UMA CARTA DO PORTO – Por José Fernando Magalhães (116)

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O ALTO DO MONTE DO BONFIM

O Alto do Bonfim, era um excelente miradouro sobre a parte Oriental da cidade do Porto. Hoje só em pequenas parcelas, escondidas do comum dos portuenses e seus visitantes, se consegue ver o que, em quase todo o lado, as casas mais ou menos altas escondem.

ALTO DO MONTE DO BONFIM E IGREJA
ALTO DO MONTE DO BONFIM E IGREJA

Ali está situada a Igreja Matriz do Bonfim, consagrada a Santa Clara e ao Senhor do Bom Fim e da Boa-Morte.
No local agora ocupado pela Igreja Paroquial, existia uma capela desde o ano de 1786 e que foi substituída por outra (ou aumentada antes da construção da escadaria que hoje conhecemos – 1805/1813). Ainda antes de se passar um século sobre a primeira construção já a capela se tinha mostrado inadequada às exigências de uma Freguesia cuja população aumentava e que, com o advento da construção do caminho-de-ferro para Norte do rio Douro, em vias de conclusão (seria inaugurada a linha do Minho em 1875), crescia, se modernizava e se industrializava. Foi decidido então, construir uma Igreja no mesmo local, demorando a sua construção vinte anos (1874 – 1894).

CAPELA DO BONFIM meados do século XIX
CAPELA DO BONFIM
meados do século XIX

A igreja é relativamente simples, tendo no corpo central, várias janelas, e uma porta central. A fachada é ladeada pelas duas torres sineiras de quarenta e dois metros de altura assumindo uma grandiosidade de proporções. O interior é simples, estando a nave coberta por uma abóbada ornamentada com estuques. O Órgão da Igreja foi construído em 1817 para o Mosteiro de São Bento de Avé Maria, tendo vindo para o Bonfim aquando da sua destruição por volta de 1895/6.

INTERIOR DA IGREJA DO BONFIM
INTERIOR DA IGREJA DO BONFIM

No cemitério, a norte da igreja, há três cruzeiros de granito, retirados das ruas da cidade e ali colocados em 1869. Um deles é talvez do séc. XV e representa o Senhor da Consolação. Provém do Largo da Ramadinha, junto ao Jardim de S. Lázaro. O outro parece seiscentista e tem a particularidade do Crucificado estar com os pés afastados e não sobrepostos. É o Senhor do Divino Amor e Almas. Esteve na Rua do Poço das Patas, no ponto em que principiava a via-sacra que concluía na cruz do Bonfim. Do terceiro, ignoro o local de origem.

CRUZEIROS DO CEMITÉRIO DO BONFIM
CRUZEIROS DO CEMITÉRIO DO BONFIM

O alto do Bonfim foi ocupado durante o Cerco do Porto pelas tropas liberais, que ali tinham uma bateria de artilharia. Ficou célebre o dia 29 de Setembro de 1832 pela luta encarniçada que houve, quando cerca de 10.000 homens de exército de D. Miguel, a coberto de um nevoeira cerrado, atacam três sectores distintos das linhas do Porto, tendo sido repelidos pelas tropas liberais sitiadas. No Alto do Bonfim, após, manhã cedo, ter havido uma retirada das tropas de sector de Campanhã e mais tarde terem, as linhas liberais que ali estavam, de recuar, juntamente com as tropas do Cativo e do Fojo, o esquadrão de cavalaria de Guias carrega as tropas de D. Miguel, num grande retorno ofensivo. O grande combate entre os dois exércitos dá-se perto do Alto do Bonfim, na rua do Prado que por causa dos heróicos combates ali travados, se passou a chamar rua do Heroísmo.

Os Liberais, venceram!

VISTA DO VALE DE CAMPANHÃ, DESDE O ALTO DO MONTE DO BONFIM EM BAIXO À ESQUERDA, VÊ-SE A ESTAÇÃO DE CAMPANHÃ
VISTA DO VALE DE CAMPANHÃ, DESDE O ALTO DO MONTE DO BONFIM
EM BAIXO À ESQUERDA, VÊ-SE A ESTAÇÃO DE CAMPANHÃ

 

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=4988974&eg_sub=8d05ca0183&eg_cam=c90c7d683e2704274e0fbcdb3c0930e4&eg_list=3

 

 

 

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