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PRIMEIRO DE MAIO – por Sílvio Castro

Quando trabalho não sinto o suor

de meu esforço, já que procuro pôr

nele todo o meu eu em liberdade,

que depois dele vive a sua cidade.

 

Minha cidade é o espaço aberto

livre de qualquer mendacidade, no qual

sei que sou um gesto que então

vive o pleno do ser previsto e igual.

 

Mais que suor sinto no trabalho

que faço em liberdade, indolor,

o respirar profundo deste gesto

 

que me acompanha e no qual resto

agora e sempre como certa dor

para sempre renegada, ora flor.

 

(em Poemas construtivos, 2007)

(Desenho de Dorindo Carvalho)

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