EDITORIAL – ALMARAZ – ENTRE EMPREGOS, RADIAÇÕES E RELAÇÕES ENTRE NAÇÕES

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As centrais nucleares têm desempenhado um papel importante no fornecimento da energia eléctrica em muitos países. De um modo geral, foram uma aposta do grande capital combinado com os poderes públicos, na medida em que a sua construção e entrada em funcionamento implicavam um grande investimento e fortes medidas de segurança a vários níveis. Entretanto os investidores estão a fazer o possível para prolongar a vida útil das centrais existentes, por entre protestos de ambientalistas e cidadãos, até porque sabem que a construção de novas centrais se vai deparar com forte oposição.

A imprensa tem entretanto noticiado sobre diferentes aspectos desta questão, como as implicações, em termos de desemprego para os trabalhadores de centrais que venham a encerrar, e outras. Claramente apoiamos que a comunicação social aborde todos os ângulos deste assunto (podem ler uma excelente notícia do DN, sobre Almaraz, clicando no primeiro link abaixo). O desemprego é um problema muito grave, um dos maiores, senão o maior da sociedade actual como a conhecemos. Contudo permitimo-nos afirmar que as sociedades que usam a energia nuclear na sua vida diária têm com certeza capacidade para dar uma solução satisfatória às situações decorrentes do encerramento de uma central nuclear. Não será exagero nem constitui demagogia dizer que assegurar essa solução será mais fácil e menos custoso do que fazer frente às consequências de um acidente nuclear. Infelizmente, já há exemplos muito graves a demonstrá-lo.

Países há, como a Alemanha, que têm projectado encerrar as suas centrais nucleares (clicar no segundo link abaixo). É verdade que o governo de Angela Merkel, impiedoso com os países mais pequenos, tem demonstrado pouca coerência perante as oscilações da opinião pública interna e outras influências (vide o caso dos refugiados). Contudo, é de reflectir quando um país tão poderoso e que tanto investiu no nuclear, projecta fechar 17 centrais até 2022. Sem dúvida que os acidentes de Chernobyl e Fukushima estão na origem de preocupações muito justificadas. Mas prova-se sobretudo que está na hora (já devia ter sido antes) de dar prioridade às alternativas. E não actuar tão tibiamente como tem feito o governo português, no caso de Almaraz.

http://www.dn.pt/sociedade/interior/almaraz-o-nuclear-aqui-tao-perto-que-divide-os-dois-vizinhos-ibericos-5593892.html

http://www.jornaldenegocios.pt/mercados/detalhe/bei_apoia_encerramento_das_centrais_nucleares_na_alemanha

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