
Dia Mundial do Teatro, os anos e as declarações sucedem –se, o público enche as salas porque é gratuito, e todos colaboramos neste artifício que é fingir que estamos em festa porque tudo corre bem na nossa profissão. Apesar de os governos menosprezarem tradicionalmente esta forma de Arte , meio de comunicação e poderosa arma pedagógica…
Comemoramos mais um Dia Mundial do Teatro, mas desta vez não apresentamos uma peça. Inventamos um Encontro Imaginário com algumas figuras que nos irão falar sobre vários ângulos do teatro, da Cultura e da Sociedade.
Como sempre, diz-se que o teatro está em crise. O que é normal, olhando para o ar nada saudável da sociedade do nosso tempo.
Não percamos, no entanto, o tal optimismo de quem sabe que
CRISE, qualquer crise, é sempre um ponto de ruptura de uma falsa estabilidade.
Crise é, portanto, fonte de movimento e nunca de estagnação.
Os nossos convidados irão comentar directa ou indirectamente questões à roda de um problema sério (ri)
Quem tem medo do teatro ?
Que pergunta ridícula, não é ? Ter medo do teatro, de uma peça, de uns actores que nos preenchem momentos de ócio?! Que absurdo!…
Mas…será que aqueles que têm medo de se verem retratados na praça pública gostam de teatro?
E os que pensam que o teatro só serve para fazer agitação política?
E os outros que lutam para que o teatro não tenha nada a ver com política? Como se isso fosse possível !!!
E os que têm horror ao humor e ao cómico que é impiedoso a descarnar situações, personagens e comportamentos ?
E os que fogem da emoção e das lágrimas ?
E os que se recusam a pensar e a olhar para o seu mundo ?
E os que não se querem ver nas más companhias dos artistas ?
E os que julgam que os artistas não passam de marginais e falhados sociais?
Muitas destas questões vão ser comentadas por Moliére, o rei da comédia Francesa, Camões que teve as peripécias teatrais que o obrigaram à habitual vida de andarilho e Ho-Chi-Minh que nos informará sobre a importancia do teatro de guerrilha durante a guerra do Vietnam em que derrotou os exército de França e Estados Unidos.
Para quem ainda julgue que o teatro é um acto frívolo e desinteressante, aqui está uma boa oportunidade para um bom debate público
HÉLDER COSTA
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