KURT VON SCHLEICHER: A ÚLTIMA POSSIBILIDADE DA REPÚBLICA DE WEIMAR CONTRA HITLER – por WOYZECK – V

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Selecção e tradução por Júlio Marques Mota

República de Weimar. Obrigado à Wikipedia
República de Weimar. Obrigado à Wikipedia

Kurt Von Schleicher : A última possibilidade   da República de Weimar contra  Hitler (5)

Woyzeck, Kurt Von Schleicher : la dernière chance de la République de Weimar contre Hitler

L’Espoir, 28 de Junho de 2014

(CONTINUAÇÃO)

von schleicher - X

von schleicher - XI

A 6 de Janeiro, Otto Braun e von Schleicher tiveram  uma longa discussão juntos. Braun era então Ministro-Presidente destituído da Prússia desde o golpe de estado “prussiano” de 20 de Julho de 1932, embora ele mantivesse   ainda oficialmente a sua posição dado  que o Tribunal Constitucional Federal tinha-o  confirmado nos seus  direitos soberanos no exercício do seu posto numa decisão de Outubro de 1932.

Braun diz-nos nas suas  memórias que o Chanceler, então, começava a sentir  claramente o peso e as preocupações relacionadas com o exercício do seu cargo. Von Schleicher ter-lhe-ia   confiado  que ele não se sentia  muito bem na Chancelaria e que pensava  retirar-se  na primavera na «Bendlerstrasse», o que significava querer  voltar para o Ministério da Defesa.

Após essa conversa com von Schleicher sobre os contornos da situação política de então,  Braun apresentou-lhe  uma proposta concreta. Ele fez-lhe essa proposta , de acordo com as suas próprias palavras, ” em consideração de  certas  dúvidas de ordem  pessoal e política”.

Aqui está  a proposta: “Revogue o regulamento imperial relativamente ao  Comissário do Reich na Prússia (nota do Tradutor: Regulamento que tinha retirado a  Braun os seus  poderes para um Comissário do Reich).» Então, sem consideração pelo meu estado de saúde assumirei  novamente e com firmeza as rédeas do poder. Dissolva  o Reichstag, eu então dissolverei  o Landtag (nota do Tradutor: Parlamento regional sob a República de Weimar). Nós ganharemos as eleições até à primavera seguinte  pois governaremos entretanto por decreto e faremos frente   comum na luta contra os nacional-socialistas.

Estes  já perderam quase 2 milhões de votos nas eleições de Novembro de 1932, eles atingiram o seu nível de clímax e agora estão já em declínio. Temos necessidade de uma última e forte pressão para lhes preparar uma esmagadora derrota nas próximas eleições na próxima primavera. Porque um movimento político, tão profundamente oco, impulsionado por tanta demagogia, formado e liderada principalmente por um conjunto de desesperados e oportunistas de todos os tipos, alimentados por um  financiamento oculto, afunda-se tão rapidamente quanto rapidamente prosperou, desde que sofra  uma derrota e que os financiamentos não os acompanhem nas suas necessidades crescentes.

A partir do momento  em que o espectro nacional-socialista seja exterminado, teremos os parlamentos a funcionar  e poderemos ser  capazes de enfrentar os graves problemas  que temos pela frente e tanto mais quanto a crise económica parece ter chegado ao seu ponto máximo e que já vemos sinais de alguma melhoria económica. »

Von Schleicher soube  honrar esta oferta sincera e corajosa por parte deste político social-democrata.  Von Schleicher anunciou  que o Presidente do Reich Hindenburg  não aceitaria  a revogação do Regulamento imperial relativo ao Comissário do Reich na Prússia, nem uma qualquer dissolução imediata do Reichstag. Braun, propôs então,  em conjunto com  o Chanceler, tentarem os dois  convencer o Presidente do Reich da necessidade de tomar essas medidas.

A suposição  de Braun segundo a qual  von Schleicher teria podido recear  a sua grande tarefa  no caso do restabelecimento da soberania governamental  na Prússia não é muito verosímil.

Em primeiro lugar, parece estranho quando  lemos as  obras de Rheinbaben dedicadas  a von Schleicher, que von Schleicher tenha tido em grande consideração esta oferta de  Braun para em seguida não a ter aprofundado   mais,  por estar afogado na  gestão da enchente de assuntos a tratar pelo Governo. Aparentemente, von Schleicher acreditava  ter que esperar ainda pelo desenvolvimento de  alguns assuntos e tanto mais  quanto a realização, total ou parcial, da proposta de Braun não foi estava ligada à sua gestão imediata no executivo  e que ele a poderia reservar para mais tarde. Sem a isso ser forçado, von Schleicher recusou  desviar-se  da sua política de erosão e de irritação contra o partido nazi  que estava, então,  numa  situação desconfortável, o que  representava estar  antes de mais  a ganhar  tempo.

Isso foi-lhe censurado na altura por alguns, como Zehrer ou  outros membros do seu círculo privado, e mesmo por certos colaboradores, que interpretaram a sua estratégia  como um sinal de uma certa incapacidade em  tomar decisões. Só apenas muito mais tarde é que se  reconheceu que esta táctica   teria muito bem podido conduzir ao sucesso esperado, se esta não tivesse sido  destruída  mais tarde pela ingerência de von Papen e por aquele que von Papen cortejava tanto, o marechal  Hindenburg.

(continua)

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Ver o original em:

http://lespoir.jimdo.com/2014/06/28/kurt-von-schleicher-la-derni%C3%A8re-chance-de-la-r%C3%A9publique-de-weimar-contre-hitler-5/

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Ver a Parte IV deste texto de Woyzeck, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, em:

KURT VON SCHLEICHER: A ÚLTIMA POSSIBILIDADE DA REPÚBLICA DE WEIMAR CONTRA HITLER – por WOYZECK – IV

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