HÁ MAIS VIDA PARA ALÉM DA VIOLÊNCIA, DO PODER E DA DISCRIMINAÇÃO por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

A pobreza é falta de vida, é falta de respeito pela dignidade humana, é o que nos faz virar a cabeça para o lado, mas encolher o coração.

A pobreza não escolhe género, idade ou etnia, a pobreza é um modo de falta de vida que pode levar o ser humano à ruptura total, o suicídio, ou a uma passividade conformista e quase que invisível.

A pobreza é uma das principais causas que leva à falta de cumprimento dos Direitos da Criança. Uma família pobre não pode ser livre, pois mesmo a escolha do suicídio ou do conformismo não é livre, está condicionada por uma variedade de realidades, uma vez qua a Pobreza é um estádio multidisciplinar.

Falar-se de Pobreza é falar-se de Pobrezas, pois não há uma só Pobreza, há tantas quantas reflectem a escassez de bens considerados indispensáveis para manter alguém vivo, com habitação, saúde, acesso à Educação e à protecção social, para que estas pessoas, ou famílias, não sejam “socialmente castigadas” com a retirada dos filhos para instituições.

As terríveis imagens que vemos dos refugiados são exemplo de uma situação de pobreza, mesmo que alguns deles ainda tenham alguns “trocos” nas algibeiras.

A pobreza não deixa pensar, não deixa que cada um mantenha a sua identidade.

A pobreza gera pequenos focos de exclusão e de discriminação, como seja o racismo. As sociedades são cada vez mais multiculturais, há sempre um grupo social mais forte que domina o território e as pessoas, que tem como objectivo criar e tornar o fosso cada vez maior entre os poderosos e os mais fracos.

A Liberdade, a Declaração dos Direitos Humanos, a Convenção dos Direitos da Criança, a Convenção de Salamanca são postas em causa com a pobreza, assim como a paz social, a distribuição do conhecimento.

O grupo social dominante tem “fórmulas” para incitar à falta de reconhecimento positivo pelo outro, numa tentativa de se afirmar pelo poder, pela força, pela violência verbal e física.

Pobreza, discriminação e violência alimentam-se umas às outras, pois a “culpa” é sempre do outro, porque o outro incomoda e está cada vez mais visível.

Filmes como “Quem quer ser milionário”, 2008, de Danny Boyle,  “Feios, porcos e maus”, 1978, de Ettore Scola , “O Gebo e a Sombra” de Manoel de Oliveira de 2002, podem fazer pensar nesta realidade de como se vive na pobreza.

Muitos são os programas de combate à Pobreza, mas poucos são os programas de combate ao Poder dos mais fortes sobre os mais fracos. Só existem fracos porque existe discriminação e violência, porque existem patrões que pagam salários muito baixos, porque existe desemprego, porque existem guerras. Tem que haver pobres para existir ricos. A condição humana está presa a muitos preconceitos que existem para que esta dualidade se mantenha.

É preciso mostrar que há mais vida para além da violência, do poder e da discriminação.

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