981 caracteres tem este blogoconto de João- “Dias Tranquilos” – o último a chegar, vamos então lê-lo:
Parece que o mundo cresce dia após dia. Uma flor que nunca vi. Uma nota que passou desapercebida neste maravilhoso noturno de Chopin. A migalha de pão esquecida na mesa. Preciosa é a vida.
Cada intervalo de silêncio pode ser ampliado até à plenitude deste imenso e fantástico vazio.
Tento ler o livro sintonizada com o tempo da chama que aos poucos se esvai. As velas ardem até restarem brasas. Devagar, sem deixar que seja eu a apagá-las antes do tempo. Renuncio à pressa.
Aceitar quem somos, com todos os nossos enganos. Reconhecer em cada um dos nossos actos a consequência dos mesmos, descobrir qual a intenção de cada um deles é renunciar à nossa vaidade.
A renúncia ao desejo insano, sombrio, leviano é um acto de amor. Não adianta lamentar o mal que fizemos enquanto perpetuarmos pela vida fora o mesmo padrão.
O verde ganha matizes com o amarelo ontem ainda escondido. Por onde ando Babu me acompanha. Se me sente inquieta se perde. Se me sento em paz lambe cada um dos meus dedos. Nenhum dos problemas ficou esquecido, por isso esta dor de estômago fiel companheira.
Regressar a Lisboa é voltar à procura da solução das coisas suspensas.
Levo comigo estes dias agora tranquilos.
