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FRATERNIZAR – 30 novos guardas suíços no Vaticano – por Mário de Oliveira

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A cerimónia é anual e evoca os 147 soldados helvéticos mortos em defesa do Papa, no século XVI

 

“Juro servir com fidelidade, lealdade e honra o Supremo Pontífice Francisco e os seus legítimos sucessores, e dedicar-me a eles com todas minhas forças, sacrificando inclusive, se necessário, a minha própria vida para defendê-los”

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A notícia é da Agência Lusa, mas passou despercebida. Nem os media das dioceses católicas, nem os outros do País estão interessados na divulgação de factos como o que aqui se divulga. Ou, então, acham que não merece a pena. Porque têm como coisa vulgar, comum, factos como este. Mas nada do que diz respeito a um estado e que meta seres humanos que juram estar dispostos a perder a própria vida para defender o Poder e os seus agentes maiores, pode ser olhado como coisa de pouca monta, coisa miúda. É de muita monta e bem graúda. Porque o Poder é mentiroso e assassino. Podemos/ devemos estar dispostos a perder a própria vida, mas para o derrubar, de preferência, com acções políticas desarmadas, nunca para o defender e aos seus agentes graúdos, precisamente, os principais carrascos institucionais das populações. É preciso, imperioso e urgente desmontar toda esta perversa ideologia do Poder que trazemos alojada nas nossas mentes, como um demónio, não o mítico, mas o real, concretamente, a ideologia e a teologia do Poder.

A notícia da Lusa não o faz. No actual contexto em que vivemos, nem tal coisa poderia ter passado sequer pela cabeça dos profissionais da agência. E o jornalista que, porventura, o fizesse, seria de imediato despedido, no mínimo. Mas fá-lo o JF, precisamente, porque procura – e nisto se distingue de todos os outros jornais do mundo – ver os acontecimentos e os factos, também este facto concreto, à luz da mesma Fé e da mesma Teologia de Jesus. Leiam, pois, o texto e tirem as vossas conclusões sobre o que são, afinal, o estado do Vaticano, a sua Cúria romana, os seus cardeais e, com particular realce, o seu papa Francisco. Depois confrontem com Jesus, o filho de Maria, e digam lá se há algo em comum entre o papa e Jesus. Aliás, o papa, só o é, porque segue o Evangelho de S. Paulo, o do Deus Poder, fabricador de vítimas que depoiss podem vir a ser canonizadas. Enquanto Jesus segue o Evangelho de Deus Abba-Mãe de todos os povos por igual, que nunca ninguém viu. Só porque as populações estão formatadas por esse mesmo Evangelho paulino, é que identificam Deus com o Poder e seus agentes, a começar pelo papa de Roma, o topo da pirâmide. Porém, é imperioso sabermos que quem jura estar disposto a perder a própria vida pelo Poder e seus agentes, peca por idolatria. Indubitavelmente o pecado dos pecados do mundo. Acordemos! Mudemos de ser e de Deus! Eis:

Ao sexto dia do mês de Maio 2014, 30 novos recrutas da Guarda Suíça prestaram o seu juramento no Vaticano, o dia – vejam só esta crueldade histórica! – que evoca a morte de 147 soldados helvéticos em defesa do Papa em 1527, durante o saque de Roma. O juramento decorreu no Pátio de São Dâmaso, perante o arcebispo Giovanni Angelo Becciu, da Secretaria de Estado do Vaticano, em representação do Papa, que falou num dia de “festa”.

“Que na base de tudo esteja o sentido de fé e de amor à Igreja e ao seu pastor universal e, ao mesmo tempo, que esta profunda motivação espiritual torne ainda mais verdadeiro e mais forte em todos o espírito de família que nos une”, declarou.

O capelão da Guarda Suíça, Markus Heinz, leu o texto oficial do juramento: “Juro servir com fidelidade, lealdade e honra o Supremo Pontífice Francisco e os seus legítimos sucessores, e dedicar-me a eles com todas minhas forças, sacrificando inclusive, se necessário, a minha própria vida para defendê-los. Assumo igualmente este compromisso relativamente ao sacro Colégio dos Cardeais, durante a duração da Sé vacante. Prometo ainda ao capitão comandante e aos outros meus superiores, respeito, fidelidade e obediência. Juro observar tudo aquilo que a honra da minha posição exige de mim”.

Os recrutas confirmaram o juramento na sua língua natal junto do vice-comandante, ao mesmo tempo que pousavam a mão esquerda na bandeira da Guarda Suíça e levantavam três dedos da mão direita para o céu, a pedir a assistência de Deus e dos seus santos patronos: São Martinho de Tours, São Sebastião e São Nikalus von Flue, ‘defensor da paz e pai da nação’ suíça.

A Guarda Suíça Pontifícia, fundada pelo Papa Júlio II em 1506, é uma companhia de voluntários, recrutados em todas as partes da Confederação Helvética, organizados militarmente, para a custódia da pessoa do Papa e da sua residência. O corpo é formado por 110 guardas e compreende 4 oficiais (coronel, tenente coronel, major e capitão), 1 capelão, 26 sub-oficiais e 79 soldados. O serviço dura dois anos, com possibilidade de renovação e promoção, até um máximo de 20 anos de serviço.

Para fazer parte da Guarda Suíça é preciso ser católico, nascido naquele país, com uma altura superior a 1,74 metros e ter frequentado a recruta no exército suíço; os soldados deverão ter até 30 anos e ser solteiros, sendo possível casarem-se depois de subir de patente.

O Papa Francisco encontrou-se com os novos recrutas esta segunda-feira, na Sala Clementina do Palácio do Vaticano, e disse-lhes, “Não é a farda, mas quem a veste, que deve atrair os outros devido à gentileza, ao espírito de acolhimento, à atitude de caridade para com todos”.

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