A Grande indústria farmacêutica – A cabeça da Hidra: a ascensão de Robert Kadlec (1ª parte). Por Raul Diego e Whitney Webb

Espuma dos dias 2 Coronavirus e a Hidra

Seleção e tradução de Francisco Tavares 

Este é um importante e elucidativo artigo sobre a carreira de um homem que ocupa um lugar chave no sistema de governo dos Estados Unidos na área da saúde, intimamente ligado ao complexo militar industrial na área das armas biológicas. Apesar de os autores o apelidarem de “A Cabeça da Hidra”, do artigo é possível concluir que a Hidra da Grande Indústria Farmacêutica mais parece a Hidra de Lerna da mitologia grega que tem não se sabe quantas cabeças e que se uma desaparece logo reaparecem pelo menos mais duas para lhe ocupar o lugar. Potenciais sucessores à sua posição no sistema não faltam, seus companheiros de estrada: Tevi Troy, Yonah Alexander, Tom Daschle, Donna Shalala, Lewis “Scooter” Libby, Von Thaer, Craig Vanderwagen, Randall Larsen, Tara o’Toole, Jerome Hauer, Stephen Hatfill, William Patrick e muitos outros.

E o lugar requer alguém que, como ele, seja um alarmista do bioterrorismo, ficcionador de cenários iminentes, horríveis e apocalípticos de ataques com armas biológicas (por exemplo o exercício Dark Winter em junho de 2001) e que inspiraram, e inspiram, o medo entre presidentes, políticos de topo e o público americano. Os ataques de antrax ocorridos entre setembro e outubro de 2001 caíram que nem sopa no mel. Mais tarde, em agosto de 2008, o FBI acusou o cientista Bruce Ivins de ser o único responsável de tais ataques. Ivins trabalhava como investigador no Instituto de Investigação Médica do Exército dos Estados Unidos da América sobre Doenças Infecciosas, em Fort Detrick (Maryland), e suicidou-se dias antes em julho de 2008. As acusações nunca foram formalizadas e as conclusões do FBI foram contestadas, nomeadamente por senadores e deputados do Congresso que defenderam que Ivins não era o único responsável pelos ataques. Em 2011, um painel da academia de ciências concluiu não ser possível chegar a uma conclusão definitiva sobre a origem do antrax.

Não obstante, Kadlec e toda a entourage que o acompanha, e que ele acompanha, prosseguiram a sua “missão” de salvar os EUA e o mundo de hipotéticos ataques com armas biológicas. E a sua entourage não é outra senão a Grande Indústria Farmacêutica, o complexo industrial militar, e todo um conjunto de alarmistas bioterroristas e uma miríade de institutos (públicos e privados), fundações, empresas e outras organizações que percorrem e formam os interstícios deste sistema que é a Big Pharma, que toca e influencia os mais altos escalões do governo e das instituições dos EUA.

Cabe salientar que este senhor paranóico do bioterrorismo e da guerra biológica está intimamente associado à guerra, e subsequente destruição, do Iraque. Ele esteve presente no Iraque regularmente – 1994, 1996, 1998, 2003, 2004 – sem nunca ter conseguido comprovar, apesar das afirmações em contrário ou que deixavam a dúvida no ar (afirmações do tipo “a capacidade de descobrir a verdade sobre o programa de armas biológicas do Iraque nunca foi bem sucedida”, cf. declarações ao Comité de Segurança Interna da Câmara dos Representantes em fevereiro de 2014), a existência de um programa de armas biológicas do Iraque. O facto de “a verdadeira natureza do trabalho e a relevância para o esforço ofensivo das armas biológicas iraquiano nunca [ter sido] verificado” servia como suporte às afirmações da existência desse programa para lá de qualquer dúvida. Aliás, este tipo de afirmações falsas, incluindo a fabricação de provas, no que diz respeito à detenção de armas de destruição massiva pelo Iraque (também completamente desmentido pelo testemunho de ElBaradei, então diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica, cf. A Era da Mentira, ed. Matéria-prima 2011) serviu de justificação perante o mundo para a invasão do Iraque em 2003, e a destruição que se lhe seguiu.

Naturalmente, este gigantesco sistema da Grande Indústria Farmacêutica envolve milhões de milhões, estamos a falar de medicamentos, vacinas, armas biológicas. O episódio relatado quanto ao ganho de 5 milhões de dólares por Donald Rumsfeld com as ações da empresa (Gilead) que descobriu e desenvolveu a vacina Tamiflu (contra a gripe aviária, 2005/2006) é tão só um pequeno apontamento sobre os montantes que estarão envolvidos. É curioso constatar como também na atual crise do Covid-19 declarações de responsáveis dos EUA sobre supostos resultados positivos de ensaios impactam imediatamente na valorização bolsista: “o NASDAQ aumentou 3,5%, depois de o conselheiro de saúde da Casa Branca, Dr. Anthony Fauci, ter anunciado que um ensaio com medicamentos Remdesivir, que envolveu cerca de 800 pacientes, deu boas notícias”, segundo relato de Victor Hill em A Journal of the Plague Year- Part the First. Com este medicamento encontramos novamente uma já nossa conhecida cara: a Gilead. Victor Hill refere também outro participante do Big Pharma: “no início de Abril, o Governo dos EUA afetou mil milhões de dólares a um projeto com a Johnson & Johnson (NYSE:JNJ), co-financiando a investigação através da BARDA- Autoridade de Investigação e Desenvolvimento Avançado Biomédico”.

Entretanto, hoje, Robert Kadlec é, desde 2017, confortavelmente, Secretário Adjunto da Saúde e dos Serviços Humanos para a Prevenção e Reação. Como dizem os autores, “vacinas, antídotos e medicamentos de propriedade federal – detidos em repositórios estrategicamente organizados em todo o país em caso de emergência sanitária – estão agora nas mãos de um único indivíduo. Esses repositórios, que compõem a Armazenagem Estratégica Nacional (SNS)”.

 

FT

Nota: Dada a sua extensão o artigo é apresentado em 2 partes. No final do texto apresenta-se uma listagem das iniciais utilizadas ao longo do texto e seu significado em português. 

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A Grande indústria farmacêutica – A cabeça da Hidra: a ascensão de Robert Kadlec (1ª parte)

Por Raul Diego Raul Diego e Whitney Webb Whitney Webb

Publicado por MPN News em 15/05/2020 (ver aqui)

119 A Grande indústria farmacêutica A cabeça da Hidra a ascensão de Robert Kadlec 1

O Dr. Robert Kadlec testemunha perante uma audiência da Comissão de Educação, Trabalho e Pensões do Senado sobre o coronavírus no Capitólio, em 3 de Março de 2020, em Washington. Andrew Harnik | AP

Uma poderosa rede de agentes políticos, uma máfia global de vacinas e o seu homem em Washington.

 

WASHINGTON DC (The Last American Vagabond) – Na sexta-feira passada, um grupo de senadores democratas “exigiu” que o Secretário Adjunto para a Preparação e Resposta (ASPR) do Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), Robert Kadlec, “revelasse com exactidão todos os seus laços pessoais, financeiros e políticos à luz das novas informações de que não o tinha feito anteriormente”, depois de ter sido revelado que não tinha registado todos os “potenciais conflitos de interesse” nos seus papéis de nomeação.

O relatório em questão, publicado na passada segunda-feira pelo The Washington Post, detalhava os laços da Kadlec com um homem chamado Fuad El-Hibri, o fundador de uma empresa de “ciências da vida”, inicialmente conhecida como BioPort e agora denominada Emergent Biosolutions. Kadlec tinha anteriormente revelado as suas ligações a El-Hibri e à Emergent Biosolutions para uma nomeação separada anos antes, mas não o fez quando foi nomeado para chefiar o ASPR.

Embora o Washington Post note a recente falha de Kadlec em divulgar estas ligações, o artigo saneia em grande parte a anterior mas crucial história de Kadlec e até ofusca toda a extensão dos seus laços com o fundador do BioPort, entre outras omissões gritantes. Na realidade, Kadlec tem muito mais do que os seus laços com El-Hibri, que se apresentam como “potenciais conflitos de interesses”, uma vez que a sua carreira de décadas na definição da política de “biodefesa” dos EUA foi directamente possibilitada pelos seus profundos laços com a inteligência, a Grande Indústria Farmacêutica, o Pentágono e uma série de personagens corruptos mas poderosos.

Graças a um longo e deliberado processo de introdução da política de biodefesa, conduzido por Robert Kadlec e pelos seus patrocinadores, 7 mil milhões de dólares de vacinas, antídotos e medicamentos de propriedade federal – detidos em repositórios estrategicamente organizados em todo o país em caso de emergência sanitária – estão agora nas mãos de um único indivíduo. Esses repositórios, que compõem a Armazenagem Estratégica Nacional (SNS), são do domínio exclusivo do ASPR da HHS, um posto criado sob o olhar atento de Kadlec e adaptado ao longo dos anos para satisfazer as suas necessidades muito específicas.

A partir desta posição, Robert Kadlec tem a última palavra sobre a proveniência do conteúdo das reservas armazenadas, bem como sobre como, quando e onde são implantadas. É o único fornecedor de material médico e farmacêutico, o que o torna o melhor amigo da Grande Indústria Farmacêutica e de outros gigantes da indústria da saúde que têm estado ao seu ouvido ao longo de todo o seu caminho.

Kadlec garante-nos, no entanto, que o facto de ocupar agora precisamente o cargo para o qual trabalhou durante tanto tempo é uma mera coincidência. “A minha participação no projecto ASPR começou na altura em que trabalhava para o presidente da Subcomissão sobre Bioterrorismo e Prevenção da Saúde Pública… O projecto de lei foi transformado em lei e o ASPR foi criado. Foi uma coincidência que, 12 ou 14 anos depois, me tenham pedido para me tornar o ASPR”, declarou Kadlec em 2018.

Foi tudo uma reviravolta aleatória do destino, afirma Kadlec, que o viu ocupar o ASPR neste momento crucial da história dos Estados Unidos. Na verdade, com o país agora no meio de uma pandemia de coronavírus declarada pela OMS, Kadlec tem agora o controlo total sobre os poderes de “emergência” desse mesmo gabinete, conferidos pela própria lei que ele tinha escrito.

A história de como um ex-cirurgião de voo da Força Aérea dos Estados Unidos veio a ter a licença exclusiva de comerciante sobre o maior depósito de drogas da história do mundo é tão perturbador quanto significativo à luz dos acontecimentos atuais, especialmente tendo em conta que Kadlec lidera agora a resposta do coronavírus para todos os serviços de saúde. No entanto, a ascensão da Kadlec ao poder não é um caso de um génio do mal conquistando um ponto único e vulnerável dos recursos da nação. Em vez disso, é um caso de um homem profundamente enredado no mundo da inteligência, da inteligência militar e da corrupção empresarial, cumprindo devidamente a visão dos seus amigos em lugares altos e à porta fechada.

Nesta terceira parte de “Engineering Contagion: Amerithrax, Coronavirus and the Rise of the Biotech-Industrial Complex“, Kadlec é comprovadamente proveniente de um grupo restrito de “alarmistas bioterroristas” do governo e do setor privado que ganharam destaque graças à sua propensão para imaginar os cenários mais horríveis, mas fictícios, que inspiraram o medo entre presidentes, políticos de topo e o público americano. Entre esses cenários fictícios estava o exercício “Inverno Negro”, discutido na Parte I [publicado em The Last American Vagabond).

Alguns destes alarmistas, entre os quais os “guerreiros do frio” dos tempos do Fort Detrick, que desenvolviam abertamente armas ofensivas, iriam participar em perturbadoras experiências e estudos de antrax, desenvolvendo ao mesmo tempo laços suspeitos, em 2000, com uma empresa chamada BioPort. Tal como referido na Parte II desta série publicada em The Last American Vagabond, a BioPort perderia tudo no início de Setembro de 2001, devido à controvérsia sobre a sua vacina contra o antrax. É claro que os ataques com antrax de 2001 que se seguiram pouco depois mudariam tudo, não só para a BioPort, mas também para a política de biodefesa dos EUA. Com o cenário montado, Kadlec entraria rapidamente em acção, orientando as grandes mudanças políticas na peugada dos grandes acontecimentos e catástrofes subsequentes, culminando com a sua coroação como rei do arsenal.

 

O louco acidental

Robert Kadlec descreve-se a si próprio como tendo sido um “turista acidental” no que respeita à sua introdução na guerra biológica. Médico da Força Aérea especializado em doenças tropicais, Kadlec diria mais tarde que o seu interesse na área começou quando foi designado para ser assistente especial de Guerra Química e Biológica do Comando Conjunto de Operações Especiais (JSOC), aconselhando o então chefe do Comando de Operações Especiais Major-General Wayne Downing, na véspera da primeira Guerra do Golfo.

Mais tarde, Kadlec declararia que tinha testemunhado em primeira mão como os militares, imediatamente antes da Guerra do Golfo [N.T. também conhecida por Operação Tempestade no Deserto, 1990-1991, sendo presidente dos EUA George Bush pai], tinham “falta do necessário equipamento de protecção, detectores e contramedidas médicas, incluindo vacinas e antibióticos, contra as ameaças imediatas colocadas pelo Iraque”, o que alegadamente o levou a querer melhorar os esforços de biodefesa dos EUA.

Enquanto ocupava este posto no Comando JSOC, Kadlec estava a par dos conselhos de William C. Patrick III, um veterano do programa de armas biológicas dos EUA que tinha desenvolvido o método americano de armamento do antrax e detinha nada menos que cinco patentes classificadas relacionadas com a utilização da toxina na guerra. Patrick, que tinha deixado o serviço governamental em 1986 para se tornar consultor, aconselhou o Pentágono – então chefiado por Dick Cheney – que o risco de um ataque com armas biológicas por parte do Iraque, particularmente com o antrax, era elevado. O aviso de Patrick levou os militares norte-americanos a vacinar dezenas de milhares das suas tropas com a controversa vacina contra o antrax “anthrax vaccine adsorbed (AVA)”. Kadlec injectaria pessoalmente AVA em cerca de 800 membros das Forças Armadas dos EUA.

Kadlec observaria mais tarde no testemunho no Congresso que não foi encontrada qualquer prova definitiva de um alegado programa de armas biológicas iraquianas durante a guerra ou posteriormente, mas que, no entanto, os iraquianos admitiram mais tarde ter adquirido grandes quantidades de agentes biológicos – o antrax e a toxina do botulismo”, sugerindo que os avisos de Patrick tinham tido alguma base na realidade.

Contudo, Kadlec assinalou que estas amostras de antrax e botulismo tinham sido vendidas, com a aprovação total do governo dos EUA, ao Ministério da Educação do Iraque por uma entidade privada sem fins lucrativos dos EUA, a American Type Culture Collection. Donald Rumsfeld, que era então um enviado da administração Reagan e dirigia uma empresa farmacêutica vendida posteriormente à Monsanto, também estaria envolvido no envio dessas amostras para o Iraque [N.T. Aquando da invasão do Iraque em 2003, Rumsfeld era secretário da defesa de George Bush filho].

Após a guerra, o microbiologista americano Joshua Lederberg foi encarregado pelo Pentágono de chefiar a investigação do “Síndrome da Guerra do Golfo”, um fenómeno que estudos posteriores relacionaram com os efeitos adversos da vacina contra o antrax. O grupo de trabalho de Lederberg argumentou que as provas relativas a uma associação entre a sintomologia e a vacina contra o antrax eram insuficientes. Todavia, mais tarde, ele ficaria debaixo de fogo depois de ter sido noticiado que ele fazia parte da administração da American Type Culture Collection, a mesma empresa que tinha enviado antrax para o governo iraquiano entre 1985 e 1989 com a bênção do governo dos EUA. Lederberg admitiu mais tarde que a investigação que conduziu não tinha gasto “tempo e esforço suficientes para desenterrar os pormenores”. As conclusões do grupo de trabalho foram mais tarde duramente criticadas pelo Gabinete de Responsabilização do Governo.

O Dr. Lederberg [1925-2008] provaria ser uma influência inicial, se não mesmo seminal, da perspectiva de Robert Kadlec no que se refere ao tema da bio-guerra. O Prémio Nobel [de 1958] e presidente de longa data da Universidade Rockefeller foi um dos pais do alarmismo do bioterrorismo nos Estados Unidos, juntamente com William C. Patrick III e outros membros de um grupo restrito de microbiologistas “guerreiros do frio”. Kadlec e Lederberg continuariam a colaborar em vários livros e estudos políticos ao longo do final dos anos 90 e até 2001.

Anos mais tarde, numa audiência no Congresso, Kadlec diria que as palavras de Lederberg “ressoam constantemente comigo e servem como um aviso prático”. Além de Lederberg, Kadlec também escrevia numerosos livros e artigos com Randall Larsen, que mais tarde contrataria o médico para ensinar “estratégia e operações militares” na National War College, onde o amigo íntimo de Larsen – William C. Patrick III – também ensinava.

Um oásis envenenado

Muitos dos delírios bioterroristas de Kadlec foram preservados em livros escolares com 25 anos de idade, como um livro didático da Faculdade de Guerra Aérea dos Estados Unidos intitulado “Battlefield of the Future“, onde Kadlec apela ao governo para que crie um arsenal massivo de medicamentos e vacinas para proteger a população de um ataque com armas biológicas, particularmente antrax ou varíola. Num capítulo, Kadlec argumentou que as reservas de antibióticos, imunoglobulinas e vacinas necessárias teriam de ser adquiridas, mantidas e estar prontamente disponíveis para administração em poucas horas”.

As opiniões de Kadlec sobre o assunto na altura em que escreveu foram grandemente influenciadas pela sua primeira viagem como inspetor de armas da UNSCOM ao Iraque, em 1994, onde foi acompanhado por William Patrick, entre outros. Kadlec regressaria mais tarde ao Iraque na mesma qualidade, em 1996 e 1998, em busca dos alegados armazéns de antrax de armamento do Iraque, que Patrick tinha tanta certeza de que estavam lá, mas que nunca se materializaram.

Após três visitas, Kadlec confessaria mais tarde que, apesar do que ele chamou “o regime de inspecção e controlo mais intrusivo alguma vez concebido e implementado” pela ONU, os inspectores de armamento da UNSCOM, incluindo ele próprio e William Patrick, “não conseguiram descobrir qualquer prova irrefutável de um programa ofensivo de BW [armas biológicas]”. Kadlec regressaria mais tarde ao Iraque em duas ocasiões distintas após a invasão do país pelos EUA em 2003, mais uma vez sem encontrar qualquer prova da existência do programa.

Em 1995, Kadlec já estava imbuído do alarmismo das armas biológicas que tinha sido defendido por Lederberg e Patrick. Naquele ano, ele deu a conhecer vários “cenários ilustrativos” relativamente à utilização da “guerra económica biológica” contra os Estados Unidos. Um desses cenários fictícios, intitulado “Terrorismo do Milho”, envolve a China a planear “um acto de terrorismo agrícola”, pulverizando clandestinamente sementes de milho sobre o Midwest, utilizando aviões comerciais. O resultado do cenário “Terrorismo do Milho” é que “a China ganha uma parte significativa do mercado do milho e dezenas de milhares de milhões [de] dólares de lucros adicionais com a sua colheita”, enquanto os EUA vêem a sua colheita de milho obliterada, fazendo subir os preços dos alimentos e os EUA importarem milho. Outro cenário, intitulado “That’s a ‘Lousy’ Wine”, envolve “vinicultores europeus descontentes” que libertam secretamente piolhos de uva que têm escondidos em latas de paté para atingir os produtores de vinho da Califórnia.

Por esta mesma altura, em 1994, o relativamente jovem Gabinete do Congresso de Avaliação Tecnológica ou OTA, que informava as decisões políticas em torno de questões de complexidade tecnológica e científica em matéria de segurança nacional, foi cortado pela nova maioria republicana que ganhou ambas as câmaras (Representantes e Senado) nas eleições centrais de 1994 a meio do mandato. Na altura do corte no seu financiamento, Lederberg integrou o Conselho Consultivo de Avaliação Tecnológica da OTA (OTA-TAAC), juntamente com os membros da indústria farmacêutica da Bristol-Myers Squibb, da Lilly Research Labs e da Smith-Kline, antes da fusão, e presidiu a um dos seus últimos painéis de estudo.

No lugar da OTA, foi colocada uma entidade independente e sem fins lucrativos chamada The Potomac Institute for Policy Studies (PIPS) que foi co-fundada pelo consultor especial do Foreign Intelligence Advisory Board (PFIAB) do Presidente H.W. Bush e por um antigo monitor de programa da CIA, Michael S. Swetnam, que foi alegadamente “encarregado de traçar o perfil de Osama Bin Laden antes dos ataques de 11 de Setembro”.

O fim do financiamento do gabinete OTA e a subsequente criação do instituto Potomac (PIPS) transferiram a elaboração de políticas sobre aquelas que são, talvez, as questões mais sensíveis da segurança nacional para fora do Congresso e para uma fundação privada cheia de operadores provenientes das vastas profundezas do complexo industrial militar (MIC). Antigos oficiais militares, cientistas da DARPA (Agência de Projectos de Investigação Avançada em matéria de Defesa), peritos em política da NASA, agentes do FBI, operacionais da CIA e contratantes da defesa como Northrop Grumman, podem todos ser encontrados nos seus registos de membros e nas seus conselhos de administração.

O Instituto Potomac (PIPS) e os seus patrocinadores seguiriam de perto a carreira de Robert Kadlec no governo desde o início e mantêm-se hoje muito próximos dele. Um indivíduo ligado ao PIPS trabalharia em estreita colaboração com Kadlec, Tevi Troy – um membro sénior do PIPS e um membro adjunto do muito mais polido Instituto Hudson, ele próprio um dos principais financiadores do PIPS. Há muito que Troy tem sido parte integrante na definição da agenda política de biodefesa de Kadlec, que permaneceria manifestamente estática e imutável ao longo de toda a carreira que ele estava a iniciar.

 

A varíola americana

Em 1996, começaram conversações no seio da liderança militar sobre o que viria a ser o programa do Pentágono de vacinação obrigatória contra o antrax, uma política incansavelmente promovida por Joshua Lederberg, que estava envolvido na “investigação” das ligações entre a vacina contra o antrax e a Síndrome da Guerra do Golfo. As conversações privadas tiveram lugar em paralelo com um esforço público para trazer a guerra biológica para a linha da frente da consciência pública americana. Um exemplo particularmente flagrante ocorreu quando o então Secretário de Defesa William Cohen foi ao ABC News com um saco de açúcar de cinco quilos, afirmando que “esta quantidade de antraz podia ser espalhada por uma cidade, digamos do tamanho de Washington”. Destruiria pelo menos metade da população dessa cidade”.

Ao mesmo tempo, Joshua Lederberg também defendia o armazenamento de uma vacina contra a varíola, que os militares americanos também levaram a peito, dando a uma empresa chamada DynPort um contrato multimilionário exclusivo para produzir uma nova vacina contra a varíola em 1997. Pouco tempo depois, foi constituída a BioPort, a empresa irmã da DynPort, que em breve viria a monopolizar a produção dessa vacina.

Na altura em que a BioPort (agora conhecida como Emergent Biosolutions) tinha ganho de forma controversa o controlo sobre este lucrativo contrato do Pentágono em 1998, o então Presidente Bill Clinton avisava publicamente que os EUA deviam “enfrentar os novos perigos das armas biológicas e químicas”, acrescentando que Saddam Hussein estava especificamente “a desenvolver armas nucleares, químicas e biológicas e os mísseis para as entregar”. No entanto, não houve informações que apoiassem estas alegações, especialmente depois das tentativas falhadas dos inspectores de armamento, como Robert Kadlec e William Patrick, de encontrar quaisquer provas de um programa de armas biológicas iraquiano.

Apesar da falta de provas relativas aos alegados programas de “Armas de Destruição Massiva” do Iraque, a preocupação de Clinton com uma ameaça de armas biológicas terá sido o resultado da sua leitura de “The Cobra Event”, um romance sobre como um agente patogénico geneticamente modificado chamado “varíola cerebral” assola a cidade de Nova Iorque. O autor do romance, Richard Preston, tinha sido aconselhado sobre a guerra biológica e os agentes patogénicos geneticamente modificados por ninguém menos do que William Patrick. Patrick, então conselheiro da CIA, do FBI e dos serviços secretos militares, também participou em reuniões à porta fechada com Clinton sobre armas biológicas, alegando que a sua utilização era inevitável e que o mais mortífero dos agentes patogénicos podia facilmente ser feito numa “garagem de terroristas”.

É também provável que o alarmismo de Clinton em relação às armas biológicas e químicas tivesse sido informado, em parte, por uma mesa redonda organizada na Casa Branca em 10 de Abril de 1998. Esta “Mesa Redonda da Casa Branca sobre Engenharia Genética e Armas Biológicas” incluiu um grupo de “especialistas externos” liderado por Joshua Lederberg e incluiu vários outros alarmistas bioterroristas, como, por exemplo: Jerome Hauer, então director do Gabinete de Gestão de Emergências de Nova Iorque (que também foi assessorado por William Patrick III) e Thomas Monath, executivo da indústria de vacinas e consultor científico principal do director da CIA George Tenet.

Discutiram-se em profundidade na mesa redonda “as oportunidades e os desafios de segurança nacional colocados pela engenharia genética e pela biotecnologia”, bem como “material classificado relacionado com avaliações de ameaças e a forma como os Estados Unidos respondem a cenários específicos”.

Robert Kadlec, apesar de ser republicano, continua a gostar muito de Bill Clinton, talvez porque o ex-presidente estava tão atento às previsões terríveis dos “peritos em biodefesa” que acompanharam a própria carreira de Kadlec. Kadlec credita o ex-presidente a fazer “muitas coisas boas” e a dar importantes contribuições para o avanço da agenda política do complexo industrial biotecnológico.

Clinton emitiria várias ordens executivas e directivas de decisão presidencial (PDD) durante este período, como a PDD-62, que abordava especificamente os preparativos para um ataque “ADM” contra os EUA e solicitava que o Departamento de Saúde e Serviços Humanos (HHS), então liderado por Donna Shalala, liderasse a resposta nacional a um ataque com ADM. Fortuitamente para Kadlec, o PDD-62 apelou também à construção de um arsenal nacional de vacinas, antibióticos e outros produtos médicos.

Na altura, Kadlec já estava a evangelizar o público acerca de um ataque aparentemente iminente e apocalíptico, com a certeza de que iria atacar a qualquer momento. Como citado num artigo de 1998 do Vancouver Sun, Kadlec especulou:

“Se vários quilos de um agente como o antrax fossem hoje disseminados em Nova Iorque, as estimativas conservadoras situam em 400.000 o número de mortes que ocorrerriam nos primeiros dias. Milhares de outros estariam em risco de morrer em vários dias se não se iniciassem imediatamente os antibióticos e a vacinação adequados. Milhões de outras pessoas teriam receio de serem expostas e procurariam ou exigiriam também cuidados médicos. Para além das implicações sanitárias imediatas de um tal acto, o pânico potencial e a agitação civil criariam uma resposta igualmente grande”.

As especulações apocalípticas de Kadlec sobre ataques com armas biológicas chamaram a atenção de Randall Larsen, o então director do Departamento de Estratégia e Operações Militares da Academia Nacional de Guerra, que contratou Kadlec porque “se tinha convencido de que a ameaça mais grave para a segurança nacional não eram os mísseis russos ou chineses, mas sim uma pandemia – causada pelo homem ou que ocorre naturalmente”. Pouco tempo depois, Kadlec e Larsen colaborariam estreitamente, sendo co-autores de vários estudos em conjunto.

Entretanto, o seu colega na Academia Nacional de Guerra, William Patrick III, trabalhava simultaneamente para o contratante do exército americano e dos serviços secretos, o Battelle Memorial Institute, onde estava a desenvolver secretamente uma forma geneticamente modificada e mais potente de antraz para um programa classificado do Pentágono.

 

A intelligentsia do bioterrorismo

Um ano após ter contratado Robert Kadlec para leccionar no National War College, Randall Larsen também esteve envolvido na criação de uma nova organização chamada ANSER Institute for Homeland Security (ANSER-IHS), e serviu como seu director. Este Instituto para a Segurança Interna, iniciado e financiado em Outubro de 1999, foi uma extensão do Instituto ANSER, que tinha sido separado da Corporação RAND no final dos anos 50. A Corporação RAND é um “think tank” centrado na segurança nacional com laços de longa data com as Fundações Ford e Rockefeller e a Corporação Carnegie.

A expansão da ANSER através da ANSER-IHS foi precedida pela entrada da “defesa da pátria” no discurso político popular dos meios políticos de Washington. O termo terá tido origem num relatório do Painel de Defesa Nacional apresentado em 1997 e é creditado ao membro do Painel de Defesa e antigo oficial da CIA com ligações ao programa Phoenix da agência, Richard Armitage. Armitage fazia parte do grupo conhecido como os “Vulcanos“, que aconselharam George W. Bush sobre questões de política externa antes das eleições presidenciais de 2000.

Como a jornalista Margie Burns salientou num artigo de 2002, a necessidade de “defesa da pátria” como um dos principais focos da política do governo dos EUA, incluindo o impulso à criação de uma nova agência de “segurança interna”, foi dramaticamente ampliada na sequência da sua alegada criação por Armitage em 1997. Isto deveu-se, em parte, a uma teia de meios de comunicação social pertencentes ao líder de culto sul-coreano e a ativo da CIA Sun Myong Moon, nomeadamente o Washington Times, a Insight Magazine e a UPI, que publicaram numerosos artigos escritos por analistas da ANSER ou que citaram fortemente relatórios e funcionários da ANSER sobre a necessidade de um aparelho de “segurança interna” grandemente expandido.

Um desses artigos, publicado pela Insight Magazine em Maio de 2001 e intitulado “Preparing for the Next Pearl Harbor”, cita fortemente a ANSER e o seu Institute for Homeland Security como estando entre os “melhores peritos da nação”, alertando para a iminência de um ataque terrorista ao continente americano. Afirma ainda que “os primeiros a responder no campo de batalha de amanhã não serão soldados, mas sim trabalhadores das ambulâncias da cidade e bombeiros de pequenas cidades”.

A ANSER-IHS foi criada sob o impulso da CEO da ANSER, a Dra. Ruth David, que se tornou a principal executiva da ANSER depois de deixar uma longa carreira na CIA, onde tinha sido Directora Adjunta para a Ciência e Tecnologia da agência. Na direcção da ANSER-IHS na altura, ao lado de David, estavam Joshua Lederberg e a Dra. Tara O’Toole, então directora do Johns Hopkins Center for Civilian Bio-defense Studies, que mais tarde seria co-escritora do exercício Dark Winter.

Embora tenha sido criada pela primeira vez em 1999, a ANSER-IHS só foi oficialmente lançada em Abril de 2001. Nesse mesmo mês, Robert Kadlec, na National War College, patrocinou o artigo “A Micro-Ameaça com Macro-Impacto: A Ameaça biológica e a necessidade de uma estratégia nacional de segurança em matéria de bio-defesa“. Esse documento começa citando vários ex-funcionários da CIA, bem como o Dr. O’Toole (que agora trabalha para o braço de capital de risco da CIA, o In-Q-Tel) como prova de que um ataque bioterrorista é “talvez a maior ameaça que os EUA enfrentam no próximo século” e que tal ataque iria inevitavelmente atingir “americanos em solo americano”.

Este relatório patrocinado por Kadlec apelava igualmente à criação da Agência Nacional de Segurança Interna (NHSA), cujo enquadramento constava do R.H. 1158, introduzido um mês antes, em Março de 2001. O documento instava a que a criação desta nova agência a nível de gabinete fosse aprovada “rapidamente, para que o agente executivo único resultante (identificado a partir daqui como a NHSA) possa iniciar o seu trabalho crítico”. Defendeu ainda que esta agência inclui “um cargo de director-adjunto … especificamente responsável pela preparação e resposta a um bio-ataque”.

Outras medidas recomendadas no documento incluíam a grande expansão do arsenal de defesa nacional; a criação de um sistema nacional de notificação de doenças; e a criação de detectores automáticos em tempo real de ameaças biológicas. Estes últimos seriam iniciados logo após a publicação deste documento, resultando na polémica “Biological Aerosol Sentry and Information Systems” (BASIS). A BASIS foi discutida na Parte I desta série, particularmente o seu papel na “indução do próprio pânico e da perturbação social que se pretende contrariar” durante e após os ataques com antraz de 2001 que ocorreriam meses mais tarde. A BASIS foi desenvolvida em grande parte pelo Lawrence Livermore National Laboratory, cujo director da Agência de Redução de Ameaças para a Defesa (DTRA), Jay Davis, era então presidente do conselho de administração da ANSER.

Também é notável o facto de o relatório de Abril de 2001 de Kadlec citar o amplamente desacreditado mas ainda influente Ken Alibek em várias ocasiões, incluindo a sua alegação de que qualquer pessoa com acesso à Internet e alguns dólares poderia produzir e libertar facilmente o antraz para armas. Alguns dos maiores especialistas em antrax do país desacreditariam esta afirmação, com excepção de William C. Patrick III.

Isto é provável porque foi Patrick que tinha sido convidado pela CIA a “vetar” Alibek depois de ter desertado da União Soviética em 1992, tornando Patrick responsável por determinar a credibilidade das controversas alegações de Alibek, incluindo as suas afirmações incorrectas de que Saddam Hussein tinha supervisionado um programa massivo de armas biológicas. Quanto ao seu encontro, Patrick diria mais tarde: “Não direi que nos apaixonámos, mas ganhámos um respeito imediato um pelo outro”.

Na altura da deserção de Alibek, Robert Kadlec – que tinha sido destacado para o Gabinete do Secretário da Defesa do Pentágono para a Política de Contra-Proliferação após a Guerra do Golfo – recordaria mais tarde, durante o Congresso de 2014, ter “testemunhado os esforços para apurar a verdade por detrás do esforço [de armas biológicas] da ex-União Soviética”, que tinha envolvido intimamente Alibek e Patrick. Kadlec observaria ainda que “o destino destes agentes [relacionados com o programa BW da União Soviética] e armas associadas”, incluindo as descritas por Alibek, “nunca foi satisfatoriamente resolvido”.

As afirmações chocantes mas duvidosas de Alibek foram frequentemente utilizadas e promovidas por Joshua Lederberg (que tinha interrogado outros investigadores soviéticos sobre armas biológicas após as suas deserções), Patrick e outros para apoiar as suas políticas favoritas de “biodefesa”, bem como a necessidade de investigação “defensiva” sobre armas biológicas, incluindo esforços clandestinos de engenharia genética de antrax, nos quais Patrick e Alibek colaborariam mais tarde.

 

(continua)

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Os autores:

Whitney Webb é uma jornalista colaboradora da MintPress News, sediada no Chile. Tem contribuído para vários meios de comunicação independentes, incluindo Global Research, EcoWatch, o Instituto Ron Paul e 21st Century Wire, entre outros. Já fez várias aparições na rádio e televisão e é a vencedora do Serena Shim Award for Uncompromised Integrity in Journalism [Integridade sem compromissos no Jornalismo], em 2019.

Raul Diego é escritor do MintPress News, fotojornalista independente, pesquisador, escritor e documentarista.

 

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Iniciais (traduzidas para português):

 

ANSER – Analytic Services, Inc.

ANSER-IHS – Instituto para a Segurança Interna

ASPHEP – Secretário Adjunto para a Preparação de Emergência da Saúde Pública

ASPR – Secretário Adjunto para a Prevenção e Reação

AVA – Vacina contra o antrax absorvida

BARDA – Autoridade de Investigação e Desenvolvimento Avançado Biomédico

BASIS – Sistemas de informação e vigilância de aerossóis biológicos

BW – armas biológicas

DARPA – Agência de Projectos de Investigação Avançada em matéria de Defesa

DHS – Departamento de Segurança Interna

DTRA – Agência de Redução de Ameaças para a Defesa

FDA – Administração de Alimentos e Medicamentos

FEMA – Agência de Gestão de Emergências

HHS – Departamento de Serviços de Saúde e de Recursos Humanos

H.R. – Projeto de lei com origem na Câmara dos Representantes

IUCTS – Centro Inter-Universitário de Estudos do Terrorismo (subsidiária de PIPS)

JSOC – Comando Conjunto de Operações Especiais

MIC – Complexo industrial militar

NASA – Administração Nacional da Aeronáutica e do Espaço

NHSA – Agência para a Segurança Interna Nacional

NPS – Armazenagem Farmacêutica Nacional

NTI – Iniciativa sobre a Ameaça Nuclear

OPHP – Gabinete de Prevenção para a Saúde Pública (do HHS)

OTA – Gabinete do Congresso de Avaliação Tecnológica

PAHPA – Lei de Prevenção para a Pandemia e Todos os Perigos

PAHPRA – Lei de Reautorização para a Prevenção da Pandemia e Todos os Perigos

PDDs – Directivas de decisão presidencial

PFIAB – Conselho Consultivo de Informações Externas do Presidente

PIPS – Instituto Potomac de Estudos Políticos

PNAC – Projeto para um Novo Século Americano

SAIC – Science Applications International Corporation

SNS – Armazenagem Estratégica Nacional

UNSCOM – Comissão especial das Nações Unidas

WHO/OMS – Organização Mundial de Saúde

WMD – armas de destruição massiva

 

 

 

 

 

 

 

 

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