AS PALAVRAS NÃO TÊM COR por Luísa Lobão Moniz

olhem para  mim

Se pensarmos sobre o sofrimento conseguimos alcançar todas as cores do arco-íris humano.

Se pensarmos a beleza mais uma vez o arco-íris se faz mostrar com todas as cores e sem que nenhuma se tenha tingido.

Se retirarmos uma cor, o verde, vemos que não há um só verde, há imensas tonalidades de verde, mas o verde é sempre verde.

Há o verde água, o verde fundo de garrafa, o verde alface…se colocarmos o verde ao pé do vermelho vem-nos à cabeça a Bandeira Nacional.

Todas as cores e suas nuances são pontos de referência. Há cores que temem outras. Há cores que se sentem excluídas quando para cima delas saltam gotas de outras cores. Há cores que se sentem felizes e incluídas porque também podem misturar-se com as outras porque sabem que não desaparecem. Porque sabem que se vão misturar e que dessa mistura nenhuma fica sem identidade, nenhuma desaparece, pelo contrário…

Hoje fala-se muito de multiculturalismo e até há quem diga que não resultou…

O que é que não resultou? O multiculturalismo não resulta nem deixa de resultar, o multiculturalismo existe, sempre existiu, o que não resulta são as sociedades que dão lugar aos mais poderosos, aos mais ricos para exercerem a sua força, o seu poder que não quer deixar entrar os outros na vida social, laboral.

A essa entrada chama-se interculturalidade.

A interculturalidade aprende-se, aprende-se a relacionarmos com os outros deixando que os outros também nos aceitem.

Há valores que são universais e que todas as culturas preservam nem que para isso os indivíduos se deixem prender porque lutam pela liberdade de expressão do pensamento.

A interculturalidade faz as culturas assimilarem e cederem modos de vida diferentes.

Não é a cor da pele, não é a religião, não é o género nem a idade que dá ao poder a força para discriminar pela exclusão e pela violência os outros.

Os indivíduos só negam a interculturalidade quando sentem que vão perder direitos para que os outros estejam connosco.

A interculturalidade é muito complexa, depende de muitos factores, de muitas cedências e de conhecimento.

A cultura da interculturalidade deve ser vivida, ensinada, em todas as instituições ou seja nas escolas, nas juntas de freguesia, nas câmaras municipais, na assembleia da república, no governo, nos ministérios, nas festas populares…

Não há visibilidade nestas instituições de figuras indianas, angolanas, ciganas, romenas,… chinesas. Esta será a excepção, mas no mundo dos negócios.

Aboliram-se fronteiras, mas agora fala-se em levantá-las por causa dos outros que querem paz, roupa e comida.

Até onde irá o travão movido por pessoas, organizações…que fazem da sua força a violência da exclusão.

A humanidade é como o arco-íris, as cores aparecem, misturam-se, mas não deixam de ser cor.

 

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