O fim desta zona Euro tornou-se visível. Apenas o como e o quando chegará a sua dissolução é o que permanece incerto.
Um texto a partir de um outro, de Fabius Maximus de 6 de Junho de 2012
(continuação)
De uma forma agregada vejamos então a evolução das responsabilidades dos PIIGS face ao BCE, vejamos o aumento das disponibilidades alemãs sobre o BCE.
Não há pois dúvidas que a complicar mais a situação de crise, estamos perante uma hemorragia de meios das economias mais fragilizadas para as mais fortes. Acredito que apenas uma crise forçará a que se dê uma mudança radical. A centelha mais provável: a corrida aos bancos em grande escala num ou mais dos países agora vergonhosamente apelidados de PIIGS. Este é um final comum para uniões monetárias e pode já ter começado. A Grécia tem estado sujeita a constantes saídas de fundos. Uma corrida aos bancos pode já ter começado em Espanha e é desta realidade que nos falam os gráficos acima. Podemos ir um pouco mais longe e ver por onde é que outros portos, outros países, outros paraísos fiscais, jogam nesta dinâmica e lembremo-nos de Setembro último, da enorme fuga de capitais para a Suíça, fora da zona euro portanto, que levou o governo suíço a intervir garantindo uma taxa limite de 1,20 CHF por euro e juros de portagem, ou seja taxas de juro negativas, o mesmo é dizer, a representar o custo de estarem a proteger a fortuna de quem transferia o dinheiro para a Suiça, à procura de porto de abrigo. Mas isto significou exactamente uma escalada, uma fuga da zona euro para um porto de abrigo, já não em euros, já sem o perigo da ruptura da própria zona. Vejamos então graficamente a evolução das disponibilidades sobre o BCE, logo de depósitos em euros feitos junto do BCE, exactamente pela lógica acima: os euros fogem para a Suíça e não me estou a lembrar das malas cheias de dinheiro a fugirem para a Suíça de que falaram o Público e o Expresso, são convertidos em francos suíços, os bancos nacionais suíços colocam os euros junto do Banco Nacional da Suíça e este deposita-os junto do BCE. O carrocel a que nos referíamos acima.
Graficamente temos:
Mas falemos apenas de Espanha. O ministro espanhol pela citação acima recusa em falar em debandada de capitais, mas então que explicação se encontra para o gráfico abaixo se não essa mesma debandada, a fuga de capitais de Espanha a procurarem um porto de abrigo na Alemanha:
A corrida aos bancos são acontecimentos de multidões, são as massas em histeria — mas as multidões também muitas vezes se desenvolvem como resposta a perigos reais. Essa resposta racional e de forte reacção ainda não se deu, na Europa do medo que sob a orientação da Comissão Europeia está a ser criada e por quem está a ser manietada, mas é inevitável que pelas boas ou más razões esta resposta se irá dar, tal a violência que as políticas seguidas estão já a assumir.
A questão é ainda mais séria quando o quadro de condicionamento total das sociedades nacionais, dos estados membros é sujeita desse há mais de três anos ao medo de ver desaparecer o euro. Repare-se que esta debandada de capitais na Grécia, esta caminhada, apenas ainda caminhada, para os bancos em Espanha e em Itália e que rapidamente se pode transformar em corrida aos bancos representa um problema adicional a somar aos que foram já inventariados. Com efeito, o medo de deixar de ter euros repentinamente para passar da noite para o dia a ter a velha moeda nacional cria situações de fuga enormes. Os nacionais e mesmo os estrangeiros desfazem-se dos títulos nacionais, e deslocam os valores assim obtidos. Mas esta venda tem efeitos depressivos sobre os activos em venda o que faz criar problemas de liquidez adicionais aos bancos e mais ainda, faz disparar as taxas de financiamento ou de refinanciamento da dívida pública, acelerando ainda a dinâmica das políticas de austeridade e, desta forma, tudo se complica ainda mais. Como assinalam tanto Sajayt Das como Marshall Auerback:
“Há uma falha fundamental no sistema monetário europeu que está por detrás da corrida actual aos bancos, uma diferença muito importante entre o sistema de compensação europeu e o do Federal Reserve. Como Peter Garber explicou em 1998, qualquer possibilidade de uma saída do euro por um dos países membros do euro cria um risco de perda cambial para as partes envolvidas no sistema bancário da área do euro. Não há paralelamente nenhuma perda cambial potencial no caso dos EUA. Nenhum Estado está a fazer para saír e criar a sua própria moeda nova (estúpidos Rick Perry com as suas ameaças secessionistas a dizer o contrário no Texas). É este potencial para a saída do euro e a consequente perda cambial posterior que alimenta a corrida bancária europeia. É este potencial de perda cambial que impede o sistema interbancário privado de reciclagem de fundos de depósito a saírem de bancos nacionais beneficiários para os bancos dos países onde se originou a corrida aos depósitos. É por isso que o BCE tem de intervir e actuar como refinanciador de última instância, sendo o eixo central do sistema. Não há necessidade paralela de tal papel para o Federal Reserve nos Estados Unidos.
(continua)
