francamente, nunca tinha ouvido falar dela até há uns dias a esta parte.

 

JÉSSICA ATHAYDE

 

Jéssica Athayde Fotografia Internet
Jéssica Athayde
Fotografia Internet

 

A notícia veio nos jornais, foi falada em toda a blogosfera, muitos, demasiados, fizeram saber a sua opinião sobre o caso (como eu o estou a fazer agora).

A actriz Jéssica Athayde, atreveu-se a desfilar na Moda Lisboa em fato-de-banho. Mais, a actriz/modelo fê-lo sem os devidos cuidados que uma modelo “como deve ser” tem de ter.

Os comentários negativos, na grande maioria de mulheres, não demoraram a chegar, geraram polémica e trouxeram os temas inerentes à “ditadura da imagem” de volta ao debate social.

Os blogs, como por exemplo o “Meninas de Baton”, e as redes sociais de um modo geral, são, hoje-em-dia, meios de que as pessoas se servem para partilharem manifestações pessoais. Não virá daí qualquer mal ao mundo.

No entanto, no verdadeiro sentido de muitas dessas manifestações (normalmente quando dizem respeito a personalidades públicas e razoavelmente conhecidas) são criados rótulos às pessoas visadas, que, muitas vezes, resvalam para agressões morais e julgamentos condenatórios.

Terá sido este o caso!

Ser-se modelo de moda, pressupõe, no meu entender (trabalhei em volta da moda mais de trinta anos, como comerciante) servir de exemplo.

Ser modelo de moda, infere a capacidade de, visualmente, fazer sobressair o que se traz vestido, modelando-o.

Ao contrário das modelos que por aí grassam, que possuem, graças à ditadura de uma imagem anoréctica necessária aos estilistas, uma magreza que roça o doentio, Jéssica sobressai pela sua capacidade física, e o que com ela trouxer vestido, sai beneficiado.

As sua colegas concorrentes neste negócio, apagam-se perante ela pela falta de beleza física que possuem, fazendo, em comparação, sobressair o que vestem tal e qual como o fazem os cabides num qualquer escaparate.

Jéssica desfilou e… arrasou! (assim mo disseram)

De imediato (uma cambada de cabides, com corpos masculinizados e sem formas femininas, prenhas de “dor de cotovelo”, onde qualquer trapo lhes assenta a direito, juntamente com outras, gordas e mal feitas e com as dores no mesmo local situado entre o braço e o antebraço, todas elas sem sabedoria ou classe), lhe tentaram “fazer a folha” arrasando-a, denegrindo-a, insultando-a, com epítetos de gorda e mais alguma coisa, sem lhe perdoarem a desfaçatez de, sendo actriz, se ter imiscuído nos desfiles de moda (esquecendo propositadamente que ela é uma mulher muito bonita que irradia simpatia e jovialidade).

Jéssica é o que muitas delas quereriam ser em termos físicos, mas não conseguem, ora provocado pela tal ditadura da imagem, ora pela ditadura dos bolos, ora ainda porque simplesmente não têm a sorte de serem bonitas e bem feitas. Jéssica tem anca, tem cinta, tem peito e tem uma cara bonita. Tem para além de tudo isso, sensualidade, classe e requinte.

Jéssica Athayde tem corpo de mulher bem feita, e, obviamente, orgulha-se disso.

 

PRAIAS DO PORTO EM TEMPOS DE OUTONO

 

Já lá vai um mês, inteirinho, desde que o Outono chegou. Veio com a companhia da chuva, que não do frio. O Verão que este ano tivemos, foi uma tristeza, e a chegada das cores mais quentes foi recebida com algum agrado.

Mas, eis senão quando, São Martinho, o Santo das castanhas e do vinho, olhou para nós e, cheio de pena, decidiu vir até cá visitar-nos, mais cedo do que de costume.

E é ver então, nestes dias, gente a povoar de novo as praias do Porto, retirados que foram as toalhas, os bikinis e os calções de banho, das gavetas onde, pensava-se,  descansariam durante meses. Durante o dia, e na falta de batatas fritas e bolas de berlin, os veraneantes (ou deveríamos dizer outoneantes?) aproveitam para comer castanhas assadas, que estamos no tempo delas.

Fot. Internet
Fot. Internet

A água do mar, atingiu valores nunca vistos na nossa cidade. Num dos dias de Setembro, fala-se em 23º na praia Internacional, e nos últimos dias deste Outubro anda pelos 20º em toda a frente marítima, o que faz a delícia de muita e muita gente.

Este tempo anda doido. Ainda vamos poder fazer praia de queimar a pele lá mais para o Natal.

A juntar a tudo o que, ao longo destas sessenta semanas temos vindo a falar (a qualidade das nossas paisagens, da nossa gastronomia, do nosso património e acima de tudo das nossas gentes), também no que diz respeito à temperatura da água do mar, fazemos já, séria concorrência às praias do sul do País, e a muitas estrangeiras.

 

 

<p><a href=”http://vimeo.com/108561658″>Porto – melhor destino europeu.</a> from <a href=”http://vimeo.com/timeblocks”>timeblocks</a&gt; on <a href=”https://vimeo.com”>Vimeo</a&gt;.</p>

 

6 Comments

  1. Ser modelo na época actual é de uma permissividade agressiva -creio que os estilistas contribuem para a situação -Uma forma ,certamente ,de arrebatarem maiores audiências e ,assim ,serem mais fortemente avaliados .Faz parte do jogo “Marketing”.
    Tal como no Porto ,o verão de “segunda classe” instalou-se por Portugal ,aliás avidamente aproveitado -uma forma de alienação?Maria

  2. Como sempre,boas cartas sobre a nossa cidade.Esta,um pouco diferente,mas estou de acordo contigo,esta
    Jéssica é mesmo “de arrassar”…por acaso ,não passará esta beldade pelas praias da Foz neste Outono louco, com o São Martinho a “olhar” para este corpo…antes de mergulhar nas águas quentes da Luz ou
    do nosso Molhe ,tão sublime e apelativo.Viva o Verão de S.Martinho!

  3. Acho, sim, a tal Jéssica, um “portento de mulher”…mais que não fosse, pelo avultado número de advogados de defesa que logo surgiram em sua defesa…e daí a notícia ter sido notícia…senão muitos ainda não saberiam quem ela era…valeu-lhe então imiscuir-se em seara que não seria a sua…Agora caro José Magalhães…desancar em cima das “anóréticas dos cabides” ou nas “gordas feias”…já me um pouco desmedido…(mas olhe que não li nenhuma das críticas que refere…não tenho tempo nem pachorra para isso)…se calhar lá terá a sua razão…mas o mundo é assim mesmo…lindos e feios, gordos e magros, bem sucedidos e mal sucedidos e, nesta diversidade a que pertencemos acolhemos este magnífico Verão de S. Martinho antecipado indecisos entre o gelado da Olá e as castanhas a fumegar…Maria Macedo

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