Um café na Internet
Subúrbios
Passando por Moreira, perco os metros que – na Maia – restam de eras mais edonistas: aqui predomina um heteróclito desurbanismo. A partir de Moreira da Maia continua a não haver bermas nem passeios e os carros circulam com velocidade excessiva, sem o respeito mais básico pelos peões, não abrandando quando nos vêem, chegando-se à zona onde caminhamos e, logo que se cruzam com um TIR, um tractor, uma escavadeira, o que é frequente, não hesitando em dar uma guinada na nossa direcção. Só após a zona industrial da Maia se começa a acreditar que este inferno tem fim antes do fim. Só a partir de Gião acabam os subúrbios. Mais ou menos… A maioria das casas que vejo até chegar a Vilarinho devem ser à noite habitadas por gente que trabalha no Porto e suas zonas industriais.
Por o percurso não ser mais agradável com sol do que com chuva, acelero a caminhada. Passo em Gemunde às dez, em Mosteiró às dez e meia, em Vilar às dez e cinquenta, em Gião às onze e vinte. Entro em Vilarinho ao meio-dia e um quarto. Prolongo a hora seguinte em idas e voltas entre a farmácia, o albergue, o café Capri e vice-versa – à procura da chave. Quando entro no albergue, exausta e transpirada, é quase uma e meia.
Faço chá. Almoço. (Acabo de comprar pão, queijo, amêndoas secas e quatro bananas.) Tomo duche. Lavo calças, camisola, cuecas, peúgas e sutiã. Os três últimos visto-os – ou calço-os – molhados, ponho as calças e a camisola a secar no exterior; que é o recreio da escola. Secas ou molhadas: vesti-las-ei amanhã.
O trajecto do Porto a Vilarinho mais as idas e voltas não representam menos de trinta quilómetros. Duas boas surpresas: com esta mochila, pesada mas ergonómica, o excesso de peso é menos doloroso do que eu esperava; e, tendo calçado dois pares de meias, um dos quais de lã grossa, por incrível que me pareça: não tenho ainda bolhas!
