A luta dos agentes intérpretes da UE face às consequências do Covid-19 – “A pandemia deixa os intérpretes “freelance” das instituições europeias sem trabalho”. Por Efi Koutsokosta

Espuma dos dias Intérpretes UE

 

O papel dos agentes intérpretes de conferência da União Europeia é essencial nos processos de tomada de decisão da UE. Apesar dos apelos de solidariedade dos dirigentes da UE durante a pandemia, até agora o único apoio que a UE ofereceu aos seus agentes intérpretes foi um pequeno adiantamento por conta do seu futuro trabalho.

Em face da crise do COVID-19, os intérpretes de conferência freelance que trabalham – em muitos casos toda uma vida – para as instituições europeias ficaram sem apoio financeiro de emergência adequado. A UE beneficia da medida de poupança de custos de empregar intérpretes de conferência acreditados (ICA) numa base freelance, apesar de serem frequentemente o seu único empregador. Como resultado da paralisia das instituições durante o confinamento, todas as fontes de rendimento dos ICA foram reduzidas, mas devido à sua relação contratual com a UE, foram deixados com pouca ou nenhuma compensação.

Afinal, parece que nas instituições da União Europeia já se pratica a “uberização” daqueles que para elas trabalham diariamente.

Aqui vos deixamos 4 textos sobre o assunto:

  • A pandemia deixa os intérpretes “freelance” das instituições europeias sem trabalho. Por Efi Koutsokosta
  • Solidariedade UE: Uma questão de Interpretação? Por EUAid4Interpreters
  • É difícil acreditar que von der Leyen e Sassoli tenham conhecimento disto. Por Frank Schwalba-Roth
  • Nas instituições europeias entendemo-nos menos. Por il Post

Em 27/06/2020

FT

_______________________

A pandemia deixa os intérpretes “freelance” das instituições europeias sem trabalho

Efi Koutsokosta Por Efi Koutsokosta

Publicado por euronews em 04/06/2020 (ver aqui)

 

 

 

Os intérpretes das instituições europeias protestam contra o facto de as suas vozes terem sido silenciadas durante a pandemia. O trabalho dos freelancers tem sido drasticamente reduzido na ausência de reuniões presenciais.

Joline chegou a Bruxelas vinda de Trinidad pouco antes do confinamento e agora está presa aqui, sem rendimentos. “Fomos abandonados e é realmente irónico considerando o muito que se tem falado em reuniões, em diferentes línguas, sobre solidariedade. E agora não podemos beneficiar desta solidariedade. É triste e assustador”.

Por serem directamente empregados pelas instituições europeias, não podem beneficiar do sistema de desemprego belga.

Maria trabalha aqui desde 2018. “Durante os próximos três meses, não prevejo qualquer rendimento. Estamos todos stressados porque não temos a certeza do que irá acontecer no futuro.

O serviço de recursos humanos ofereceu-lhes um pagamento único de 1.400 euros, por qualquer dia trabalhado entre meados de Março e o final de Dezembro. Esta é uma quantia que corresponderia a três ou quatro dias de trabalho, dependendo da experiência.

Mas a Associação de intérpretes afirma que não houve negociação colectiva para os 1.200 freelancers nesta situação, apenas ofertas individuais.

“Nada pode ser feito porque as regras não o permitem”. Foi o que foi dito durante o diálogo social”, explica Frederic Girard, da Associação Internacional de Intérpretes de Conferência. “Acreditamos que mesmo com base no quadro legal existente, é possível alguma flexibilidade para encontrar algo mais adequado”.

A Euronews pediu uma reacção à Comissão Europeia, mas não recebemos qualquer resposta até ao momento.

_______________

A autora: Efi Koutsokosta é jornalista pela Panteion University of Social and Political Sciences e MBA pela Universidade de Atenas de Economia e Gestão. Jornalista e apresentadora de assuntos europeus no EuroNews desde 2012.

 

 

 

Deixar uma resposta

%d bloggers like this: