ELEIÇÕES NOS ESTADOS UNIDOS EM 2020 – O QUE NOS ESPERA – III – A ROMPER PELAS COSTURAS – A CRISE DA POBREZA ESTÁ A CHEGAR-NOS A CASA, por ADAM TAGGART

Falling Through The Cracks. The poverty crisis is hitting home, por Adam Taggart

Peak Prosperity, 15 de Janeiro de 2020

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota 

 

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O que vai ser preciso para que as forquilhas desapareçam? Quanto mais é que o homem comum precisa de ser abusado antes de acordar e dizer: “Não vou aguentar mais isto!”?

Como se tem discutido em detalhe neste blog, os nossos sistemas económicos e políticos foram capturados por interesses monetários. A indústria, o governo, os mercados e o sistema judicial, todos trabalham em benefício desses mesmos interesses e não dos nossos.

O resultado? Uma aceleração da riqueza e das oportunidades longe das massas e para os bolsos dos primeiros 1% (na verdade, os primeiros 0,1%).

O povo está a ser literalmente sacrificado para que um pequeno número de elites poderosas possa desfrutar de “mais” e “mais”.

Hoje, eu não vou me impor com a minha habitual investida de gráficos e dados. Em vez disso, vou fazê-lo apenas visualmente.

Todos nós lemos os artigos sobre a classe média a desaparecer enquanto se está a assistir à explosão dos sem-abrigo nos últimos anos.

Bem, eu vivo no norte da Califórnia, no Condado de Sonoma, cerca de uma hora a norte de São Francisco. É bastante agradável viveraqui em cima, com muitas pequenas quintas, pomares e vinhedos.

Sim, há gente rica aqui. Mas nada como o resto da área da baía. A maioria das famílias são da classe trabalhadora.

A economia local não é em nada comparável com o frenesim tecnológico de Silicon Valley. Mas é melhor do que na maioria dos lugares do país.

Pelo menos, tem sido.

Recentemente, tornou-se impossível não ver os sinais de que mais e mais pessoas estão a cair na pobreza. Elas simplesmente não podem pagar o aumento crescente do custo de vida, mesmo que tenham um emprego.

Aqui onde eu moro, em nenhum outro lugar isso é mais evidente que na via de Joe Rodota que liga a minha pequena cidade de Sebastopol com a cidade vizinha de Santa Rosa. Durante o ano passado, esta rota anteriormente tranquila, limpa, de bicicletas e de peões explodiu e transformou-se num um acampamento de pessoas sem abrigo para centenas de pessoas desprovidas de quase tudo.

(O primeiro dos vídeos abaixo foi filmado por Adam Taggart, com a ajuda da filha Charlotte. Os outros dois foram seleccionados por Júlio Marques Mota).

 

https://video.search.yahoo.com/search/video?fr=mcafee_uninternational&p=Joe+Rodota+trail+homeless#action=view&id=38&vid=a2003177bcaa6343249c4a27fa9bcd1d

ou

https://video.search.yahoo.com/search/video?fr=mcafee_uninternational&p=Joe+Rodota+trail+homeless#id=13&vid=8825498d8d4756c3b5c44ec6320ca597&action=view

O YouTube está cheio de vídeos chocantes semelhantes de acampamentos muito maiores em toda a Costa Oeste, de Los Angeles a Seattle. Aqui na Bay Area, até as nossas cidades “jóias” de São Francisco e Berkeley estão a ser invadidas por um problema explosivo de pessoas sem-abrigo e pelas questões de saúde mental, saneamento, dependência, segurança e crime que lhes estão associadas.

É uma questão importante, sem uma solução clara à vista. E a ideia de muita gente é que a tendência será para piorar. e para muito pior

Lembrem-se, estamos no 11º ano da mais longa expansão económica da história dos EUA. Os mercados estão em níveis recordes. A taxa de desemprego oficial está a um valor histórico como mínimo.

Quando a próxima recessão chegar, será como derramar combustível de avião sobre este incêndio.

O número das pessoas sem-abrigo na Califórnia duplicou nos últimos anos e os nossos sistemas de apoio social já estão sobrecarregados. Como será então se despedimentos em massa fizerem com que a população desabrigada quadruplique num só ano ?

Continuo espantado com o quão difícil é a vida para os milhões de trabalhadores pobres na América. Que condições duras eles sofrem apenas para manter um emprego, dormir sob (qualquer) abrigo, encontrar comida e acordar no dia seguinte para fazer tudo de novo. Dia após dia, sempre preocupados que doenças, ferimentos, infortúnios ou roubos possam comprometer o pouco que têm.

Uma vez que se tenha caído na pobreza, especialmente se se tem dependentes familiares, é muito difícil sair dessa situação. Independentemente de quão difícil as pessoas se apliquem para sair desse inferno.

Se o leitor tiver tempo, recomendo assistir a este documentário de 45 minutos sobre a pobreza nos EUA, produzido por um serviço público alemão de radiodifusão. Atualmente mais de 40 milhões de americanos vivem abaixo da linha de pobreza – isso é o dobro do que em 1970.

Ver o nosso país através do olhar de estrangeiros é um claro e grave aviso de que ignoramos esta epidemia social metastatizante e por nossa conta e risco:

 

Como é que as pessoas pobres sobrevivem nos Estados Unidos – documentário disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=JHDkALRz5Rk

Voltando a minha pergunta no princípio deste post: O que vai ser preciso?

Quantos milhões mais vão cair na situação de pobreza? Quantos mais abusos continuarão até que aqueles de nós que estão atentos, com medo crescente das implicações sociais e talvez da nossa própria vulnerabilidade financeira, se revoltem ativamente contra o status quo centrado na elite?

Desde há milhares de anos, a história tem-nos advertido de que um tal desequilíbrio social não se manterá.

 

Fonte: Adam Taggart, Peak Prosperity, Falling Through The Cracks-The poverty crisis is hitting home. Texto disponível em:

https://www.peakprosperity.com/falling-through-the-cracks/?utm_source=Peak+Prosperity+Newsletter&utm_campaign=515ffe5ac2-weekly-peak-newsletter&utm_medium=email&utm_term=0_d77483a02b-515ffe5ac2-144270085

 

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