por Rui Oliveira
Esta Quarta-feira 17 de Outubro, fértil em eventos musicais, pode considerar-se marcada pelo Concerto Comemorativo Orquestra Gulbenkian 50 anos que se realiza no Grande Auditório da Fundação Calouste Gulbenkian, às 21h (repetindo-se na Sexta 19, também às 21h).
Nele a Orquestra Gulbenkian dirigida pelo ainda actual maestro Lawrence Foster interpretará um programa que inclui, entre as quais uma encomenda da Fundação Gulbenkian (assinalada com *):
Joseph Haydn Sinfonia nº 85, “La Reine”
Vasco Mendonça Group together, avoid speech*(estreia mundial)
Igor Stravinsky A Sagração da Primavera
São notas do programa : “ … propõe-nos uma viagem desde os clássicos, aqui representados por Joseph Haydn, até à estreia de uma nova obra de Vasco Mendonça, um compositor português em trajecto ascendente. Reforçando esta perspectiva, a Orquestra tocará pela primeira vez a “Sagração da Primavera” de Stravinsky, um desafio só ao alcance das orquestras de elevado nível artístico”.
Por não haver registo nacional, deixamo-vos (para comparação !) a gravação em 2006 da Sinfonia La Reine de Haydn pela Chicago Symphony Orchestra dirigida por Charles Dutoit no Orchestra Hall (Chicago) :
Composto por Tore Brunborg saxofone tenor, Tord Gustavsen piano, Mats Eilertsen contrabaixo e Jarle Vespestad bateria, o grupo trabalha para explorar, integrar e servir uma trindade sagrada de intensidade emocional, elegância e respiração musical meditativa. Diz no All About Jazz de Fevereiro último, John Kelman : “ The Well não é menos excepcional. Gustavsen sempre fundiu elegante e gentilmente elementos do gospel com vestígios de impressionismo de Espanha e de tradicionalismo norueguês, tudo reflectido num jazz vernáculo … O ambiente geral de The Well é de uma beleza meticulosa, onde abunda a liberdade de interpretação, mas não no modo dum descontrolado fluxo da consciência.
O grupo é tão cuidadoso nas suas tomadas de decisão que, em outras mãos, The Well poderia tornar-se seguro e sem brilho. Ao contrário, com um quarteto que aprecia o valor de cada nota, que comunica num nível cada vez mais profundo e compreende o poder tremendo da quietude, The Well … é simultaneamente belo e dramático, sem recorrer a tácticas demasiado óbvias”.
Podem apreciá-lo neste excerto :
A ópera em foco é “Il sogno del zingaro” de Luís António Miró (1815-1853), que a escreveu em 1844. Nascido em Granada, o compositor veio para Portugal muito novo e em Lisboa foi discípulo de Domingos Bomtempo e de Fr. José Marques, começando por ganhar fama de excelente pianista. No entanto, foi como compositor teatral que ficou mais famoso, tendo peças suas sido representadas no Teatro das Laranjeiras, no Teatro de S. Carlos e no Teatro de D. Maria. Devem-se-lhe também duas missas, matinas e outros trechos religiosos. Em 1849 vai viver para o Brasil, onde acabou por falecer em Maio de 1853.
São intérpretes : Ana Paula Russo (foto), Diogo Oliveira, João Pedro Cabral, Inês Madeira, Ariana Russo, Sara Afonso, Ana Urbano, Pedro Cachado e Luis Pereira.
Integrante habitual de várias orquestras como a Orquestra Metropolitana e a Orquestra Sinfónica Juvenil, Joana Gama estudou na Royal Academy of Music em Londres, licenciou-se em Piano na Escola Superior de Música de Lisboa e completou o Mestrado em Interpretação sob a orientação de António Rosado e Benoît Gibson na Universidade de Évora. No Prémio Jovens Músicos – Antena 2 (PJM) obteve o 1º lugar na categoria de piano – nível superior (2008).
Escolheu para este recital obras portuguesas escritas maioritariamente no século XXI onde se evoca o espírito livre e errante do Romantismo. São elas :
Vasco Mendonça Homem na Cidade, 2007 (José Luís Tinoco / Ary dos Santos)
João Madureira Barco Negro (e uma homenagem a Ligeti), 2007 (Caco Velho/ Piratini /
David Mourão-Ferreira)
Pedro Faria Gomes Talvez se chame saudade, 2007 (Francisco Viana Filho / João Gil)
Fernando Lapa Variações sobre o Coro da Primavera (José Afonso), 2000
Eurico Carrapatoso L´aire del campo, 2003
Carlos Marecos Terras por de trás dos montes, 2011
João Godinho Fogo Posto, 2011
Ao abrir o pano ver-se-á um leque cenas mostrando o convívio diário e íntimo de dois personagens diferenciados um do outro; a dialéctica tecida por palavras e acções entre os dois. vividos pelas actrizes Elisa Lucinda e Geovana Pires, é recheada de humor inteligente e tem graça subtil e espontânea a compor a trama de uma prosa poética que dá conta das inquietações da alma humana.
É possível ver a primeira criação deste texto no Teatro Sesi (Rio de Janeiro) em Agosto de 2010 :
João Antunes (1643-1712) foi o arquitecto régio de D.Pedro II e D.João V, “senhor de personalidade artística plurifacetada, com formação em modelos italianizados”, e o tracista da Igreja de Santa Engrácia, do túmulo da Princesa Santa Joana e do Paço da Bemposta. Com ele a construção portuguesa evolucionou dos tradicionais modelos “estilo chão” para um figurino de gosto internacional. Continua contudo, apesar da obra de historiadores como Manuel Maria Ataíde e Ayres de Carvalho, a faltar uma mais profunda caracterização do seu percurso por isso, na altura em que passam trezentos anos sobre a sua morte, este evento científico pretende efectuar uma leitura de conjunto da obra deste Arquitecto.
Serão oradores um vasto número de professores e investigadores do barroco nacional.
(para as razões desta nova forma de Agenda ler aqui ; consultar a agenda de Segunda aqui )


