KURT VON SCHLEICHER: A ÚLTIMA POSSIBILIDADE DA REPÚBLICA DE WEIMAR CONTRA HITLER – por WOYZECK – III

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Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

República de Weimar. Obrigado à Wikipedia
República de Weimar. Obrigado à Wikipedia

Kurt Von Schleicher : a última  possibilidade  da  República  de Weimar contra  Hitler (3)

Woyzeck, Kurt Von Schleicher : la dernière chance de la République de Weimar contre Hitler

L’Espoir, 15 de Junho de 2014

(continuação)

von schleicher - VI

Continuamos a nossa série sobre Kurt Von Schleicher, o último Chanceler antes da ascensão  ao poder de Adolf Hitler com este terceiro texto.

von schleicher - VIIO castelo de  Weimar

Von Papen permaneceu depois das suas conversações com  Hitler algum tempo ainda na região do Ruhr, numa visita entre  amigos e para se encontrar com alguns empresários dos  seus conhecimentos para lhes falar sobre os seus novos projectos políticos. Na véspera do dia 4 de Janeiro ainda enviou uma carta a von Schleicher informando-o da sua conversa com Hitler, cujo conteúdo não conseguimos saber.

Mas até que esta carta chegue, as  informações  dos jornais de Zehler  e os títulos alarmistas dos jornais de 5 de Janeiro tinham  já fortemente  irritado von Schleicher. Ele foi logo a seguir falar com o Presidente do Reich para protestar sobre  o comportamento de von Papen.  Schleicher propôs-lhe proibir von Papen de qualquer nova iniciativa deste tipo  e que  ele próprio estar presente no  futuro em todas as entrevistas que o presidente quisesse ter  com von Papen. Hindenburg acedeu a considerar todas estas hipóteses mas não lhe deu nenhumas garantias. Von Papen posteriormente argumentou que von Schleicher teria, além disso, convidado o  Presidente Hindenburg a quebrar todos os contactos com Von Papen.

Von Papen visitou von Schleicher após a sua chegada a Berlim na manhã de 9 de Janeiro. Aqui temos falta de informações precisas sobre o conteúdo deste troca de opiniões  de quase uma hora e meia  e em particular sobre a atmosfera que nela tinha  reinado.  Não podemos confirmar as palavras de von Papen que esta maneira de resolver os mal-entendidos teria totalmente satisfeito von Schleicher.

Em todo o caso foi publicado no dia seguinte  uma curta declaração oficial, segundo a qual esta troca de opiniões teria permitido  esclarecer a inconsistência dos conflitos que a imprensa estava a considerar como existentes entre o Chanceler do Reich e von Papen. Este desmentido  não enganava ninguém  na opinião pública. Ninguém poderia acreditar  um segundo  que seja que  von Schleicher alguma vez poderia aprovar  o comportamento de von Papen. De forma mais  credível, muitas vezes considera-se que o facto de que através deste comunicado oficial  von Schleicher passou  a ter bem em conta nas suas análises da situação como eram as boas graças de que beneficiava  von Papen junto do  Presidente Hindenburg e dos quais  dependia evidentemente e nestas  circunstâncias até a sua existência política. Foi  esta razão, que ele teve que se abster  de fechar a porta a von Papen, o que provavelmente muito o incomodava.  Mesmo que  ele nada pudesse fazer, então, a questão  permanece em aberto se ele  não deveria ter pelo menos imposto a von Papen nunca se encontrar com Hitler sem a sua prévia aprovação. Pode ser atribuído ao Chanceler naquela época  um episódio de fraqueza, uma vez que ele  deixou assim partir  von Papen  sem lhe fixar este requisito mínimo. No entanto não devemos esquecer que outras tentativas de von Papen para negociar unilateralmente com os nacional-socialistas teriam  dificultado a capacidade de von Schleicher em governar e que minariam os seus  projectos políticos de forma bastante ameaçadora.

“Não se pode compreender  a autorização  e o encorajamento que von Papen recebeu de   Hindenburg, de continuar assim a  conspirar com os nazis, evitando cuidadosamente o Chanceler, no entanto, o  responsável pelo governo, senão como   um erro grave e especialmente como uma violação da  relação de  lealdade que deve existir entre um chefe de estado e o chefe do governo.”

Von Papen apresenta  também em 9 de Janeiro ao Presidente do Reich, o conteúdo da reunião em Colónia. Durante esta conversa, Hitler teria, portanto, renunciado ao seu pedido de assumir o comando de todos os poderes  e ter-se-ia mostrado  pronto a participar num  governo de coligação  com os partidos de direita. Com estas palavras, Hindenburg indicou a von Papen que  continuasse a manter esse contacto de base “pessoal e estritamente confidencial” com Hitler.

Na sequência desta exposição, o Presidente do Reich confiou em seguida ao seu secretário de estado Meissner que  desejava em breve   formar um novo governo nomeando  von Papen novo Chanceler do Reich, uma vez que  Hitler não aceitava nas circunstâncias de então o governo de von Schleicher. Assim, sabemos  de forma segura   que von Papen omitiu  de mencionar ao Presidente do Reich a vontade reafirmada de Hitler em  participar no governo sob a condição de que ele seja nomeado Chanceler.

Não se pode compreender a autorização e o incitamento que von Papen recebeu de  Hindenburg a conspirar com os nazis, evitando cuidadosamente o Chanceler, porém o responsável pelo governo, senão  como um erro grave e especialmente como uma violação da relação de  lealdade que deve existir entre um chefe de estado e o seu chefe de governo. Estas instruções claras e precisas  e estas tomadas de  posições assumidas pelo Presidente do Reich convidam-nos a termos muito pouco indulgência face ao que podemos considerar como índices de uma certa senilidade.

O  Secretário de Estado Meissner recebeu como directiva do Presidente do Reich Hindenburg de rigorosamente manter em silêncio este arranjo com von Papen.  O seu   filho Oskar Hindenburg recebeu a mesma instrução. O Secretário de Estado encontrava-se, portanto, numa situação bem  precária: nós temos  o direito de nos perguntarmos  se ele não deveria nesse momento estar  a favor de von Schleicher, junto de Hindenburg apresentando contrapropostas que teriam facilitado a  colaboração correcta nas mais altas  esferas do Estado, tanto mais tendo em conta  os longos anos de trabalho em colaboração estreita e genuinamente harmoniosa que Meissner viveu com von Schleicher.

(continua)

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Ver o original em:

http://lespoir.jimdo.com/2014/06/14/kurt-von-schleicher-la-derni%C3%A8re-chance-de-la-r%C3%A9publique-de-weimar-contre-hitler-3/

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Ver a Parte II deste texto de Woyzeck, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, em:

KURT VON SCHLEICHER: A ÚLTIMA POSSIBILIDADE DA REPÚBLICA DE WEIMAR CONTRA HITLER – por WOYZECK – II

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