O banco central da China continua a comprar ouro. Por Harry Dempsey

Espuma dos dias Compra Ouro

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

O banco central da China continua a comprar ouro

Gestores de reservas cambiais em todo o mundo estão a tentar reduzir a exposição ao dólar americano

 

Harry Dempsey Por Harry Dempsey em Londres

Editado por FTimes em 7 de outubro de 2019 (ver aqui)

43 O banco central da China continua a comprar ouro

 

A China adicionou quase mais 100 toneladas de ouro às suas reservas ao longo dos últimos dez meses, sublinhando a sua posição como sendo o seu banco central um dos principais compradores do metal precioso no mundo.

O Banco Popular da China anunciou no fim de semana que as suas reservas do metal amarelo subiram para 62,64 milhões de onças em setembro, um aumento de 190.000 onças em relação a agosto.

O aumento de quase 5,4 toneladas de ouro na posse da China – elevando o total das suas compras em ouro desde dezembro para cerca de 96 toneladas – acontece num momento em que os bancos centrais em todo o mundo têm estado a tentar diversificar os seus ativos de reserva que não em dólares americanos, à medida que as tensões comerciais continuam a aumentar. O ouro é considerado um ativo refúgio e uma reserva de valor em tempos de incerteza.

No ano passado, os bancos centrais, liderados pela Rússia, compraram mais ouro no ano passado do que em qualquer outro momento desde que a América decidiu abandonar o padrão-ouro em 1971, com cerca de 27 mil milhões de dólares em compras.

Até agora, este ano, um total de 14 bancos centrais, principalmente de mercados emergentes, reforçaram as suas reservas de ouro, de acordo com dados do Conselho Mundial do Ouro. Isso ajudou a apoiar o preço do ouro, que atingiu um valor de pico de seis anos no mês passado. Na segunda-feira foi negociado uma fração abaixo de $1.500 por onça troy, um aumento anual de cerca de 17%.

“A China não disse qual é a sua política de ouro, mas esse país precisaria de comprar dois anos de produção global para alcançar a diversificação”, disse Suki Cooper, analista de metais preciosos do Standard Chartered Bank. “Parece que está no caminho certo ao adicionar 150 toneladas pelo período de um ano. O desejo de adquirir ouro aí está.”

O banco central da China continuou a acumular barras de ouro, já que a guerra comercial com os EUA mostra poucos sinais de abrandamento e a sua economia interna está em desaceleração. Os negociadores dos EUA e da China deverão reunir-se no final da semana.

As reservas cambiais da China mantiveram-se bastante estáveis ao longo dos últimos dois anos, com uma média de $3,1 milhões de milhões. Pequim não fornece uma ventilação completa dos seus ativos mas os altos funcionários já disseram anteriormente que o mix de moedas está amplamente em linha com a composição das reservas globais, conforme indicado pelos dados do FMI coletados junto dos países membros. Os ativos em dólares dos EUA representavam 64 por cento das reservas atribuídas no final de 2016, de acordo com os dados mais recentes do FMI.

____________________

O autor: Harry Dempsey, repórter estagiário no Financial Times.

 

Leave a Reply