A Revista da Semana por Luís Rocha

revista semana

Revista da semana

De 22/2 a 28/03/2015

 Iniciei a publicação desta rubrica no início de janeiro deste ano. Defini um esquema de apresentação, que facilitasse a leitura de acordo com o interesse temático de cada leitor. Na prática a minha publicação tem sido o que no início anunciei, da difusão dos acontecimentos por mim considerados mais relevantes.

Estes 2 meses do formato apresentado deram-me a experiência pretendida, de acordo com o projecto definido.

Entendo no entanto ser mais interessante para mim e julgo em maior consonância com a “janela aberta ” pretendida, ajustar a apresentação da Revista a um comentário dos acontecimentos da semana.

Este será o novo formato, que espero levar a um debate construtivo de interacção entre os leitores, com respeito pela opinião livre de cada um.

Passo assim à Revista da Semana que inicio com um artigo de opinião, face às notícias que se seguem:

” Na sequência do acordo da semana anterior em que foi aprovada a extensão do empréstimo da Zona Euro até 30 de Junho de 2015, o governo grego apresentou ao presidente do Eurogrupo as medidas e reformas nos próximos 4 meses

A resposta às medidas apresentadas tornou-se viável com a posição da câmara baixa do parlamento alemão que na sexta-feira (dia 27/2/2015) aprovou por ampla maioria a extensão do programa de assistência financeira à Grécia por quatro meses.”

ARTIGO DE OPINIÃO

Perante este cenário a prazo (4 meses) o que se seguirá depois?

Se tivermos em conta as várias opções que o poder central da UE (Bruxelas diga-se Alemanha), aliada com o FMI (diga-se EUA), tomou desde o início da crise em 2008, verificamos que todas as medidas tomadas tiveram como base a defesa dos seus interesses. Emprestaram dinheiro a “rodos” às taxas que os emprestadores determinaram, impuseram medidas de austeridade “o povo que pague a crise”, aumentaram os Estados da União Europeia, quis-se a entrada da Ucrânia de que resultou a guerra civil que tantos mortos já provocou. Aumentaram para 18 os países do EURO, etc. Depois houve reuniões do “poder” alargadas ao Parlamento Europeu, mas só na aparência “os deputados estão lá para votar como lhes mandam”.

Passados 7 anos a economia Europeia está de “rastos”. O próprio “poder” foi arranjando “corda para se enforcar”.

O prazo para as grandes decisões está agora à vista. Que medidas tomar? Os países a quem foi imposta a “austeridade” já não conseguem apertar mais o cinto (para quem ainda o tem), o consumo desce, a produção acompanha, o desemprego cresce. Quais vão ser as novas políticas para a União Europeia? e a moeda “EURO”?

A decisão está para breve e nós os “PIGS” (que agora já são mais), não vamos ter voto na matéria, porque já não temos mais nada para dar …

A situação da Europa e em particular a de Portugal faz-me lembrar um artigo de Clara Ferreira Alves que, em 2014 dizia, “…..tudo vai ser equacionado na ditadura democrática portuguesa que  elimina os que pensam e promove os burros.”

Na altura comentei o artigo no facebook e dado que o considero actual, transcrevo-o de seguida:

Já tinha lido o artigo, como outros que publica.

 No caso concreto deste artigo diz verdades que os meios de comunicação censuram e que a maioria dos portugueses reconhece. Discordo no entanto da afirmação que faz sobre os portugueses, chamando-nos de burros e ignorantes que enterram a cabeça na areia.

 Burros não somos. A maioria, por comodismo e de facto alguma ignorância, continua a acreditar na democracia conquistada em Abril/74, na esperança que desponte entre o “nevoeiro da democracia que temos” um D. Sebastião que nos conduza. Mas aí vem à memória a expressãoo de Júlio César sobre os lusitanos que dizia tratar-se de “um povo que não se governa nem se deixa governar”. Será este o nosso destino?

 Na dúvida os chamados “espertos” vão-se aproveitando em benefício próprio. O voto livre é a expressão máxima da democracia. Mas em quem votar, se todos se têm revelado oportunistas? Como em todas as democracias modernas a opção é igual em todo o lado. Vota-se não por convicção, mas para escolher o que cada um considera para si, o que melhor serve os seus intentos ou, no momento, o mal menor. 

Valha-nos a liberdade de, por enquanto, podermos expressar as nossas opiniões sem medos! As instituições internacionais são o pastor e os cães que orientam os “bezerros” de cada país, de acordo com as conveniências do momento: primeiro para o pasto e depois para o matadouro. A falta de “cultura” no pasto é o ideal, princípio básico da “ditadura”, para se conduzir os bezerros onde se quiser, mesmo que algum vá “balindo”. Claro que se o “balido” for forte e continuado o “bezerro” está condenado. E se todos “balirem”? Aí já não se podem abater, pois para nada servem os pastores nem os cães. Se queremos ser ouvidos, então temos todos de “balir”.

Seguem-se as notícias:

Das várias notícias difundidas ao longo da semana ressalta a temática anterior sobre a situação da Grécia.

Na sequência do acordo da semana anterior em que foi aprovada a extensão do empréstimo da Zona Euro até 30 de Junho de 2015, o governo grego apresentou ao presidente do Eurogrupo as medidas e reformas nos próximos 4 meses. Numa longa carta, o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, descreve o que vai mudar na Grécia

As medidas e reformas apresentadas incidiram, basicamente:

– Na política de Impostos, onde se propõe reformar o IVA, por forma a aumentar a receita real e rever a carga fiscal sobre rendimentos, sem impacto negativo na justiça social; Combater a fraude e evasão fiscal, cultivando uma cultura de cumprimento das obrigações fiscais de cidadãos e empresas;

– Na gestão das Finanças Públicas, compromete-se a tomar as medidas necessárias, com particular incidência no controlo da  execução orçamental;

– Sobre a estabilidade financeira, evidencia entre outras medidas a de um controlo apertado sobre a Banca, bem como a colaboração do governo nos apoios necessários aos créditos mal parados, tendo em conta a situação de rendimentos reais dos devedores;

– Em consolidar os fundos de pensões, com incentivos à poupança, por forma a permitir uma reformulação do sistema da segurança social;

– Assumir como prioridade nacional a tomada de medidas severas no combate à corrupção;

– Rever a legislação sobre o financiamento dos partidos políticos;

– Promover o crescimento, comprometendo-se a não anular as privatizações já efetivadas e a rever as que ainda não foram lançadas;

– Reformar o sistema jurídico;

– Tomada de medidas urgentes de assistência ao crescimento da pobreza extrema;

Foto: Reuters

FICOU FORA DA LISTA DE REFORMAS

– A criação de 300 mil empregos, destinados sobretudo aos jovens e aos desempregados com mais de 55 anos;

– A devolução do subsídio de Natal aos pensionistas com rendimento inferior a €700;

– A reestruturação da dívida pública através da indexação do pagamento dos juros ao crescimento económico e da conversão dos títulos na posse do BCE em obrigações perpétuas (sem data de vencimento pré-definida);

– A revisão da meta do saldo orçamental primário (sem juros) em 2015 de 4,5% para 1,49%

A resposta às medidas apresentadas tornou-se viável com a posição da câmara baixa do parlamento alemão que na sexta-feira (dia 27/2/2015) aprovou por ampla maioria a extensão do programa de assistência financeira à Grécia por quatro meses.

Sobre a posição assumida pelo parlamento alemão o Jornal de Notícas (on-line) publica que:

No debate que antecedeu a votação, as principais críticas à extensão do programa foram feitas pelo setor “rebelde” da União Democrata-Cristã (CDU) de Angela Merkel e pela União Social-Cristã da Baviera (CSU).

 A sessão foi aberta com a intervenção do ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, que defendeu o prolongamento com o argumento de que o governo grego se comprometeu a cumprir os termos do acordo, embora admitindo que apoiar a extensão não foi “uma decisão fácil”.

 “Penso que não é fácil para ninguém aprovar este prolongamento”, disse Schäuble, frisando no entanto que ele não implica mais dinheiro para a Grécia, mas mais tempo, para que possa concluir com êxito o programa em curso.

 Ontem sábado (dia 28) o primeiro ministro grego “Tsipras” acusou Portugal e Espanha de formarem «eixo» anti-grego.

Tsipras aludiu de forma particular a Espanha, onde o partido anti-austeridade “Podemos” tem subido muito nas sondagens

Ver e ouvir em:

http://www.tvi24.iol.pt/internacional/economia/tsipras-acusa-portugal-e-espanha-de-formarem-eixo-anti-grego

A posição do governo português tem sido a de “nós não somos a Grécia”… De facto não somos, mas nós, portugueses, temos problemas semelhantes ao dos gregos, senão mais graves como se pode ler na posição da Comissão Europeia noticiada pela Agência Lusa no passado dia 26/2, de ter colocado Portugal sob vigilância, dado o país ter graves problemas no combate à pobreza, ao desemprego e à evasão fiscal “Tal como na Grécia…” ou não ?

Bruxelas aponta que, durante o último ano, o desemprego caiu mais depressa do que a economia cresceu, destacando mesmo que “a queda da taxa de desemprego foi muito mais pronunciada do que o que seria de esperar tendo em conta a relação histórica entre o desemprego e o PIB [Produto Interno Bruto]”.

Ler mais em:

http://visao.sapo.pt/comissao-europeia-muito-critica-com-portugal=f811380#ixzz3T5Ys3n00

No nosso caso acresce ainda o relatório da Amnistia Internacional que prova que austeridade «mata»

O PS afirma que o documento sobre o impacto da austeridade em Portugal indica que as políticas foram negativas. Já o Bloco afirma que as medidas de austeridade – referidas pela primeira vez num relatório da Amnistia Internacional – estão «a matar» os direitos iguais para todos

A eurodeputada do Bloco de Esquerda Marisa Matias afirmou que as preocupações da Amnistia Internacional sobre as medidas de austeridade aplicadas em Portugal são mais uma evidência de que o Governo privilegia apenas os direitos dos credores.

Para Liliana Rodrigues, as medidas de austeridade puseram em causa os direitos humanos, o direito ao trabalho «e a dignidade», sendo que o relatório da Amnistia Internacional deve ser mostrado aos deputados do Parlamento Europeu.

Ler mais em:

http://www.tvi24.iol.pt/politica/amnistia-internacional/relatorio-da-ai-governo-tem-o-dever-de-pedir-desculpa

 

1 Comment

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