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NATAL, O PRESENTE DAS CRIANÇAS: LIÇÕES (1) – por Raúl Iturra

 

 

Para Camila, essa minha filha companheira, que neste Natal de 2011 continuará a ser mãe carinhosa com as suas crianças, juto com Felix, o seu marido e pai. Ben, May Malen e Javier Max Raul, os nossos netos.

 

O nome não interessa, o importante é a pessoa…Vamos esquecer das greves e vamos falar de netos…

 

 

 

1. Sonata introdutória.

 

Perguntou-me um dia uma estudante da minha Universidade portuguesa: Senhor Professor, porque estuda crianças? A minha resposta foi breve: porque sou pai. A seguir, proferi uma explicação mais cumprida. Não é apenas por sermos pais, é, sobretudo pelo que as crianças nos ensinam. Parece que não por serem pequenas? Somos nós, adultos, que dizemos as sabidas coisas da vida? Sabidas coisas, conceito que substitui todas as acções e aventuras na interacção da experiência da vida, interacção que, por habituados como estamos com ela, esquecemos de reflectir. Reflexão que nem nos faz mal, pelo contrário.

 

Uma reflexão a ajudar-nos a crescer, a partir das crianças. Crianças adultas e crianças a crescerem. Como as filhas que tantos de nós, pais, temos. É verdade que a simplicidade e o carinho, a honestidade e a lealdade são parte da vida que praticamos e transferimos para a nossa descendência. Descendência que, sem darmos pelo facto, começa a aumentar. Um dia somos filhos, anos virados, somos autónomos e indivíduos, anos depois, caímos no chão de um amor que acompanha os nossos afectos, a nossa emotividade mais íntima, e, dessa intimidade, aparecem os primeiros descendentes que fabricamos.

 

Não, não é um erro de estrangeiro dizer fabricamos, porque são feitos pelo amor à pessoa que os leva no seu corpo durante meses e que do seu corpo os alimenta. Essa intimidade partilhada entre os pais perante a criança nascida, pais a olharem-se no bebé, a ouvir as suas primeiras palavras, a brincar com canções que ensinam mais ideias, a essas crianças que, por vezes, sem sabermos, andam atrás de nós. Mais tarde, começam a fazer parte de um grupo, interagindo e falando sem nós ouvirmos, mas sabemos pelas mudanças de atitudes que as crianças, essas nossas crianças, têm.

 

E os sarilhos fora do lar começam. E aumentam à medida da inserção em actividades longe de nós. Como pais, ouvimos o que nos é referido e com firmeza, na linguagem da idade que fala, opinamos para que a nossa pequenada possa optar. Optar ela, não nós por ela.

 

(Continua)

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