por Rui Oliveira
O Festival incluirá, para além das provas finais da 26ª edição do Prémio Jovens Músicos, um conjunto de concertos e eventos de diversa ordem que pretende colocar em evidência os mais destacados valores das recentes gerações de músicos em Portugal. Todos serão de entrada livre e realizados nas instalações da Fundação Calouste Gulbenkian.
Às 21h30, no mesmo Grande Auditório, a Orquestra de Câmara Portuguesa, tendo Pedro Carneiro como maestro, e ainda alguns solistas ex-laureados do Prémio Jovens Músicos interpretarão de György Ligeti Ramifications, de Wolfgang Amadeus Mozart Sinfonia Concertante, K. 364 e de Ludwig van Beethoven Sinfonia nº 8, op. 92.
Antes, às 16h, no Auditório 2 da FCG haverá a cerimónia da entrega dos prémios outorgados aos vencedores das 12 categorias − onde às tradicionais de solistas (como fagote, violeta, trompete, saxofone, violino, violoncelo, piano, canto) se inovou este ano criando a de “música barroca”.
Em seguida, às 17h30, no Auditório 3, ocorrerá o primeiro painel de discussão sobre Jovens Compositores, moderado por Luis Tinoco, director do P.J.M..
Acompanhada pelo seu marido Teco Cardoso saxofone e flautas e Nelson Ayres piano (ambos membros da banda Pau Brasil), fará ouvir temas de Villa-Lobos, Tom Jobim e Vinicius, Chico e Edu, Wisnik, Violeta Parra e muitos outros pois, como diz a intérprete, “Ao final de um ano com este trio fazendo shows esporádicos, eu percebi que este trabalho resumia a expressão ‘Alma Lírica Brasileira’ que eu sempre escutei sobre o meu trabalho desde que comecei. Percebi que este show era o que eu queria dizer”.
De entre as canções do disco está, p.ex., “Noite” de Nelson Ayres :
Numa encenação de Nuno Cardoso, a criação colectiva é interpretada por Daniel Pinto, Gonçalo Fonseca, João Melo, Luís Filipe Silva, Mónica Tavares, Rui Mendonça e Tânia Almeida. Num espaço vazio, imaculadamente branco, sete actores criam situações de improvisação a partir da leitura do “Livro de Job” que descrevem deste modo : “O Inverno é, acima de tudo, para todos nós, um imenso desafio. Uma possibilidade de experimentar um modo de trabalho diferente, a exigir soluções organizativas e técnicas inovadoras. Com este espetáculo, todos nós, que nele participamos, aceitamos o risco de aprofundar a sua pesquisa estética e ética, através uma descida às matrizes da cultura ocidental, interrogando os arquétipos da nossa civilização de uma maneira que possibilitará um incremento da experiência e das chaves de leitura da realidade contemporânea”.
Anuncia-se deste modo :
“Com humor, perguntas e respostas oportunas e actuais, surge um debate entre Deus e um simples mortal. Um mortal tão simples, que nem é crente, nem é ateu. É somente um ser que do pó veio e ao pó há – de voltar. Mas é um ser curioso e tem a rara e única oportunidade de pôr algumas questões a Deus, que lhe responde com bonomia, bastante paciência e afectividade. E, no entanto, não deixa de aparecer a “fúria Divina” quando Deus se indigna e denuncia as malfeitorias que a espécie humana sempre praticou em seu nome. Finalmente, entre muitas outras coisas, o homem aprende que “acreditar num Deus cruel torna o homem cruel”.
Por último, aos amadores de jazz sugere-se mais uma ida ao Hot Clube de Portugal (Praça da Alegria, nº 48) onde, às 23h, actua o Filipe Raposo Trio (Filipe Raposo piano, Yuri Daniel baixo e contrabaixo e Vicky Marques bateria).
Deixamo-vos com uma sua exibição recente (Janeiro 2012) com Carlos Bica contrabaixo e Carlos Miguel percussão :
(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Terça aqui )


