Um Café na Internet
Arte, Poesia & Vice Versa
Um poema de Carlos de Oliveira inaugura esta série em que os poetas vão ilustrar pinturas e deseenhos de Dorindo Carvalho. Carlos de Oliveira (1921-1981), grande escritor, poeta e ficcionista, dispensa qualquer apresentação. E Dorindo Carvalho já o apresentámos. O quadro, uma homenagem a Pablo Picasso e a Guernica, faz parte do conjunto de obras expostas no Museu da Àgua, em Lisboa. O poema de Carlos de Oliveira é o X de Entre Duas Memórias (1971)
O incêndio desce
O incêndio desce;
do canto superior direito;
sobre os sótãos,
os degraus das escadas
a oscilar,
hélices, vibrações, percutem os alicerces;
e o fogo, veloz agora, fende-os, desmorona
toda a arquitectura,
as paredes áridas desabam
mas o seu desenho
sobrevive no ar; sustém-no
a terceira mulher; a última; com os braços
erguidos, com o suor da estrela
tatuada na testa.
do canto superior direito;
sobre os sótãos,
os degraus das escadas
a oscilar,
hélices, vibrações, percutem os alicerces;
e o fogo, veloz agora, fende-os, desmorona
toda a arquitectura,
as paredes áridas desabam
mas o seu desenho
sobrevive no ar; sustém-no
a terceira mulher; a última; com os braços
erguidos, com o suor da estrela
tatuada na testa.
(Carlos de Oliveira) **
in «Entre Duas Memórias», 1971
Amanhã, às 8:00 horas
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