O MAS É A FALTA DE CORAGEM por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

De onde vem esta esperança inabalável de que o mundo vai mudar?

Porque há Homens, Mulheres, Crianças, Jovens que não desistem, no meio de tanta hostilidade, de lutar por uma vida boa?

Não podemos comparar o que é “agora” uma vida boa nos países em guerras, nos países em que ainda se morre de fome, nos países em que as raparigas são forçadas à mutilação genital, nos países em que se formam terroristas, crianças bomba……nos países, com um certo desenvolvimento económico, que permitem que a maior parte das pessoas tenham os seus direitos adquiridos, e os outros, a menor parte? Os outros são o chão para a mudança, são o sangue a fervilhar para a conquista de uma casa que lhes foi confiscada, para terem um emprego, mesmo que o salário seja de miséria, para terem conforto físico e afectivo.

Os outros, a menor parte, são os que não têm voz, mas têm quem empreste a voz até que o país estremeça.

Na maior parte dos países europeus, a menor parte é, na verdade, a maior parte, os ricos, os milionários, os que têm poder põem e dispõem da justiça que mais lhes agrada, põem e dispõem das taxas do IRS, dos IMI, dos contractos de trabalho, dos impostos…

Que doloroso é ver um Homem levantar-se das bancadas da Assembleia da República e gritar bem alto “Eu não quero morrer” porque o governo não chega a um consenso com os laboratórios.

O Governo há-de pensar, vou esperar pelos saldos mesmo que alguém tenha que morrer…

O mundo já mudou tantas vezes, ainda falaríamos por gestos e grunhidos se assim não fosse.

Temos a tendência para encolher os ombros e dizer que nada está bem, mas…

A diferença incomoda as sociedades porque estas podem transformar-se em sociedades em que a tolerância (que não é a mesma coisa que a inclusão) seja a atitude escolhida pelos cidadãos para que todos vivam sem se incomodarem com os outros

Dói saber que estas mudanças se constroem sempre com “sangue, suor e lágrimas”.

Temos as nossas vidas mergulhadas na incerteza que tanto pode provocar a ameaça como a oportunidade de mudar. Mudemos então!

Temos que equilibrar os poderes entre os mais fortes (porque mais ricos) e entre os mais fracos (por vezes mais ricos em sabedoria) que não têm nada a perder, porque nada têm.

Nada se muda sem se mudar atitudes e mentalidades.

Precisamos criar um novo pensamento, um pensamento divergente. Estamos fartos do pensamento único com todas as suas subtilezas.

Está tanta coisa a mudar na vida de cada um que, por vezes, há quem se refugie na sua zona de conforto, não queira mudar e não acredite que há Homens e Mulheres a trabalhar para a mudança desejada.

Já passou o tempo em que os camponeses e os proletários se revoltavam em grandes manifestações e greves. Agora há que agir, pôr as pessoas a ver o que se passa no mundo, a ouvir os gritos de quem sofre e a pensar de maneira diferente.

Nada é imutável.

O Syriza chegou ao poder e é ver e ouvir os bem pensantes a concordarem e a dizerem mas…

Só agora percebi o verdadeiro significado do mas. Eu sou Charlie, mas….O Syriza ganhou as eleições, ainda bem, mas…

O mas é a falta de coragem.

3 Comments

  1. Uma excelente síntese: há contextos, circunstâncias, momentos em que o “mas” é um gemido de cobardia. E os exemplos são… exemplares. Há por aí muitos “eu sou Charlie, mas… eles é que provocaram a fera” (!). Ou “ainda bem que o Syriza ganhou as eleições, mas… “, um “mas” explicitado pela inacreditável afirmação fascistóide de Jean-Claude Juncker de que a Europa respeita a “escolha democrática” do povo grego, «mas penso que aqueles que ganharam as eleições também terão de ter em conta a forma como os outros fazem as coisas e as suas convicções», – equivalente a qualquer ditatorial “podem votar à vontade, desde que votem como eu quero” -, esquecendo-se de um “pequeno pormenor”: a maioria dos tratados da UE (para não falar em todas as decisões, lesivas dos interesses de muitos povos europeus, de uma Comissão Europeia sem legitimidade eleitoral) nunca foi referendada, pelo que a Democracia só existe do lado dos gregos.

  2. Bom coimentário. Votem à vontade, mas…votem mim…
    “respeitarei o resultado eleitoral do povo grego,mas tudo não passa de um conto de crianças”
    Por vezes há expressões e palavras que duram durante um tempo porque “vestem as ideias”. Se as subvertemos dizemos Mas apoiaremos a Grécia e todos aqueles que se querem libertar das grilhetas da Europa da Senhora Merkel e afins. E se começássemos a nossa libertação deste governo de imcompetentes e ignorantes. Mas… tenho medo.O medo instalou-se novamente…O governo torna-nos cada vez mais pobres e a justiça cada vez mais tolerante com os grandes corruptos: Bes Vistos Gols e tantos outros. Como se pode tirar o medo às pessoas?

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