Quando trabalho não sinto o suor
de meu esforço, já que procuro pôr
nele todo o meu eu em liberdade,
que depois dele vive a sua cidade.
Minha cidade é o espaço aberto
livre de qualquer mendacidade, no qual
sei que sou um gesto que então
vive o pleno do ser previsto e igual.
Mais que suor sinto no trabalho
que faço em liberdade, indolor,
o respirar profundo deste gesto
que me acompanha e no qual resto
agora e sempre como certa dor
para sempre renegada, ora flor.
(em Poemas construtivos, 2007)
(Desenho de Dorindo Carvalho)
