UMA CARTA DO PORTO – Por José Fernando Magalhães (117)

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O LUGAR DE GOELAS DE PAU (GUELLAS DE PAU)

Quem sobe a Avenida 25 de Abril, em direcção à Praça das Flores onde se encontra o jardim de Guedes de Oliveira (escritor e jornalista do século XIX), vê ao seu lado esquerdo a entrada de um túnel (actualmente a saída, já que o trânsito automóvel se efectua unicamente no sentido descendente), e quase na esquina com a rua do Bonfim, uma Fonte, que outrora esteve na Rua da Duquesa de Bragança (agora D. João IV), na esquina com a Rua da Firmeza (onde estava a Escola Soares dos Reis).

Antiga  Fonte, que outrora esteve na Rua da Duquesa de Bragança (agora D. João IV), na esquina com a Rua da Firmeza (onde estava a Escola Soares dos Reis)
Antiga Fonte, que outrora esteve na Rua da Duquesa de Bragança (agora D. João IV), na esquina com a Rua da Firmeza (onde estava a Escola Soares dos Reis)

O túnel, com 299 metros e construído em 1997, passa por baixo de um morro onde se situa o Hospital de Joaquim Urbano.
O importantíssimo Hospital de Joaquim Urbano foi fundado em 1884 com o fim de isolar e tratar doentes com cólera. Tinha então o nome de Hospital de Goelas de Pau.

ENTRADA PRINCIPAL DO HOSPITAL DAS GOELAS DE PAU
ENTRADA PRINCIPAL DO HOSPITAL DAS GOELAS DE PAU

Em 1899 adquire o nome de Hospital Senhor do Bonfim. Em 1914, quando passou da tutela da Santa Casa da Misericórdia para a Administração do Estado, passou a chamar-se Hospital de Joaquim Urbano, em homenagem ao Dr. Joaquim Urbano da Costa Ribeiro (1851 – 1914), grande vulto da medicina portuguesa no domínio da Saúde Pública, e primeiro director daquela Instituição.
Durante mais de 100 anos foi somente destinado ao estudo e tratamento de doenças infecto– contagiosas.
Em 1985, recebe o primeiro doente infectado com VIH, infecção responsável, desde essa data, pela maior parte da actividade clínica desenvolvida.
Em 1989 foi criado um novo serviço de Pneumologia destinado ao estudo e tratamento de doenças respiratórias, mantendo o estatuto de hospital Central e Especializado.

PANORÂMICA SOBRE O VALE DE CAMPANHÃ, O RIO DOURO E O MONTE DO BONFIM
PANORÂMICA SOBRE O VALE DE CAMPANHÃ, O RIO DOURO E O MONTE DO BONFIM

Mas atentemos no curioso nome de Goelas de Pau, e de como apareceu esse nome na nossa cidade.
A quinta agrícola situada no cimo do Montebelo, lugar alto, recatado e arborizado, Belo e de Boa Vista e afastado (naquela altura) da população (ainda hoje se pode ver muito bem, do lado da porta principal do hospital, o vale de Campanhã, o rio Douro e todo o casario, merecendo a construção de um miradouro e um arranjo público adequado), chamava-se Fojo e era propriedade de Francisco Peixoto da Gama, que, por ser “esgalgado de corpo e com o pescoço alto e hirto” era chamado pela população de “O Goelas de Pau, nome que existindo desde o princípio do século XVIII (em 1833 já se chamava assim), nunca mais desapareceu, nem na toponímia portuense, nem na boca da população, que ainda hoje assim chama ao hospital Joaquim Urbano.

RUA DAS GOELAS DE PAU
RUA DAS GOELAS DE PAU

Mas este lugar, situado no cimo de Montebelo, ficou conhecido também por outras razões.
No lugar da Quinta do Fojo, no dia 29 de Setembro de 1832, em pleno Cerco do Porto, os soldados da bateria ali sediada, foram heróis, juntamente com os do Captivo e os do Bonfim, ajudando a repelir os inimigos Miguelistas.

 

 

 

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4 Comments

  1. Parabéns mais uma vez ao excelente historiador e apaixonado guardião do patrimônio artístico e cultural da cidade do Porto e de Portugal.
    Efusivo abraço.

  2. As tuas Cartas do Porto continuam a ser pertinentes e com magníficos contributos para a História da cidade.Parabéns e um bom 2016! Um abraço.

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