EDITORIAL –  UM ACORDO ARRISCADO

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Sob a influência da Comissão Europeia, Portugal comprometeu-se a retirar a queixa apresentada contra o reino espanhol por causa da central nuclear de Almaraz. Jean-Claude Juncker, na Cimeira de Malta, no passado dia 3 de Fevereiro, reuniu os chefes dos dois governos, e terá feito sentir que os grandes problemas europeus têm prioridade sobre conflitos entre estados nacionais. Terá havido acordo na necessidade de fortalecer as redes energéticas europeias, com destaque para as que asseguram a ligação ao norte de África. Clicando no segundo link abaixo poderão ler uma notícia sobre o que ocorreu nesta cimeira dos chefes dos governos da União Europeia, realizada em La Valetta.

Não se percebe como é que uma questão como a da central nuclear de Almaraz não é considerada como prioritária, ao nível europeu, e analisada minuciosamente pelos chefes de governo. Continua sem haver notícias sobre a realização do EIA – Estudo de Impacto Ambiental – transfronteiriço, que obrigatoriamente deveria ter sido feito antes da entrada em funcionamento da central nuclear (melhor dito, antes da sua construção). Lendo no El País de 12 do corrente mês de Fevereiro (página 26) uma notícia sobre a mais antiga central nuclear do reino espanhola, a de Santa Maria de Garoña, em Burgos, que está sem funcionar desde 2012, e que agora, embora haja muita gente a opor-se, se pensa reabrir, com o parecer favorável do CSN-Consejo de Seguridad Nuclear, dado recentemente, obtemos um visão mais larga sobre o assunto.

Da leitura da notícia depreende-se que na discussão tem-se olhado sobretudo aos custos, custos da reentrada em funcionamento desta central, ou do seu desmantelamento. E que o que se decidir sobre Santa Maria de Garoña poderá condicionar o futuro das restantes centrais nucleares do reino espanhol. Há cinco em funcionamento neste momento, sendo a maior a de Almaraz. Temos mais um conflito entre os problemas financeiros e a defesa do ambiente e do bem-estar das populações, à mistura com o desentendimento entre dois países. Não será exagero (de modo nenhum!) dizer que neste caso, como noutros, o reino espanhol tem “atropelado” Portugal, e que o governo português mostrou mais uma vez fraqueza nas negociações sobre o problema de Almaraz, havendo em consequência riscos acrescidos para os portugueses.

Propomos que cliquem nos links abaixo, para acederem a notícias sobre este assunto. Algumas não dizem directamente respeito às centrais nucleares do país vizinho, mas permitirão obter uma visão mais alargada sobre o que se vai passando na questão nuclear.

 

http://www.dn.pt/sociedade/interior/recuo-na-queixa-a-bruxelas-fragiliza-portugal-5683144.html

https://www.noticiasaominuto.com/politica/735310/costa-satisfeito-por-uniao-europeia-nao-se-esconder-atras-de-muros

https://www.publico.pt/2017/02/21/sociedade/noticia/portugal-comprometese-a-retirar-a-queixa-contra-espanha-no-caso-almaraz-1762772

http://p3.publico.pt/actualidade/ambiente/22941/almaraz-ou-quando-o-ceu-nos-cair-em-cima-da-cabeca

http://www.counterpunch.org/2017/02/20/fukushima-a-lurking-global-catastrophe/

http://www.esquerda.net/artigo/almaraz-ambientalistas-criticam-retirada-da-queixa-contra-espanha/47111

http://quercus.pt/comunicados/2017/fevereiro/5161-portugal-e-espanha-chegam-acordo-sobre-almaraz

1 Comment

  1. Enquanto Portugal não opinar em defesa da Libertação das Nacionalidades oprimidas por Castela, este reino tudo fará para, num último momento, chegar à fachada atlântica portuguesa. Tudo o que for dito em contrário é manifestação lamentável duma submissão inaceitável.CLV

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