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VAMOS AO CINEMA – À uma da manhã: um elo incontornável da história do cinema

 

A guerra no cinema – “O Nascimento de uma Nação”

 

VAMOS AO CINEMA

 

 

O Nascimento de uma Nação  é aqui incluído nesta série de filmes de guerra por várias razões, mas principalmente pelo lugar que ocupa na história do cinema. Realizado em 1915 por D.W. Grifith, tem como tema central a guerra civil americana. É a primeira longa metragem saída dos estúdios de Hollywood e inaugura uma linguagem cinematográfica que se autonomiza relativamente à arte teatral – até então os filmes não passavam de meros registos de cenas teatrais – com D. W. Griffith passa a existir o que depois será designado por “gramática cinematográfica”, uma gramática que irá substituir as inflexões de voz, a expressão corporal, que permite aos actores de teatro exprimir estados de alma, emoções, por primeiros planos, planos gerais, picados, travellings… Não será Griffith a introduzir
todos estes recursos, mas terá sido ele o primeiro a confrontar-se com a
necessidade de voltar as costas aos meios expressivos do teatro – passam a ser linguagens diferentes.

 

Este filme não deverá ser apreciado à luz de conceitos actuais – não esqueçamos que tem quase cem anos.Hoje seria taxado de reaccionário, pois enforma ideias que em 1915 se aceitavam como boas – Charles Chaplin, um progressista como sabemos, um homem de
esquerda, considerava Griffith um mestre. Mas esse toque de racismo que nos
faria condenar hoje o filme, diz-nos alguma coisa sobre o que é verdadeiramente
esta nação a cujo nascimento o filme de hoje nos permite assistir.

 

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