Há (felizmente) canções, cantigas, intérpretes e autores de recordar. Fazem parte de recordações nossas, com tudo aquilo que a Música para alguns tem de conivente e é absolutamente parte necessária da sua vida, do seu viver.
Porque se a Música nos não entrar pelo quotidiano dentro, não há sequer quotidiano, apenas uma sucessão de segmentos de tempo sem sentido nem som, sem toada verosímil, sem uma vibração auditiva acima de qualquer suspeita, sem algo que surpreenda franca e verdadeiramente o tímpano. E isso não é viver, é estar.
Tenho verdadeiramente pena de quem não pense nem sinta nem perceba nada do que estou para aqui a pensar e a escrever – uma enorme maioria de quem me rodeia, mas haverá sempre quem me subscreva, quem me acompanhe e me entenda e isso já é um prazer, uma partilha, mesmo que incógnita ou desconhecida.
Tropecei nesta memória, nesta cantora filha do Dorival Caymmi e no seu irmão Dori Caymmi, sabe-se lá porquê. Talvez por não fazer parte dos mais conhecidos “do costume” (sem ofensa para eles, que também fazem parte quotidiana de mim). Talvez por ser uma das vozes femininas mais tocantes que conheço. Talvez pelo Ivan Lins, talentoso e fecundo compositor e cantor.
Talvez melhor ouvir do que falar – como dizia o Villas-Boas.
Carlos
Obrigado a Antônio Bocaiúva e ao youtube


