CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE RUBEN A.

 

Em 2020 o Centro Nacional de Cultura está envolvido nestas comemorações, juntamente com a Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com a Biblioteca Nacional de Portugal e com a Fundação Calouste Gulbenkian.

As comemorações do centenário do nascimento do escritor Ruben A. abriram no dia 26 de maio, com a publicação do romance A Torre da Barbela, segundo a Porto Editora, e prolongam-se por 2021, com teatro, exposições e reedição de outros títulos.

A Torre da Barbela foi publicada na coleção Miniatura, da chancela Livros do Brasil, precisamente no dia do aniversário do escritor, nascido em Lisboa, em 26 de maio de 1920.

O romance foi editado em 1964 e, no ano seguinte, venceu o Prémio Ricardo Malheiros, da Academia das Ciências de Lisboa.

Na narrativa de Ruben A., A Torre da Barbela, no Minho, foi classificada como monumento nacional. “Tem a torre trinta e dois metros de altura, é a maior da Península e os degraus contam-se em oitenta e nove, com patamares de descanso. A vista lá de cima é grandiosa”, escreve o autor.

A Torre é visitada por turistas, mas quando estes saem e o monumento encerra, à sua volta reúnem-se os espectros dos parentes da família, como o poeta Raymundo de Barbela, que a mandou edificar e que combateu ao lado de seu primo, o rei Afonso Henriques, ou Madeleine, antepassada do século XIX, que esteve em Paris de onde veio “cheia de cores”, escreve o autor.

No mesmo comunicado a Porto Editora afirma que esta publicação abre “várias celebrações” do centenário do autor, “no âmbito das quais vai publicar, no segundo semestre deste ano, as reedições dos títulos O Mundo à Minha Procura Silêncio para 4, pela chancela Assírio & Alvim, que vem publicando a obra de Ruben A. desde a década de 1980”.

No plano comemorativo está previsto a realização de exposições, peças de teatro, colóquios e conferências, segundo fonte editorial.

A comissão das celebrações do centenário é constituída pelos professores António Feijó, Miguel Tamen e Sílvia Chicó, da Universidade de Lisboa, e Clara Rocha, da Universidade Nova de Lisboa, José Manuel dos Santos, da Fundação EDP, Maria Calado, do Centro Nacional de Cultura, e do filho do autor Nicolau Andresen Leitão, do ISCTE- Instituto Universitário de Lisboa.

Entre as iniciativas agendadas, que se prolongam até ao próximo ano, está previsto a estreia da peça Júlia, baseada numa das obras de Ruben A., no dia 6 de junho, no Teatro Municipal de Elvas, pelo grupo UmColetivo, que também conta levá-la ao Teatro Sá de Miranda, em Viana do Castelo, no dia 16 de novembro e, no dia 24 do mesmo mês, à Fábrica da Criatividade, em Castelo Branco.

O mesmo grupo também deverá pôr em palco Silêncio para 4, sobre o romance de Ruben A., a partir de 14 de novembro, n’ O Espaço do Tempo, em Montemor-o-Novo.

A exposição O Incrível Ruben A. – 100 anos do escritor, na Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa, realizar-se-á em 2021, em datas a confirmar. É comissariada por Dália Dias, doutorada pela Universidade Nova de Lisboa, com a tese A Escrita Dissidente — Autobiografia de Ruben A..

Uma conferência por Liberto Cruz, História e Ficção em ‘Kaos’de Ruben A., no âmbito do colóquio “O Património do Romance”, a realizar no Museu Ferreira de Castro, em Sintra, nos arredores de Lisboa, é outra iniciativa para 2021.

No próximo ano, o Centro Cultural de Belém, em Lisboa, também dedicará um dia ao escritor, iniciativa em colaboração com o Centro Nacional de Cultura.

Na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, realizar-se-á o colóquio O Incrível Ruben A., numa organização da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, com a participação de autores, investigadores e professores como Clara Rocha, Dália Dias, Fernando Pinto do Amaral, Gustavo Rubim, Joana Matos Frias, Joana Meirim, Pedro Mexia e Sílvia Chicó.

A estes deverão juntar-se testemunhos de António Valdemar, Artur Santos Silva, Emília Nadal, Francisco Pinto Balsemão, José Manuel Villas-Boas, José Miguel Júdice, Liberto Cruz, Luís Valente de Oliveira, Marcelo Rebelo de Sousa e Vítor Serrão.

Ruben A. é o nome literário de Ruben Alfredo Andresen Leitão, que se estreou em 1949 com Páginas, obra em seis volumes, na qual o estilo diarístico e a ficção se entrecruzam.

Em 1954 publicou o romance Caranguejo, que tem como característica ter sido escrito de trás para a frente e sem numeração das páginas, ao qual sucedeu, em 1964, A Torre de Barbela, sucessivamente reeditado, mais recentemente, em 2005, pela Assírio & Alvim.

Na segunda metade da década de 1960 saíram três volumes de cariz autobiográficos sob o título O Mundo à Minha Procura.

“A sua escrita distingue-se pelo recurso a inteligentíssimos jogos de linguagem, desconstrução dos eixos narrativos tradicionais, subversão cronológica dos eventos passados e, claro, pela crítica irónica a uma certa forma de ser português”, escreve a editora.

A biografia D. Pedro V: um homem e um rei! (1950), Cores (1960), livro de contos, Cartas de D. Pedro V aos seus Contemporâneos (1961), tema da sua tese de licenciatura, O Outro que era Eu (1966), Silêncio para 4 (1973) e Kaos (1982), o seu último romance, são outras obras do escritor.

Licenciado em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Coimbra, Ruben A. lecionou no King’s College, de 1947 a 1952, onde foi bolseiro do ex-Instituto de Alta Cultura, e privou com o escultor Henry Moore e o escritor T.S. Eliot.

Depois da atividade letiva na capital britânica, Ruben A. regressou a Lisboa, sob o olhar atento das autoridades da ditadura do Estado Novo.

Foi funcionário diplomático na embaixada do Brasil, durante quase 20 anos, até 1972, altura em que foi nomeado administrador da Imprensa Nacional-Casa da Moeda.

Exerceu ainda as funções de diretor-geral dos Assuntos Culturais do Ministério da Educação e Cultura, surgido após o 25 de Abril de 1974, nos primeiros governos provisórios.

Em 1975 foi convidado para lecionar no Saint Anthony’s College, da Universidade de Oxford, em Inglaterra. Morreu em Londres, três dias depois de ter chegado ao país, em 26 de setembro desse ano.

Foi sepultado no cemitério de Carreço do Minho, Viana do Castelo, onde construíra a sua casa.

“Que tenhas morrido é ainda uma notícia desencontrada e longínqua e não a entendo bem”, escreveu a sua prima direita Sophia de Mello Breyner Andresen, em Carta a Ruben A..

“Quando – pela última vez – bateste à porta da casa e te sentaste à mesa, trazias contigo como sempre alvoroço e início. Tudo se passou em planos e projetos, e ninguém poderia pensar em despedida”, lê-se no poema de Sophia.

(informações do Centro Nacional de Cultura)

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