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CADA QUAL NO SEU LUGAR – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

                                                                                                                                                

Eu, António de Oliveira Salazar, exijo disciplina, um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar. O lugar dos políticos é na política, o dos militares é nos quartéis, o do clero é na Igreja.

Em 1932 recomponho o Governo. Dos quatro generais dispenso três, apenas reservo o Carmona para continuar como Presidente da República. Se os três dispensados quiserem começar a conspirar contra mim, pois que o façam, atrevam-se eles a enfrentar o meu prestígio… 

Na cerimónia de posse dos novos Ministros também está presente o Alfredo da Silva, o patrão da CUF – Companhia União Fabril. Não gosto dele, pior do que a exuberância é a sua ânsia de alargar império, de dia para dia mais cresce o número dos seus operários. E é nesta classe de infelizes que mais facilmente germina o bolchevismo, semente do Mal. Sem dar por isso, ele e outros como ele, estão a cavar a própria sepultura, talvez a minha e a da Nação. Cego, magnata cego… 

Vou depois apresentar cumprimentos ao cardeal Cerejeira, é a praxe. Desde que foi encerrado o Centro Católico Português, ele tem vindo a agitar o nome do Cunha Leal para me substituir. Não discuto intrigas de sacristia. Declaro-lhe que só posso levar em consideração os interesses da Igreja desde que se conjuguem com os interesses do Estado Novo. Espero que entenda o recado. Perante Deus somos todos iguais, mas cada qual no seu lugar.

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