Olaf Ohman, agricultor sueco. Gigante loiro emigrado nos Estados Unidos da América, concelho de Salem, perto de Kesington, a 1500 quilómetros da costa Atlântica. Um carvalho é o imperador solitário da sua herdade. Mas Olaf precisa de mais terra para cultivar. Decide-se: numa manhã de Agosto de 1898 abate a árvore. Depois do almoço tenta desenterrar as raízes. Elas resistem, abraçadas a uma rocha inesperada. Só ao anoitecer Olaf consegue trazer a pedra à superfície. Laje rectangular, 80 por 40 centímetros. Rabiscos numa das faces. Limpa a superfície com a manga da camisa. Surgem caracteres familiares, iguais a tantos que ele já vira gravados, na Suécia, em pedras chamadas runas. É apelo súbito do longe, país distante, neves eternas e fiordes, gansos selvagens a cruzar os céus… Comunica o achado às autoridades locais. Estas convocam um especialista que faz a tradução dos caracteres rúnicos:
“Somos 8 suecos e 22 noruegueses em viagem de exploração para Oeste, depois da descoberta do País das Uvas. Acampámos perto destes dois rochedos, a alguns dias de marcha, para o norte desta runa. Afastámo-nos por um dia, para pescar. Quando voltámos, encontrámos 10 dos nossos companheiros cobertos de sangue e mortos. Ave Virgo Maria, salva-nos do perigo. Deixámos 10 dos nossos companheiros junto à costa, de guarda aos nossos barcos e à distância de 14 dias de marcha. Ano de 1362.”
Vikings na América? 130 anos antes de Colombo? Olhos húmidos, Olaf Ohman recorda as sagas da sua infância e gagueja, em língua estranha. O especialista é quem traduz:
– Leif, ó Leif Erikson, ó Pai, ó Justo, ó Bem-aventurado: sossega! Navegaste desde a Groenlândia até este País das Uvas e confirmo que realmente há índios por aqui, porém hoje são pacatos, ninguém nos quer matar. Sossega Leif, sossega, graças a Deus estamos vivos.