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PALCO 231 – VI FESTIVAL INTERNACIONAL DE TEATRO JOSÉ GUIMARÃES – por Roberto Merino

 

O teatro nas suas diversas manifestações: espectáculos, colóquios, festivais, residências artísticas, formação e outros, é, com a música e a dança, uma das forças vivas da cultura em Portugal.

Depois do Fitei 24, o festival de teatro internacional mais antigo no nosso país, surge o Festival de Teatro de Almada, o segundo e mais importante festival de teatro que este ano consagrou o espectáculo A Tempestade(*)  como o mais belo da temporada. Espectáculo que já tive a oportunidade de ver nos anos 80 na Schauspiel de Frankfurt/Main, um belíssimo espectáculo de marionetas que se caracteriza pela dramaturgia de Eduardo de Fillipo, a partir da peça de W. Shakespeare, numa narrativa feita pelo único actor, de Fillipo, que dá vida a todas as personagens.

Entretanto já aconteceram: [em Esmoriz] Da soma entre a arte da tanoaria com a arte contemporânea…  o TAN TAN TANN na 8ª edição – Festival Internacional de Artes Performativas Contemporâneas…, que decorreu na Tanoaria Josafer, em Esmoriz, nos dias 14 e 15 de junho. A iniciativa resulta do esforço conjunto entre a companhia Imaginar do Gigante, direção artística de Pedro Brandão, e da Câmara de Ovar, enquanto entidade organizadora e promotora do evento.

Também durante dez dias foram apresentados dez espetáculos diferentes, no âmbito do Fazer a Festa, com quinze sessões na Quinta da Caverneira e uma extensão na Feira do Livro da Maia. Estiveram presentes quatorze companhias, dez nacionais (Teatro Extremo, Universo Paralelo, Teatromosca, Teatro Art´Imagem, Teatro Regional da Serra de Montemuro, Palmilha Dentada, ESTE, Krisálida, Encerrado para Obras, Teatro das Beiras) e quatro estrangeiras (Karlik, Thomas Back, Saaraci Coletivo Teatral, La Tête Noir). Cont0u ainda com um concerto, uma Hora do Conto, um espaço do livro com títulos para a infância e juventude, uma exposição e homenagem ao festival Sementes (um festival de teatro para a infância), uma residência artística, uma oficina de teatro para crianças e um debate com a participação de nomes relevantes no desenvolvimento de projetos em Portugal e no estrangeiro; um concurso de dramaturgia aberto à comunidade; e um acompanhamento crítico ao festival com uma mesa de discussão final.- 5 a 14 de Julho de 2024 Quinta da Caverneira).

Responsabilidade do Teatro Art´Imagem.

Também com direção artística desta companhia está programada uma nova edição  do Festival Internacional de Teatro Cómico da Maia. Lembramos que a primeira edição do festival realizou-se em 1994 e a partir de 1996 passou a ser anual. O festival realiza-se na primeira quinzena de Outubro, no Fórum da Maia e espaços adjacentes. O Festival é uma iniciativa da Câmara Municipal da Maia com direcção artística e produção do Teatro Art’Imagem, dirigido por José Leitão.

O teatro cómico é apresentado em todas as suas dimensões e disciplinas: a comédia, o teatro de rua, a mímica, a animação, stand-up comedy, musical, o novo circo, marionetas e fantoches, café-teatro, o clown. Traz à cidade da Maia de 25 a 30 companhias, para mais de 10 mil espectadores.

No Festival, além de companhias portuguesas, já participaram companhias vindas de países tão diferentes como a Espanha (nomeadamente Galiza, Madrid, Catalunha, Leão e País Basco), França, República Checa, Itália, Bélgica, Suíça, Inglaterra, Canadá, Estados Unidos, Argentina, Brasil, Cabo Verde, Alemanha, Austrália, etc. Este é o único festival exclusivamente dedicado ao teatro cómico que se realiza em Portugal.

Dentro em breve realizam-se o Fimp 24 – Festival Internacional de Marionetas do Porto, do qual já destacamos  Alma d’Arame & Baal 17 / Sangue, suor e picos, uma cocriação de Alma d’Arame e Baal 17, que narra a história poética e surreal de Sombra-Deliciosa, um cacto que vive pacificamente no deserto do Colorado, contemplando as cores das rochas ao longo do dia.

Também O Meu Primeiro Fitei, outubro de 2024. Desde 2020 que o FITEI organiza de forma ininterrupta um pequeno festival de Inverno dedicado a públicos mais jovens, e também a todos aqueles que nunca entraram num teatro ou que contam pelos dedos de uma mão as vezes que foram ao teatro.

Voltando ao poema inicial, com certeza que o público reconhece a letra na voz de Mariza, mas talvez poucos conheçam o autor, o maior letrista de canções em Portugal, José Guimarães (**)

É este poeta, letrista e dramaturgo que é homenageado há já seis anos num festival de teatro que leva o seu nome, nos meses de setembro a dezembro.

Um festival que visa confrontar diversas propostas e experiências artísticas, fomentar o espírito crítico e abrir canais de debate entre artistas e públicos.

Na TUNA MUSICAL DE SANTA MARINHA – CENTENÁRIO – O VI FESTIVAL INTERNACIONAL DE TEATRO JOSÉ GUIMARÃES decorrerá de 14 de setembro a 7 de dezembro de 2024. UM FESTIVAL DE MUITAS EVOCAÇÕES E HOMENAGENS.

No ano do centenário da sua casa-mãe, o festival de teatro José Guimarães tem como protagonistas homens, mulheres ou acontecimentos nacionais de grande relevo, que pela sua dimensão e exemplo, percurso profissional, prestígio ou obra, justifiquem uma justa homenagem. O seu espetáculo de abertura celebra o ator (e a atriz!), o elo principal de toda a cadeia de valores da ação teatral, juntando no mesmo palco amadores e profissionais emergentes, dando corpo a um espetáculo que aborda um tema muito sério… a brincar. E uma semana depois recorda um Homem de Teatro de espírito irrequieto e criativo, Manuel Ramos Costa ,fundador e encenador da Contacto, de Ovar, a que dedicou a vida inteira, vencedor de vários prémios também como escritor, pintor e dramaturgo, sempre muito ativo no associativismo vareiro.

O Festival de Teatro José Guimarães, foi idealizado pelo antigo Produtor do Teatro Nacional São João, Salvador Santos, tendo sido acolhido na Tuna de Santa Marinha, como sede de representação e conta com os apoios autárquicos e da Junta e de freguesia de Santa Marinha, e é ainda um espaço de divulgação das escolas de formação teatral da cidade do Porto, nomeadamente da ESAP, Escola Superior Artística do Porto, Balleteatro, escola profissional, e da ESAD/Escola Superior de Arte Dramática de Cáceres/Espanha.

A programação pode ser consultada no site da Tuna, os preços das entradas são simbólicos e será para um novo espectador a experiência e oportunidade única de conhecer uma colectividade centenária, sediada no coração histórico de Vila Nova de Gaia. Partilhamos pela singularidade e variedade da programação, a lista dos espetáculos integrantes:

São 14 espectáculos (16 sessões no total):

20 e 21 setembro, 21h30

A TRISTE HISTÓRIA DOS CANGALHEIROS DE VALE MORTIÇO

Texto e encenação de Inês Sincero e Tomé Nunes Pinto

produção Tuna Musical Santa Marinha

28 setembro, 21h30

O INSPETOR GERAL de Nicolai Gogol

encenação Manuel Ramos Costa

produção Contacto-Companhia de Teatro Água Corrente de Ovar

5 outubro, 21h30

NATÁLIA vs. NATÁLIA a partir de Natália Correia

direção artística Paula Castro e Roberto Merino

produção Não Cabe Mais Ninguém

12 outubro, 21h30

O CÔNSUL PORTUGUÊS de Rafa Leite

encenação Rafa Leite e Andreia Fernandes

produção Teatro Vitrine (Fafe)

19 outubro, 21h30

LUSÍADAS? a partir de Luís Vaz de Camões

encenação Luís (Vaz de) Catarro de José Saramago

produção Teatro Amador de Pombal

26 outubro, 21h30

O ANO DA MORTE DE RICARDO REIS de José Saramago

encenação Luís Trigo

produção ETCetera Teatro

2 novembro, 16h00 e 21h30

TOP-TEATRO DE OBJETOS DO PORTO de Teatro de Ferro e Regina Guimarães

encenação Igor Gandra

produção Teatro de Ferro

9 novembro, 21h30

O MORGADO DE FAFE AMOROSO de Camilo Castelo Branco

encenação Pedro Estorninho

produção TEatroensaio

16 novembro, 21h30

GIL VICENTE PARA TOTÓS a partir de Gil Vicente

encenação Ivo Romeu Bastos

coprodução NAVIO e Palmilha Dentada

21 novembro, 21h30

VAIVÉM – ENCONTRO DE TEATRO E DANÇA JÚNIOR,  vários autores

direção Rui Spranger

produção Balleteatro – Escola Profissional (Porto)

22 novembro, 21h30

TRÊS HORAS ESQUERDAS

textos de Daniil Kharms/direção Jorge Palinhos/produção ESAP-Escola Superior Artística do Porto

30 novembro, 21h30

ACORDA MARIA! – A revolução feminina na ditadura portuguesa

textos de Carmen Martínes Galarza e David Herrero Lorenzo/produção ESAD-Escola Superior de Arte Dramática (Espanha)

7 dezembro, 16h00

ERA UMA VEZ O 25 DE ABRIL/a partir de José Fanha/criação Bicho Papelão

produção Bicho Papelão

7dezembro, 21h30

MEDO de Filipe Santos encenação Filipe Santos

coprodução Tuna Musical de Santa Marinha e Primeira Pedra

20 setembro a 14 dezembro, após os espetáculos

CONVERSAS COM O PÚBLICO

organização Tuna Musical de Santa Marinha

20 setembro a 14 dezembro, meia-hora antes dos espetáculos

MANUEL RAMOS COSTA – VIDA E OBRA

exposição – tributo

organização Contacto-Compª Teatro Água Corrente de Ovar


Notas:

(*) La tempesta/A tempestade 

Texto de William Shakespeare, na versão traduzida por Eduardo de Filippo
Encenação de Eugenio Monti Colla Compagnia Marionettistica Carlo Colla & Figli (Itália)
La tempesta é a produção que usa a histórica tradução da última peça de Shakespeare para língua napolitana do séc. XVII, realizada em 1983 (ed. 1984/Einaudi) pelo grande homem do teatro e cinema italianos Eduardo De Filippo (1900-84) — e também a sua derradeira criação.   

(**) O poeta popular, letrista, músico, escritor, autor e encenador teatral José Guimarães. Nascido no Porto em 20 de Agosto de 1930, vivia em Vila Nova de Gaia há muitos anos e considerava-se Gaiense por opção. Inscreveu-se na SPA em 5 de Dezembro de 1950 e escreveu cerca de dois milhares de canções, mas a sua atividade criativa não se ficou por aí. Verdadeiro “autodidata das atividades culturais”, como um dia lhe chamaram, começou cedo nas “lides”: com 12 anos já inventava pequenas revistas que eram interpretadas por crianças como ele, que moravam na sua rua. Estudou até aos 17 anos na Escola Industrial Infante D. Henrique, onde concluiu o curso complementar dos liceus 

José Guimarães: Quantos o cantam? Quem o conhece? – Etc e Tal – Jornal (etcetaljornal.pt) 

 

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