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MECA – por Fernando Correia da Silva

Um Café na Internet

                                                                                                        

Em 1487, numa caravana, os arrojados Pêro da Covilhã e Afonso de Paiva alcançam Suez e, uma semana depois, o oásis e burgo de Tor, no deserto do Sinai, à beira do Mar Vermelho (águas transparentes e fundo pejado de corais avermelhados). Em Tor matam a sede e renovam as provisões. Aqui, como em Suez, podem embarcar para Adem mas, para melhor conhecimento de terras, usos e costumes, decidem continuar com a caravana pois ambos aprenderam a falar o dialeto norte-africano do árabe. Alcançam Medina, cidade onde vivera Maomet e depois Meca, a cidade sagrada do Islão. Para não dar nas vistas, fazem penitência e fingem rezar ao Profeta Maomet, como todos os bons muçulmanos. Pêro da Covilhã sente vontade de rir da farsa que acaba de interpretar, mas ensaia a contrição, murmura:

– Que Deus Nosso Senhor Jesus Cristo nos perdoe!
– Amen! – responde Afonso de Paiva.

Antes que Afonso faça o sinal da cruz sobre o rosto e o peito, Pêro trava-lhe o braço. Serão eles, talvez, os primeiros ocidentais a visitar Meca.

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