Um Café na Internet
Quadro de Vladimir Kush
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Encerramos esta série com uma grande poetisa polaca – Wislawa Szymborska – morreu no dia um deste mês. A nossa singela homenagem.
Wislawa Szymborska
Alguns gostam de poesia
Alguns —
quer dizer nem todos.
Nem a maioria de todos, mas a minoria.
Excluindo escolas, onde se deve,
e os próprios poetas
serão talvez dois em mil.
Gostam —
mas também se gosta de canja de massa,
gosta-se da lisonja e da cor azul,
gosta-se de um velho cachecol,
gosta-se de levar a sua avante,
gosta-se de fazer festas a um cão.
De poesia —
mas o que é a poesia?
Algumas respostas vagas
já foram dadas,
mas eu não sei e não sei, e a isto me agarro
como a um corrimão providencial.
Tradução de Elzbieta Milewska e Sérgio das Neves
Wislawa Szymborska
Niektorzy Lubia Poezje
Niektorzy –
czyli nie wszyscy.
Nawet nie wiekszosc wszystkich ale mniejszosc. Nie liczac szkol, gdzie sie musi,
i samych poetow,
bedzie tych osob chyba dwie na tysiac.
Lubia –
ale lubi sie takze rosol z makaronem,
lubi sie komplementy i kolor niebieski,
lubi sie stary szalik,
lubi sie stawiac na swoim,
lubi sie glaskach psa.
Poezje –
tylko co to takiego poezja.
Niejedna chwiejna odpowiedz
na to pytanie juz padla.
A ja nie wiem i nie wiem i trzymam sie tego jak zbawiennej poreczy.
Wisława Szymborska [(Prowent, 1923 – Cracóvia, 2012) , poetisa, ensaista e tradutora polaca. Prémio Nobel da Literatura de 1996.
