CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE VIRGÍLIO FERREIRA ASSINALADO NA GUARDA por Clara Castilho

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No mês em que se comemora o centenário de nascimento do autor Vergílio Ferreira, a Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço, na Guarda programou um conjunto de iniciativas ligadas à vida e obra do romancista e ensaísta português.

Ao longo do mês de Janeiro realiza-se um variado leque de ações que pretendem proporcionar uma revisitação à obra e ao mundo de Vergílio Ferreira, nomeadamente um colóquio, uma conferência, um documentário, uma exposição, viagens literárias ao mundo de Vergílio Ferreira, uma peça de teatro, um encontro e um percurso.

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Vergílio Ferreira é natural de Melo (Gouveia). Licenciado em Filologia Clássica, notabilizou-se no domínio da prosa ficcional, sendo um dos maiores romancistas portugueses do século XX. Literariamente começou por ser neorrealista (anos 40), com Vagão Jota, Mudança, entre outros. Mas, a partir da publicação de Manhã Submersa e, sobretudo, de Aparição, o escritor adere a preocupações de natureza metafísica e existencialista. A sua prosa, que entronca na tradição queirosiana, é uma das mais inovadoras dos ficcionistas do século passado. O ensaio é outra das grandes vertentes da sua obra, acabando por influenciar a criação romanesca.

O destaque dedicado a Vergílio Ferreira terá início a 9 de Janeiro, às 16h00, com o documentário de Lauro António Prefácio a Vergílio Ferreira e o colóquio A política e o riso num tríptico romanesco de Vergílio Ferreira por Jorge Costa Lopes.
Segundo o seu autor, o Prefácio a Vergílio Ferreira pretendia ser isso mesmo, um prefácio, uma introdução à obra de um escritor, recriada em imagens e sons, procurando criar uma melopeia audiovisual que, de alguma forma, reconstituísse, ainda que parcelarmente, o universo do escritor.
Por sua vez, o colóquio pretende desenvolver uma leitura de um tríptico romanesco de Vergílio Ferreira – constituído por Estrela Polar, Nítido nulo e Signo sinal – à luz das manifestações do cómico e do riso presentes nos seus quadros narrativos mais marcadamente políticos.

Dia 12, pelas 18h00, o docente da UBI Gabriel Magalhães vem à Guarda proferir a conferência Vergílio Ferreira no século XXI.
Gabriel Magalhães é natural de Angola. A sua vida tem decorrido entre Portugal e Espanha. Foi coordenador do projecto de investigação Relações Linguísticas e Literárias entre Portugal e Espanha, desde o Início do Século XIX até à actualidade, que reuniu diversas universidades ibéricas. Organizou ainda a edição de El dret al futur / O Direito ao Futuro (2013), uma experiência de diálogo ensaístico entre a Catalunha e Portugal.
Colabora regularmente no jornal La Vanguardia (Barcelona) e no Jornal do Fundão.

De 19 a 31, a biblioteca apresenta a exposição de fotografia A Guarda em Vergílio Ferreira. As fotografias, da autoria de Luísa Ferreira e Arménio Bernardo fazem parte do projeto Um (e)terno olhar (exposição e catálogo) concretizado por ocasião da inauguração da BMEL (org. pelo CEI/CMG) e ilustram as referências à Guarda na obra de Vergílio Ferreira.

O destaque a Vergílio Ferreira também contempla os mais jovens. No dia 28, às 10h30 e 15h00, o grupo de teatro O Bando apresenta a peça O senhor Imaginário a alunos do 3º CEB e do Secundário. Trata-se de um monólogo que pretende reinventar o universo dos contos de Vergílio Ferreira através da personagem Jeremias, representada pelo actor Guilherme Noronha.

O Ciclo dedicado a Vergílio Ferreira encerra a 30 de Janeiro, às 11h00, com os Percursos vergilianos pela Guarda. Conduzidos por Anabela Matias, estes roteiros literários pretendem levar os leitores aos espaços concretos referidos nas obras, envolvê-los na diegese vergiliana e contextualizá-los com a ação e personagens.

Local – Biblioteca Municipal Eduardo Lourenço

Rua Soeiro Viegas 10, Guarda

Telemóvel:271 210 760

 

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