Como já informámos, entre 22 e 28 de Novembro, em Ball, na Indonésia, reúne-se a VI Convenção da UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura), durante a qual o Comité Inter-Governamental, constituído por 24 países, dá o seu veredicto sobre a candidatura portuguesa do Fado a integrar o PATRIMÓNIO IMATERIAL DA HUMANIDADE. Que eco está essa candidatura a colher no nosso País? Ontem divulgámos a opinião do cantor lírico Carlos Guilherme que salientou as vantagens económicas eventual integração na lista da UNESCO e lembrou que o fado se relaciona com a nossa história. Revelamos hoje mais algumas opiniões.
O musicólogo Rui Vieira Nery considera que “o Fado já ganhou” pelo esforço que representou a candidatura à UNESCO, por ter conseguido Na passada terça-feira, Rui Vieira Nery, que preside à Comissão Científica da candidatura, afirmou à Lusa que independentemente do resultado, a candidatura já atingiu um objectivo – a reconciliação nacional com o fado (como se sabe, considerado um dos três pilares da ditadura salazarista – Fátima, futebol e fado – “uma reconciliação nacional” com o género, que pôs fim a debates sobre a carga política e a qualidade estética. O professor considerou ainda esta “reconciliação” como “o mais importante que já se alcançou”. “Caso a UNESCO aceite, como tudo leva a crer, trará uma visibilidade acrescida ao Fado e com ele à cultura portuguesa”, acrescentou o musicólogo.
Ontem mesmo, dois fadistas distinguidos com o Prémio Amália Revelação, entrevistados pela agência Lusa, disseram que uma eventual vitória da candidatura seria benéfica para todos. Dois nomes ligados ao fado Lisboa, os investigadores e fadistas Vítor Duarte Marceneiro e Daniel Gouveia afirmam-se cépticos quanto às vantagens para o Fado, caso a sua candidatura seja aprovada pela UNESCO. “O parecer (altamente elogioso) do comité de sábios da UNESCO sobre a candidatura portuguesa é muito positivo”, disse Daniel Gouveia que se afirmou “cauteloso” e aconselhou que “não devemos embandeirar em arco”.
Parece-nos que Daniel Gouveia tem razão – embandeirar em arco seria a pior coisa a fazer. No entanto e como dissemos, se a candidatura não merecer a aprovação do comité de peritos da UNESCO, nada se passará – o fado continuará a ser amado por uns e odiado por outros. A investigação sobre as suas origens continuará a ser matéria polémica. Em vias de extinção não está. Fadistas jovens garantem a sua sobrevivência e uma crescente universalidade também.
É muito provável que o fado sobreviva à UNESCO.
Ouçamos Cristina Nóbrega distinguida em 2009 com o Prémio Amália Revelação, interpretando “Disse-te adeus e morri” no Gran Teatro de Huelva.
