UMA CARTA DO PORTO – Por José Fernando Magalhães (159)

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A CAPELA DA FONTE DA SENHORA

 

Quem passa pela rua de Bonjóia, e é muito pouca gente, não pode deixar de reparar numa minúscula capela, muito bem arranjada, e num obelisco que lhe fica ao lado.

A pequena capela foi erigida em memória da Fonte da Senhora e do milagre que lhe está associado.

 

CAPELA DA FONTE DA SENHORA
CAPELA DA FONTE DA SENHORA

 

A história é simples e muito conhecida.

Tudo se passou no ano de 1722, no dia 22 de Março.

Nessa altura grassava uma enorme seca em toda a região. Os habitantes viviam desesperados, sem água para beberem, assim como para os animais, nem tão pouco para as regas. Toda a subsistência de um povo estava ameaçada.

Nada parecia solucionar o problema que a natureza lhes criava.

Até que um dia resolveram fazer mais uma procissão, levando num andor a imagem de Nossa Senhora de Campanhã, no sentido de pedir a ajuda divina para que chovesse.

Estávamos no dia 22 de Março de 1742, quando essa procissão de que falamos aconteceu.

Passavam os crentes na estrada que do Porto se dirigia a Campanhã e a Fânzeres quando a imagem da Santa caiu do andor, partindo uma mão.

 

FONTE DA SENHORA (hoje, por baixo da VCI)
FONTE DA SENHORA
(hoje, por baixo da VCI)

 

E, milagrosamente, por entre as pedras do local onde a imagem caiu, começou, no dia seguinte, a brotar água. E era água boa, pois que anos mais tarde, estudos feitos consideraram que tinha capacidades curativas para as moléstias do estômago e outras.

A prolongada e severa seca acabara, e o povo, como é natural, ficou contente. Anos mais tarde, cento e vinte para ser mais preciso, a população ergueu, no local, um pequeno monumento, um obelisco, consagrado ao acontecimento.

 

BASE E PLACA DO OBELISCO QUE HOJE SE ENCONTRA JUNTO DA CAPELA
BASE E PLACA DO OBELISCO QUE HOJE SE ENCONTRA JUNTO DA CAPELA

 

Com o passar do tempo, a fonte acabou por ficar soterrada e o obelisco destruído.

Em 1956, iniciaram-se as primeiras tentativas, oficiais, para a restauração do fontenário, aproveitando para se construir uma nova memória sob a forma de uma pequena capela. Três anos depois, foi lançada a primeira pedra, e, foram precisos ainda mais dois anos, cheios de peripécias várias, para que em 2 de Julho de 1961 a capelinha fosse inaugurada, a alguns metros da fonte, em terrenos da Quinta de Vila Meã, oferecidos pela família Mitra a quem pertencia, na altura, a Quinta.

Mais uns anos se passaram e vamos encontrar a Fonte muito degradada e a necessitar de obras de restauro. E eis que surge a Via de Cintura Interna do Porto, que naquela zona veio agravar ainda mais a separação, já existente, das populações da zona mais oriental da cidade (Lagarteiro e Azevedo).

Com a construção dessa via, que passa mesmo por cima da Fonte, e quase por cima da casa da Quinta de Vila Meã, a Fonte parecia ficar no esquecimento. Mas não. A Fonte ainda lá está, arranjadinha, mas sem água, mesmo por baixo da nova estrada.

A capelinha, muito bonita, e o cruzeiro, reconstruído, também lá estão, bem restaurados.

 

INTERIOR DA CAPELA DA SENHORA
INTERIOR DA CAPELA DA SENHORA

 

ARRANJO, COM LAVADOUROS, POR BAIXO DA VCI. A FONTE ESTÁ AO FUNDO, VIRADA PARA A RUA
ARRANJO, COM LAVADOUROS, POR BAIXO DA VCI.
A FONTE ESTÁ AO FUNDO, VIRADA PARA A RUA

 

 

 

 

Quem espera, desespera, mas…. sempre alcança. Será?

O Metro no Porto, revolucionou a cidade. É preciso expandi-lo.

Metro do Porto comemora 14 anos enquanto espera o anúncio da sua expansão

 

Luzes na Cidade

 

Mobilidade

Rua Coronel Raúl Peres reabriu ontem ao trânsito

Solicitam-se explicações da CMP sobre o tempo que as obras demoraram.

Solicita-se ainda que nos digam o que aconteceu ao Plano de Estrutura da Frente Marítima do Porto, apresentado em Dezembro de 2014. E, já agora, só mais uma coisinha: se houver algum acidente na Rua Coronel Raul Peres, há algum plano alternativo para evitar o caos no trânsito, que se verificou durante o período das obras? E… para quando a Avenida D. Nuno Álvares Pereira?

 

A 08 de Dezembro de 1930 suicida-se a poetisa portuguesa Florbela Espanca, no dia em que completava 36 anos.

(e não, não “a poeta” como agora alguns dizem)

 

 

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