Mudando agora de tema, o Museu Nacional de História Natural e da Ciência abriu este mês uma nova e interessante exposição sobre Matemática, com a chancela da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Designa-se “Formas & Fórmulas” e permanecerá aberta até 28 de Abril de 2013.
O seu preâmbulo é : Em 1795, Lagrange referia que “Enquanto a Álgebra e a Geometria estiveram separadas, o seu progresso foi lento e o seu uso limitado, mas uma vez que estas ciências se uniram, elas deram uma à outra um apoio mútuo e rapidamente avançaram juntas para a perfeição”. “Formas & Fórmulas” pretende fazer uma leitura desta citação à luz dos avanços científicos e tecnológicos do século XXI. Ligando modelos geométricos, objectos de uso comum e formas de arquitectura com fórmulas matemáticas, mostra-se como os mundos da Geometria (formas) e da Álgebra (fórmulas) se apoiam e completam.
A exposição (que já visitámos com os organizadores e é interactiva e intelectualmente muito estimulante) desenvolve-se ao longo de 360 m2 passando por diversos módulos que nos mostram “Linhas e Revoluções”,” Superfícies e Construções”,”Superfícies e Complicações” e “Imagens e Visualizações”.
Através da experiência expositiva, os visitantes serão estimulados a conhecer as respostas a algumas das questões mais relevantes sobre este tema: O que é uma superfície de revolução? Como é que alterando uma fórmula se obtém uma outra forma? Porque é que um buraco complica uma superfície? O que é uma singularidade?
Já pensou que por trás de uma forma está uma fórmula? Já experimentou criar uma fórmula e ver qual a forma que dela resulta – o que pode fazer na exposição?
De lembrar que o Museu já abrira há meses um espaço dedicado ao Cálculo onde o visitante pode contemplar instrumentos de cálculo da colecção de matemática do Museu (ábacos, compassos, etc), efectuar cálculos com réplicas de alguns instrumentos utilizados ao longo dos tempos e visitar a exposição “O Cálculo de ontem e de hoje”, realizada pelo Departamento de Matemática da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, em colaboração com o Museu Nacional de História Natural e da Ciência e aberta até 30 de Dezembro.
A exposição pretende proporcionar uma viagem no tempo, mostrando diferentes ferramentas de cálculo que o homem foi concebendo para fazer as contas do quotidiano e para se libertar dos cálculos morosos. Apresenta diferentes instrumentos de cálculo aritmético, desde os mais simples a alguns dos primeiros computadores electrónicos instalados em Portugal, incluindo uma diversidade de máquinas mecânicas e electrónicas. Entre as peças expostas destaca-se um computador IBM 1620, que em 1962 veio equipar o Centro de Cálculo Científico da Fundação Calouste Gulbenkian e que foi um dos primeiros computadores electrónicos para cálculo científico instalados em Portugal.
A exposição tem também uma componente interactiva onde os visitantes podem experimentar o funcionamento de alguns instrumentos.
Além de objectos extremamente atraentes do ponto de vista estético, os jogos cristalizam muito da ciência coeva, nomeadamente, da astronomia e da matemática. Constituem, assim, um excelente ponto de partida para a abordagem de conceitos científicos no seu contexto histórico, ao mesmo tempo que permitem a aprendizagem dum conjunto de regras, representativo de uma tradição cultural milenar da humanidade, enraizada em ideias de estratégia, antecipação e raciocínio.
A exposição resulta do trabalho de investigação do historiador e divulgador de Matemática Jorge Nuno Silva como este vídeo explica:

