UMA CARTA DO PORTO – Por José Magalhães (150)

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CEMITÉRIO PARA CAVALOS E BURROS NA CIDADE DO PORTO

Há, no nosso País, poucos cemitérios para animais irracionais. Os mais conhecidos ficam na capital e na Vila da Feira. Dizem até que, nesses, dedicados quase exclusivamente a cães e a gatos, há honras de mausoléus, placas, flores, etc..

No Porto, não tenho conhecimento de que haja algum. Mas houve!

Encontrei referências a três, todos existentes na mesma altura, nos meados do século XIX.

O mais conhecido situava-se no lugar de Monte Pedral, e o menos conhecido, diz-se que, no lugar da Quinta de Agramonte. Haveria ainda um outro situado entre a Rua de D. Pedro e a Rua do Laranjal.

 

Em 1899, o jornal «O Comércio do Porto» promoveu uma subscrição pública para construir uma série de bairros para as classes trabalhadoras, denominados “Colónias Operárias”, que se edificariam em terrenos cedidos pela Câmara Municipal. Foram construídos três. O de Monte Pedral, o de Lordelo do Ouro e o do Bonfim.

No lugar de Monte Pedral, construiu-se o primeiro dos três bairros. Constituído por grupos de duas e de quatro casas independentes, com dois pisos e quintal, o bairro deveria chegar a ter 26 casas e ficava situado entre as ruas da Constituição e de Serpa Pinto e entre o Quartel e o Matadouro. Hoje, restam pouco mais do que meia dúzia desses grupos de casas.

 

BAIRRO DE MONTE PEDRAL

BAIRRO DE MONTE PEDRAL

 

BAIRRO DE MONTE PEDRAL

BAIRRO DE MONTE PEDRAL

 

Esse bairro terá sido implementado sobre, ou paredes meias, com um antigo cemitério de irracionais que por ali havia.

De facto, e de acordo com notícias do ano de 1858, ali, no Monte Pedral, situava-se um desses cemitérios. Numa época em que os cavalos e os burros faziam parte da alimentação  do povo, assume-se que só ali seriam enterrados os animais que tivessem morrido por doença. Quanto aos cães e aos gatos, seriam para ali enviados os que, vadios, fossem apanhados pelas equipas camarárias.

23 de Setembro de 1858 – Nota sobre o Cemitério de Cavalos no Porto, no Monte Pedral: “Lugar onde no Porto, costumam ser enterrados os cavalos e burros”, na última página do jornal “O Diabo a Quatro”, em nota ao poema “Ao charadista de Villa Meã (derriça em rima)”:

Q’rias subir ao Párnaso,
Pobre, orelhudo animal?!
Sai-te p’ra baixo, mesquinho!
Sai, que erraste o caminho,
Subiste ao Monte Pedral! (nota)

Monte, que guarda os ossos
De canto cavalo velho!
D’ esse jumento fedelho
Não queiras a ossada vil!
Olha que o triste casmurro,
O tão miserável burro,
Não vel, sequer, um ceitil!

Tens por Parnaso o Pedral!

Tens por musas dez jumentos
Dos que aluga o Corta-Machos

(Notícia / Nota gentilmente cedida por ADRIANO SILVA – PORTO DESAPARECIDO)

O outro cemitério dedicado a animais, situava-se onde hoje está implantado o Cemitério de Agramonte.

 

CEMITÉRIO DE AGRAMONTE

CEMITÉRIO DE AGRAMONTE

 

Também segundo escritos da época, o Cemitério de Agramonte começou a ser construído por volta de 1840 para ser um cemitério de irracionais. Encontramos essa indicação no dicionário de Pinho Leal “Portugal Antigo e Moderno”,

 

Dicionário de Pinho Leal Volume VII - Pag. 399

Dicionário de Pinho Leal
Volume VII – Pag. 399

 

que será fidedigna, apesar da controversa nota de um “Velho Tripeiro” que, no Jornal O TRIPEIRO – 1ª série – ano 2 – pág. 111, se refere desta forma a essa notícia

 

O TRIPEIRO (1909)

O TRIPEIRO
(1909)

 

 

A ASSISTIR, SEM FALTA, NO ÁTRIO DA ESTAÇÃO DE SÃO BENTO.

programa

 

 

Ryanair anunciou quatro novas rotas para o Porto a partir do Verão de 2017

 

 

 

A PROPÓSITO DAS NOTÍCIAS SOBRE A “TIME OUT MARKET”

Câmara do Porto não aprovou qualquer projecto para a estação de São Bento

06-10-2016

A Câmara do Porto esclarece que, até hoje, não aprovou nem lhe foi sujeito qualquer processo de licenciamento para a Estação de São Bento no Porto.

Questionada por diversos órgãos de comunicação social acerca de um projecto existente para aquela estação, a autarquia entendeu tornar público que não se encontra a decorrer qualquer processo de licenciamento para o local nos serviços camarários e que, estando o edifício classificado, tal licenciamento apenas seria possível após parecer favorável da Direcção-Geral do Património Cultural.

 

 

 

 

About José Fernando Magalhães

Escrevo e fotografo pelo imenso prazer que daí tiro

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